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Ministros e deputados socialistas divididos por causa do PS/Porto

Ministros e deputados socialistas divididos por causa do PS/Porto

Diana Tinoco Luís Claro 22/11/2017 16:48

Número dois do governo é mandatário de Barbosa Ribeiro, Fernando Gomes e Alberto Martins estão ao lado de Renato Sampaio. Sócrates já veio à baila.

As eleições para o PS/Porto estão a ganhar contornos nacionais com a entrada em cena de várias figuras de primeira linha. A disputa entre Tiago Barbosa Ribeiro, recandidato, e Renato Sampaio, ex-líder da distrital, traduz divergências profundas na concelhia socialista, principalmente devido à estratégia para as eleições autárquicas e à aliança com Rui Moreira, defendida  até ao limite pelo líder distrital Manuel Pizarro.

Renato Sampaio, que liderou a distrital nos tempos de José Sócrates, entre 2008 e 2011, e é próximo do ex-primeiro-ministro, tem reunido apoios de peso dentro do partido. O ex-ministro da Justiça Alberto Martins foi o último a declarar apoio ao deputado socialista com o argumento de que é o melhor candidato, devido ao seu “currículo político” . 

Fernando Gomes, que presidiu à câmara do Porto durante quase três mandatos, também já anunciou que está ao lado de Renato Sampaio. O ex-autarca elogia a “determinação” do candidato e critica a atual direção da concelhia por ter alinhado com “políticas erradas” que conduziram o partido a uma derrota eleitoral. “O Partido Socialista não pode resignar-se ao papel secundário que tem vindo a desempenhar nestes últimos anos na cidade do Porto, fruto de uma série de equívocos que resultaram em políticas erradas, nunca reconhecidas pela direção política local”, diz Fernando Gomes.

A aliança do PS com Rui Moreira provocou uma cisão no partido. Alguns socialistas são, desde a primeira hora, contra o apoio ao independente e, nas últimas eleições autárquicas, discordaram que o PS não tivesse candidato próprio. Uma decisão anunciada por António Costa no congresso do partido que acabou por ficar a meio do caminho porque o presidente da câmara do Porto rompeu a aliança e Manuel Pizarro foi forçado a assumir a candidatura. “Houve uma tentativa de diluir o PS no movimento de Rui Moreira. Foi uma estratégia errada”, afirma, em declarações ao i, Renato Sampaio.

 

Muleta da direita

Bacelar Vasconcelos, deputado e presidente da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, também alinha nas críticas à estratégia do PS/Porto e, numa referência ao “casamento” com Rui Moreira que durou na Câmara do Porto até à rutura decidida pelo presidente da câmara, alerta que “o PS não pode resignar-se a continuar a servir de muleta aos projetos políticos da direita”. Fernando Jesus, deputado eleito pelo Porto e vice-presidente da bancada no tempo de António José Seguro, acusa a atual direção de marginalizar os militantes que discordam da linha oficial.

Renato Sampaio garante que está na corrida para “unir o PS” e “retomar o prestígio que a concelhia já teve”. O candidato foi um dos socialistas que esteve ao lado de Sócrates desde a primeira hora. Renato não desconhece que a sua proximidade a Sócrates “está a ser utilizada” para o “menorizar” e garante que alguns dos que fazem essas críticas foram os que “mais beneficiaram do eng. Sócrates no poder. Eu não beneficiei em nada com a liderança do eng. José Sócrates”

 

Ministro e mandatário

Tiago Barbosa Ribeiro também está a captar apoios com peso para as eleições internas que vão realizar-se nos dias 19 e 20 de janeiro. A começar pelo número dois do governo socialista Augusto Santos Silva. O ministro dos Negócios Estrangeiros é o mandatário da candidatura do jovem socialista. Santos Silva, no lançamento da recandidatura de Barbosa Ribeiro, neste sábado, explicou que aceitou o convite porque faz “uma avaliação muito positiva” do trabalho realizado pela equipa do atual líder do PS/Porto.

O recandidato pretende iniciar uma discussão interna sobre o melhor caminho para conquistar a Câmara do Porto daqui a quatro anos. Um objetivo que o PS não consegue atingir há mais de vinte anos, ou seja, desde o tempo em que Fernando Gomes liderou a autarquia.

Tiago Barbosa Ribeiro defende que o PS deve construir pontes com os partidos de esquerda. “O diálogo à esquerda tem de começar desde já para que não se feche nenhuma possibilidade”, afirma.

Barbosa Ribeiro tem tido um percurso ascendente dentro do PS. É deputado na Assembleia da República e coordenador do PS na comissão parlamentar do Trabalho e Segurança Social.

É próximo de Manuel Pizarro, presidente da distrital, e esteve ao lado do médico socialista na defesa de uma aliança com Rui Moreira. Curiosamente, a primeira vez que se candidatou teve Renato Sampaio como mandatário.

 

Gangster e desculpas

Um dos casos mais polémicos em que esteve envolvido foi quando chamou “gangster” a Cavaco Silva. A afirmação foi feita nas redes sociais que o jovem do PS usa quase diariamente para exprimir as suas posições em relação aos mais diversos assuntos. Tiago Barbosa Ribeiro acabou por assumir que foi imprudente. “Reconheço-o e apresento desculpas”, escreveu o socialista, que é um dos mais ferverosos adeptos da gerigonça e quer voltar a vencer o PS/Porto para abrir a porta a uma geringonça no Porto.  

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