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Capucho sai de cena em Sintra

Capucho sai de cena em Sintra

José Fernandes Margarida Davim 12/02/2017 16:01

Negociações com o CDS ditam retirada de candidato que levaria Passos a não fazer campanha no seu concelho. Marco Almeida avança com o nome de Ribeiro e Castro para a Assembleia Municipal.

António Capucho já não será o cabeça de lista de Marco Almeida à Assembleia Municipal de Sintra. O SOL sabe que Capucho tomou a iniciativa de sair de cena para facilitar um entendimento com o CDS que Almeida considera fundamental para ter uma candidatura vencedora à Câmara de Sintra. Mas a decisão do militante que foi expulso do PSD não serve para abrir caminho a António Rodrigues, o candidato indicado pela concelhia social-democrata. Há outro nome a ser negociado para o lugar: o de Ribeiro e Castro.

Poucas vezes a indicação de um candidato a uma assembleia municipal terá causado tanta confusão. Marco Almeida começou por negociar com o líder da distrital do PSD, Miguel Pinto Luz, o nome de António Capucho. Apesar da expulsão de Capucho e do incómodo que o nome provoca a Pedro Passos Coelho – que, por sinal, vota em Sintra por morar em Massamá –, Pinto Luz aceitou a indicação do candidato independente.

O assunto parecia fechado, mas esta semana a concelhia do PSD de Sintra aprovou por unanimidade a indicação de António Rodrigues, que foi líder de bancada do PSD na assembleia municipal, no tempo em que Fernando Seara era presidente, foi vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, durante o Governo de Pedro Passos Coelho, e é militante em Sintra.

A indicação foi feita por unanimidade e foi anunciada poucos dias depois de se saber que Passos Coelho comentou numa reunião da Comissão Permanente do partido não ter condições para fazer campanha no seu próprio concelho, por não poder aparecer ao lado de António Capucho – um dos seus maiores críticos e um militante que foi expulso quase 40 anos depois de ter ajudado a fundar o PSD precisamente por ter decidido apoiar Marco Almeida nas últimas autárquicas contra o social-democrata Pedro Pinto.

O «incómodo» de Passos Coelho foi suficiente para António Capucho fazer saber a Marco Almeida que estaria disponível para não aparecer nas ações de campanha em que o líder quisesse participar, evitando encontros desagradáveis.

Mas acabou por ser a negociação com o CDS a ditar a saída de cena de Capucho. Marco Almeida considera essencial juntar ao apoio do PSD o dos centristas para conquistar aquela que é a segunda maior câmara do país. E dar ao CDS o cabeça de lista à Assembleia Municipal foi uma das propostas que o candidato quis levar para as negociações que tem mantido com João Gonçalves Pereira.

Ribeiro e Castro disponível

O SOL sabe que José Ribeiro e Castro foi o nome proposto por Marco Almeida ao líder da distrital do CDS. Ribeiro e Castro foi, aliás, presidente da Assembleia Municipal na coligação com Fernando Seara que ajudou PSD e CDS a conquistar Sintra ao PS.

«Se for considerado importante pelo Marco Almeida que eu seja candidato, eu sê-lo-ei», afirma Ribeiro e Castro, explicando que nunca o faria caso Capucho não tomasse a iniciativa de deixar cair a candidatura. «Conheço o dr. António Capucho desde 1979, desde o tempo da primeira AD, e é uma pessoa por quem tenho imenso respeito», vinca o antigo líder centrista que, apesar das desavenças com o partido, assegura não ter encontrado resistências ao seu nome nas conversas que teve com Assunção Cristas e João Gonçalves Pereira.

Apesar disso, João Gonçalves Pereira recusa fazer qualquer comentário sobre o acordo com Marco Almeida, limitando-se a confirmar que «há negociações em curso» com o candidato e com Miguel Pinto Luz. «Mas não está nada fechado», afirma.

O SOL sabe que PSD e CDS estão ainda a acertar os lugares nas listas. É que Marco Almeida quer levar consigo dois vereadores que concorrerão pelo MPT e o PSD quer meter mais três na lista. Essas contas deixariam o primeiro candidato do CDS em sexto, um lugar que só seria elegível em caso de maioria absoluta. E essas contas estão a atrasar as negociações.

Várias fontes sociais-democratas explicam que o nome de António Rodrigues surge num contexto de guerra entre a concelhia de Sintra do PSD e a distrital social-democrata de Lisboa.

Ora, depois de Pinto Luz ter avocado para si as negociações para o apoio a Marco Almeida, só Passos Coelho poderia impor o nome de Rodrigues e é pouco provável que o faça. Isto, apesar de Passos não estar contente com a ideia de ir a votos em Sintra com o candidato que em 2013 correu contra Pedro Pinto.

«O Passos quer ganhar câmaras, mas não a todo o custo», aponta uma fonte próxima do líder. Esse desconforto não deverá, contudo, ser suficiente para desautorizar o líder da distrital e o coordenador autárquico Carlos Carreiras.

De resto, Sintra é vista como um trunfo importante para o PSD, numa altura em que o partido tem apenas duas câmaras no distrito – Cascais e Mafra – e poucas hipóteses de vir a aumentar este score.

Contactados pelo SOL nem Marco Almeida nem António Capucho estiveram disponíveis para fazer comentários.

 

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