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Poluição. Tartarugas que morrem à fome com o estômago cheio de plástico

Poluição. Tartarugas que morrem à fome com o estômago cheio de plástico

Rita Pereira Carvalho 06/07/2020 09:10

A água salgada faz com que os sacos percam a cor e o sol faz com que se fragmentem. Por causa disso, as tartarugas não os distinguem das caravelas portuguesas, o prato principal do seu menu e acabam por morrer à fome, mas com o estômago cheio de plástico. A par disto, as perigosas alforrecas estão a aparecer em maior quantidade nos Açores. Taxar os sacos de plástico foi um avanço, mas o caminho a percorrer ainda é longo.

Na pirâmide da poluição dos oceanos, os plásticos ocupam o lugar do pódio e os primeiros a sofrer são os seres vivos que lá habitam. O problema está bem perto e basta olhar para o que acontece com as tartarugas que chegam aos Açores – o arquipélago recebe cinco das sete espécies que existem a nível mundial, sendo a mais comum a tartaruga-boba, ou tartaruga-comum. Com a quantidade de plástico a aumentar no mar, estes animais, que fazem das caravelas portuguesas o seu prato principal, não conseguem diferenciar aquilo que é alimento daquilo que é plástico, em particular os sacos.

Nos Açores decorre o projeto COSTA, cuja missão “é assegurar a conservação das tartarugas marinhas nos Açores e do seu habitat oceânico no Atlântico”. Segundo os dados disponíveis no site, os investigadores deste projeto estão “a investigar a ingestão de lixo marinho nas tartarugas que aparecem mortas na região”. “Até agora, os nossos resultados mostram que 83% dos indivíduos estudados tinham ingerido plásticos”, acrescentam.

Quando um saco de plástico é atirado para o chão, ou para o areal das praias, e vai parar ao mar, começa a fragmentar-se e a perder cor. “Com o sol, os sacos de plástico vão-se fragmentando e vão-se partindo em pequenos pedaços. O que se tem verificado é que os sacos, com a água salgada, vão perdendo a cor e então, ao perder a cor, ficam muito semelhantes a uma caravela portuguesa e os fragmentos de plástico sem cor ficam muito semelhantes ao plâncton”, explica Carmen Lima, coordenadora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus. “O que acontece é que, quer as tartarugas, quer os peixes, confundem os sacos e os fragmentos de sacos com alimentos. Muitas vezes eles acabam por morrer, porque estão com o estômago cheio, mas não estão saciados e, não conseguindo comer mais, acabam por morrer à fome”, acrescentou Carmen Lima. A par das tartarugas, também nas aves marinhas se tem verificado a presença de plástico.

Além da aparência enganadora, um artigo publicado pela revista científica Current Biology, indica que os animais marinhos podem ser atraídos pelo cheiro dos sacos de plástico. 

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