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“Este presidente da Câmara de Lisboa é um zero à esquerda”

“Este presidente da Câmara de Lisboa é um zero à esquerda”

Sónia Peres Pinto 18/05/2020 09:16

O presidente do ACP, Carlos Barbosa, critica as soluções de mobilidade para Lisboa e considera o autarca e o vereador desta pasta “incompetentes”.

Como está o setor automóvel depois de ter estado praticamente parado durante dois meses?

Com o país parado, os stands de automóveis estiveram fechados e o mesmo aconteceu com as oficinas. O mercado automóvel teve uma quebra brutal no que diz respeito a vendas porque as pessoas, quando compram um automóvel, gostam de ver o carro, gostam de se sentar, de ouvir o conselho do vendedor, e isso não era possível, o que fez com que se assistisse a uma baixa brutal de vendas às pessoas singulares. Por outro lado, as frotas dos rent-a--car também não foram renovadas devido à pandemia porque não sabiam o que ia acontecer. Não tendo turistas nem tendo pessoas que alugassem os carros, não iam estar a investir em novas frotas sem saber o que iria acontecer. Penso que agora, com a retoma lenta da economia, o mercado automóvel também vai retomar. As pessoas que queriam trocar de automóvel vão começar a pensar nisso, a ir aos stands, talvez menos do que antes da pandemia, porque muitas pessoas sentiram uma retração económica durante este período e quem está em layoff passou a ter ordenados mais pequenos. Mas penso que o mercado vai retomar lentamente.

Mas não para os níveis que estávamos a assistir?

Não. Isso, para já, não. Até porque há aqui uma coisa que o Estado devia fazer para relançar o setor automóvel que era durante um ano ou dois – como outros países já fizeram, como o caso da Alemanha, na última grande crise de 2008 – retirar grande parte dos impostos para haver novo investimento. O Estado acaba por recuperar esse dinheiro quer no IVA, quer no IVA das portagens, no IVA da gasolina, do gasóleo, ou seja, numa série de impostos indiretos ligados ao setor automóvel. Quanto mais carros houver a circular, mais dinheiro do IVA entra nos bolsos do Estado.

Acha que, para os portugueses, a prioridade agora é trocar de carro?

Prioridade não será, se bem que acho que vai haver uma tendência muito grande das pessoas para voltarem a andar em carro próprio, porque têm medo de andar de transportes públicos. Vi uma reportagem sobre funcionárias que saem às 6h da manhã de casa, vão enlatadas nos transportes públicos para irem trabalhar nos hospitais e dizem que têm mais medo de andar nos transportes públicos do que estarem nos corredores dos hospitais onde estão os infetados. Acho que as pessoas vão voltar, inconscientemente, a andar no veículo que tinham, que tinha sido deixado de lado, para evitarem andar nos transportes públicos. Penso que agora vai haver uma retoma do carro individual porque as pessoas têm medo do contágio. Depois, progressivamente, não só esse carro vai ser trocado como, eventualmente, mais tarde voltarão aos transportes públicos, depois de passar esta pandemia. Mas ninguém sabe o que vai acontecer, se vai haver segunda volta do vírus, se não. Hoje em dia vivemos num clima de incerteza, vivemos quase no dia-a-dia. Mas evidentemente que as pessoas que precisam de trocar de carro já fizeram as contas para o poderem fazer. Mas como diz, e muito bem, muitos que pensavam isso antes da pandemia podem ter passado a ter outras despesas, desde computadores para os filhos, para a telescola, mais uma série de coisas, deixando de ter oportunidade de poder pagar a prestação de um automóvel.

Mas tal como acontece com a abertura dos restaurantes, em que muitas pessoas admitem que têm medo de entrar, não acha que pode também existir esse receio nos stands?

Vai ver os restaurantes cheios, ouça o que eu lhe digo. Porquê? Porque muitas pessoas que voltam ao trabalho não têm capacidade de poder levar a refeição para o escritório, ou porque a mulher não tem tempo de fazer, ou porque a mulher também chega tarde, ou porque têm de deixar os miúdos no colégio de manhã... sei lá, tanta coisa. E as pessoas vão ter de comer à hora do almoço. Por isso, obviamente, os restaurantes vão estar cheios e os take-aways também. Pode haver um pouco de receio ao princípio, mas ou com divisórias ou máscaras vai ver que, daqui a um ou dois meses, os restaurantes vão estar outra vez cheios. E nos stands vai ser igual. Hoje em dia entra-se num stand e é um espaço amplo. Para ter cinco, seis, sete viaturas em exposição é preciso ter um espaço amplo, as pessoas não precisam de estar todas em cima umas das outras. Além disso, os stands nunca têm muita gente, pode perfeitamente fazer-se a tal distância obrigatória. E mesmo que não pudessem, estou convencido de que os stands arranjariam maneira de isso acontecer.

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