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Emigrantes. 50 regressos de que Portugal precisa

Emigrantes. 50 regressos de que Portugal precisa

20/02/2015 00:00

Se fosse preciso fretar um avião para fazer regressar os 50 talentos portugueses que o i seleccionou, a viagem teria duas grandes escalas: EUA e Inglaterra. São os dois países onde estão boa parte dos portugueses a fazer a diferença, seja na alta finança, seja na arquitectura, na música, no design ou no cinema. Mas será sobretudo a investigação científica que absorve o talento nacional. Há dezenas de portugueses que partiram nos últimos anos ou então há várias décadas e estão a dar cartas em áreas como a matemática, a física ou então a contribuir para novas terapias em doenças do coração, Alzheimer, Parkinson ou sida. Pedir-lhes que regressem não custa nada, apesar de boa parte admitir que saiu daqui porque as condições, o reconhecimento e o financiamento estão lá fora

Renata Gomes 

29 anos, Bioquímica
Barcelos
Emigrou em 1998
Com 12 anos partiu para Londres com a mãe e as duas irmãs. Licenciou-se em Medicina Forense e dedica-se à medicina e à bioquímica cardiovascular desde que fez
o mestrado, tudo no Reino Unido. Aos 29 anos já tem um currículo cheio de prémios.
Em Novembro do ano passado foi nomeada pela Women in Science and Engineering para a categoria de Hero devido à sua contribuição para a ciência, a saúde e o bem-estar. Não venceu, mas o seu nome surgiu ao lado de cientistas com mais de 20 anos de carreira. Em 2012 ganhou um Silver Certificate no âmbito dos prémios Science, Engineering and Technology, organizados anualmente pela Comissão Parlamentar e Científica de Inglaterra. Dedica grande parte do seu tempo a desenvolver meios para detectar riscos de AVC ou enfartes. 
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Carlos Caldas

55 anos, Cientista
Oliveira de Frades 
Emigrou em 1988
Saiu de Portugal “na procura da excelência” e é professor na Universidade de Cambridge desde 2002. Nesta universidade dirige um grupo de investigação. Carlos Caldas é conhecido na comunidade científica pelas suas contribuições para o estudo da biologia molecular do cancro, com um foco em cancro da mama e cancro do estômago. Quando lhe perguntaram se tencionava voltar a Portugal, o cientista não colocou de lado essa hipótese, mas admitiu que será difícil isso acontecer nos próximos anos. “Nesta vida académica não se diz nunca. Mas sinto-me muito bem em Cambridge e será difícil voltar nos anos mais próximos. Sou um privilegiado: participo num projecto ambicioso que quer transformar o Cambridge Cancer Centre num dos melhores do mundo”.  
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António Simões

39 anos, Banqueiro
Lisboa
Emigrou em 1995
É um dos banqueiros top do Reino Unido, chefe executivo do HSBC. É gay e diz mesmo que se não fosse gay não teria chegado ao topo do banco. Simões afirmou recentemente ao “Expresso” que ser gay o torna “mais autêntico, mais capaz de suscitar empatia e com mais inteligência emocional. Se não fosse gay, provavelmente não seria CEO”. Há dois anos a dirigir o HSBC em Londres, António Simões acredita que os homossexuais têm o “dever pessoal de ao nível profissional saírem do armário”. “Se queremos viver numa verdadeira meritocracia, a única coisa que pode interessar é o que cada um pode fazer e não a sua orientação sexual”. O “Financial Times “colocou-o no no top da lista dos 50 mais inspiradores executivos LGBT do mundo. 
 
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Maria Ramos

56 anos, economista/gestora
Lisboa
Emigrou em 1960
Em 2009, assumiu o cargo de directora executiva (CEO) do Banco Absa, do grupo Bar-clays, na África do Sul. Dois anos depois já era a directora executiva do grupo para todo o continente. Em 2012, foi considerada uma das 20 pessoas mais poderosas em África pela revista Forbes. 
Aligação a África começou cedo. Com um ano já tinha partido com os pais para Moçambique, país que a viu crescer. Licenciou-se em Economia na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo e tirou o mestrado em Londres. Membro do ANC, chegou a ser nomeada directora-geral do Tesouro em 1996, coincidindo com a nomeação de Trevor Manuel, para ministro das Finanças, com quem veio a casar em 2008. Maria Ramos foi também CEO da empresa pública de comboios. 
 
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Filipe Oliveira Baptista

40 anos, estilista
Açores
Emigrou em 1997
Foi há dez anos que Felipe Oliveira Baptista lançou a sua própria marca de roupa. E em 2010 chegou à direcção criativa da Lacoste. Com 40 anos, há muito que o estilista açoriano se habituou a viver longe de Portugal. Partiu em 1997 para Inglaterra, onde estudar Design de Moda na Universidade de Kingston. Felipe percebeu cedo que o seu percurso não tinha Portugal no horizonte. Entre Inglaterra e Paris – onde vive actualmente com a mulher e os dois filhos –, passou por outras geografias incontornáveis para quem quer fazer da moda a sua vida: Itália. No currículo destacam-se dois momentos-chave: em 2002, quando vence o Festival de Hyères, e em 2005, ano em que Jean-Paul Gaultier o lança para a primeira aventura na semana da moda de Paris. 
 
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Fernando Garcês

36 anos, Investigador
Emigrou em 2004
“Claro que gostaria de voltar, mas Portugal não pode e nunca poderá oferecer-me as condições necessárias para que eu possa desenvolver a minha investigação ao mais alto nível”. Foi assim que este investigador respondeu quando o i  lhe perguntou se tinha planos para regressar ao país. Fernando Garcês licenciou-se em microbiologia na Católica e trabalhou na Bial antes de tirar o doutoramento em Barcelona. Cinco anos depois foi para o Institute of Cancer Research, em Londres, e passou ainda pela Universidade de Sussex antes de rumar aos EUA. Desde 2012 que está no The Scripps Research Institute, na Califórnia (EUA) a desenvolver uma vacina contra o vírus do HIV. “Os nossos resultados sugerem que uma vacina contra o HIV é possível e aponta caminhos para que tal aconteça”, disse ao i.
 
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Tiago Grade aka Rizumik

30 anos, Beatboxer
Lisboa
Emigrou em 2011
Tiago Grade tem o dom de fazer música sem precisar de recorrer a aparelhos electrónicos. É uma magia que acontece numa mistura de ar e músculos da boca, a trabalhar em conjunto para produzir sons e ritmos que valem por si mesmos ou que servem de base a cantores de hip-hop. Foi por esse dom – e pelo facto de “o universo” saber que ali estava um “artista” – que há quatro anos viajou para os Estados Unidos. As “paixões e os objectivos” falaram mais alto, diz-nos Rizumik. Partiu, mas quer muito voltar. “Vontade não me falta, e quanto mais viajo mais valor dou ao meu país”. Era aqui, em Portugal, que gostava de poder continuar a fazer aquilo de que mais gosta, e que faz bem. Mas falta-lhe “mercado”. O país é “demasiado pequeno”. 
 
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Maria Madureira

34 anos, Professora
Vizela 
Ano em que emigrou: 2013
A primeira experiência que teve no estrangeiro foi quando deu aulas na Bretanha, como assistente de línguas. Maria Madureira é licenciada em Ensino do Português e do Inglês e actualmente dirige o Centro de Língua Portuguesa Camões /Universidade de Massachussets, em Boston.
Sente falta do café e da família, mas o contrato é de dois anos e até lá, deverá continuar a cruzar-se com o Ben Aflleck nas ruas da cidade norte-americana.
A oportunidade de rumar aos Estados Unidos surgiu com um concurso lançado pelo Instituto Camões. Apesar de não ter conseguido à primeira tentativa, a segunda não lhe escapou. “Motiva-me a vontade genuína de dar a conhecer [...] um Portugal contemporâneo”, referia, no final do 2013 numa entrevista ao “Expresso”. 
 

Luís Bettencourt

58 anos, empresário
Topo, ilha de São Jorge, Açores
Emigrou em 1969
Luís Bettencourt tinha só 12 anos quando foi viver para os Estados Unidos com a família - o destino de muitos açorianos. Nessa época, começou a trabalhar com o pai em Turlock, Vale Central da Califórnia, na área de lacticínios. Em 1982, cria a sua própria leitaria, a “Dairies Bettencourt”, em Wendell, estado do Idaho. Começou com 17 vacas leiteiras, três anos depois já tinha 900. Transformou-se no maior produtor de leite individual do mundo. Recentemente confessou que o segredo do seu sucesso e da expansão do seu negócio “está em tratar bem e pagar bem aos seus trabalhadores”. Os dois primeiros funcionários que contratou ainda trabalham com ele. O lema da empresa é “Drink Milk, Eat Cheese, and Enjoy Life!”. 
 

António Horta-Osório

50 anos, CEO do Lloyds Bank
Lisboa
Emigrou em 1991
Já leva mais tempo de carreira profissional fora do país do que dentro, e continua a ser um dos profissionais mais admirados da área financeira. Casado e pai de três filhos, Horta-Osório é também um amante do ténis, desporto que continua a praticar com regularidade em Londres. Começou a dividir o tempo entre Londres e Nova Iorqueem 1991 quando integrou o Goldman Sachs, e voltaria a Portugal para liderar o Santander a convite de Emílio Botin. Passaria ainda pelo Santander Brasil e pelo Santander ReinoUnido, com vários cargos acumulados no grupo. Em 2011 passa a ocupar o cargo de CEO do Lloyds Bank, em Londres,  com a missão de recuperar o banco, fortemente penalizado pela crise financeira. Acumula várias distinções nacionais e internacionais. 
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Irene Fonseca

59 anos, Matemática
Lisboa
Emigrou em 1987
É um dos maiores nomes da investigação mundial da Matemática. Investigadora da Universidade Carnegie Mellon dirige centros, coordena equipas, dá aulas e faz ciência. Emigrou para os EUA há 27 anos e tem o que precisa para continuar em Pittsburg: tempo e financiamento. Tudo o que não acontece aqui e que contribui para adiar o seu regresso. Em Portugal, ou em boa parte da Europa, as universidades são demasiado  burocráticas para que possa fazer investigação de topo. E falta o mais importante – sem financiamento é impossível trabalhar com cientistas de várias áreas e partes do mundo. Mas, se Irene Fonseca tem tudo isso, é porque também vai à procura de dinheiro e até pertence a um lóbi. Só deixa os congressistas em paz quando ficam convencidos de que a ciência é o futuro. 
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Carlos Tavares

56 anos, CEOda Peugeot Citröen
Lisboa
Emigrou em 1975
Nasceu em Agosto de 1958, em Lisboa, tendo frequentado o Liceu Francês, arriscando a emigração com 17 anos. Em França, seguiu os estudos na ÉcoleCentrale deParis, onde se formou em Engenharia Mecânica, tendo em 1981 entrado na Renault. Em apenas dez anos passou de engenheiro de testes para responsável pela linha Clio II, passando em 1998 a liderar o projecto do Mégane e do Scénic. A ascensão deste português não ficou por aqui, chegando à vice-presidência de planeamento da Renault e saltando depois para a vice-presidência daNissan, já em 2005. Os bons resultados conseguidos na Nissan levaram-no até número 2 daRenault em 2009. Já no final de 2013, o grande rival da Renault, a Peugeot-Citröen, nomeou-o CEO. 
 
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Luís Pedroso

54 anos, Empresário
ilha de São Jorge
Emigrou em 1969
Luís Pedroso chegou à América com 9 anos. A família instalou-se na Califórnia em 1969 e viveram numa quinta até o pai morrer com uma leucemia. Mudou-se para Massachusetts. Fez o liceu e começou a trabalhar numa fábrica de computadores. Ao fim de um ano demitiu-se. Arranjou emprego como caixa num banco, mas despediu-se logo depois. Foi para uma outra firma de electrónica até achar que era tempo de arriscar. Aos 24 anos fundou a Qualitronics, que atingiu vendas anuais de 25 milhões de dólares. E ele vendeu-a. Fundou com os irmãos a Accutronics, de que é presidente. É também um dos filantropos que doou 660 mil euros para criar, em 2013, o Centro Pedroso-Saab para Estudos Portugueses e Culturais na Universidade de Massachusetts em Lowell. 
 
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Maria Nunes Pereira

29 anos, directora de tecnologias adesivas
Leiria
Emigrou em 2009
Chegou recentemente às páginas dos jornais, depois da Forbes a ter apontado como uma das personalidades mais talentosas do mundo com menos de 30 anos. Nomeada pelo trabalho na área da saúde, Maria Nunes Pereira estudou Farmácia na Universidade de Coimbra – melhor aluna 4 anos seguidos –, e avançou para o doutoramento em Sistemas de Bioengenharia, no programa MIT Portugal. Este programa levou-a a passar três anos em Boston, tendo depois regressado a Portugal. Mas o regresso foi breve:ano e meio depois já a investigadora tinha sido contratada pela Gecko Biomedical para trabalhar em Paris. Maria Nunes Pereira inventou uma cola capaz de reparar tecidos, permitindo, por exemplo, operações ao coração menos invasivas. 
 
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Rui  Vilhena

54 anos, argumentista
Maputo
Emigrou em 2011
É o único estrangeiro no clube de novelistas da Globo com “Boogie Oogie”, a sua primeira novela a solo Brasil. Tem um currículo de 15 anos a escrever novelas de sucesso em Portugal. O primeiro êxito em território português aconteceu em 2005 quando “Ninguém como Tu” destronou pela primeira vez a liderança das novelas da Globo em Portugal. Rui Vilhena nasceu em Moçambique, foi criado em Niterói, mas viveu 30 anos fora do Brasil até regressar em 2011. Em Portugal é considerado brasileiro e no Brasil é visto como português: “Ninguém se decide quanto à minha nacionalidade”, explicou à “Veja”. Durante uma década e meia escreveu novelas em Portugal e agora mora no Rio de Janeiro, mas mantém um apartamento em Lisboa. Ou seja, é português, mas também é brasileiro.

Manuel da Silva Oliveira 

Manuel da Silva Oliveira (14)
84 anos, fundador da Heladería Coromoto 
Santa Maria da Feira
Emigou em 1953
A arte de juntar gelados a sabores tão inusitados como peixe, cebola ou cerveja colocou este português emigrante na Venezuela no Guinness dos Recordes desde 1991. Oavô dos gelados, como é conhecido, nunca perdeu a sua ligação a Espargo,  freguesia de Santa Maria da Feira, de onde partiu em 1953 e aonde regressa pelo menos uma vez por ano, no Natal. Manuel da Silva Oliveira começou a trabalhar em Caracas na década de 80, tendo-se depois mudado  para Mérida. A ideia de apostar nos gelados chegou em 1980, juntamente com a inovação que lhe proporcionou a projecção  internacional. Onome foi escolhido em homenagem à padroeira da Venezuela, Nossa Senhora do Coromoto. 
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José Luís Pereira

50 anos, médico
Funchal
Emigrou em 1995
Foi para o Canadá por um ano para viajar e ganhar mundo. Acabou por ficar, onde começou a exercer a especialidade de médico de família. Um dia, recebe a visita de um doente com uma doença terminal que lhe pede ajuda para morrer sem dores. É por causa disso que decide frequentar um curso de cuidados paliativos, na Universidade de Alberta, em Edmonton, tornando-se num dos maiores especialistas mundiais nessa área. Acompanha a reforma dos cuidados no Canadá desde os anos 90, é chefe de medicina paliativa e de cuidados continuados no hospital de Ottawa, e professor titular da Universidade de Ottawa. Defende que há um excesso de investimento na medicina curativa e que é preciso apostar mais na prevenção e nos cuidados continuados. 
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Tiago Outeiro

38 anos, Bioquímico 
Matosinhos
Emigrou em 1999
Nascido a 10 de Junho de 1976, o bioquímico e cientista integra a vasta lista de cérebros nacionais que escolheram fazer a carreira fora de Portugal. A sua área de investigação está ligada ao estudo das bases celulares e moleculares de doenças neurodegenerativas, como  Parkinson, Huntington e  Alzheimer. Doutorado pelo 
Whitehead Institute for Biomedical Research (MIT), Paulo Outeiro ainda regressou a Portugal em 2007 para liderar a Unidade de Neurociência Celular e Molecular, no Instituto de Medicina Molecular de Lisboa. Mas logo depois aceitou um lugar permanente de professor catedrático na Universidade de Medicina de Gottingen, na Alemanha, onde dirige o Departamento de Neurodegeneração.  
 
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Mário Monteiro

47 anos, Investigador 
Gouveia 
Emigrou em 1981 
Mário Monteiro nasceu em Lisboa, mas aos dois anos foi viver para Gouveia, no distrito da Guarda. Aos 14 anos, os pais emigraram para o Canadá e o investigador já não regressou a Portugal. Mário Monteiro foi classificado uma das 50 pessoas mais influentes, em termos globais, na área das vacinas. Numa entrevista ao jornal “Mundo Português”, o investigador considera a “emigração uma coisa normal”, mas realça que o facto de ter nascido numa aldeia “foi importante” para o que é hoje. É professor de Química da Universidade de Guelph, Ontário, e tornou-se mais conhecido por ter desenvolvido uma vacina contra uma bactéria intestinal em crianças autistas, uma solução que irá permitir maior qualidade de vida aos portadores daquela deficiência.  
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Jorge Colombo 

Designer
Lisboa
Emigrou em 1989
Uma noite enevoada, com o Empire State Building a aparecer e a desaparecer de vista. A imagem inspirou em Janeiro a capa da revista “The New Yorker”, desenhada num iPad, fiel ao registo “finger painting”, e preparada para correr mundo, como tantas outras. A assinatura é de Jorge Colombo, o português nascido em 1963, fixado nos EUA desde 1989, e que há mais de 30 anos se dedica ao design, ilustração e fotografia, criando impressionantes momentos do quotidiano. Depois da tinta, o smartphone tornou-se um auxiliar na abordagem digital, ou como fazer arte a partir do touch screen. Em Junho de 2009, para a mesma The New Yorker, assinava a primeira capa feita a partir de um iPhone. Com três livros publicados em Portugal, vive em Nova Iorque. 
 
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Luís Silva

Consultor da IMG
Porto
Emigrou em 2013
Mexe os cordelinhos nos bastidores para que nada falhe nos dias de jogo num grande estádio. Estudou Engenharia Química mas pouco tempo depois, no final de 1994, estava a trabalhar no FCPorto, o seu clube do coração. ODragão tornou-se a segunda casa. Mas quando Luís era pequeno sonhava com o Maracanã, o gigante brasileiro que vive no imaginário do adepto de futebol. Só perto dos 30 anos conseguiu visitá-lo. E 14 anos depois, em 2013, estava lá novamente, para ser o seu director de operações. Cumpriu a tarefa com enorme prazer até ao fim do Mundial de futebol. Em Agosto mudou-se para Londres, onde agora é consultor de operações de estádio da IMG, uma das maiores empresas mundiais de desporto e média. Um dia regressará ao Dragão. 
 
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André Neves

40 anos, Matemático
Lisboa
Tem desenvolvido investigação na área da geometria diferencial e análise de equações com derivadas parciais. É professor do Departamento de Matemática Pura, do Imperial College, em Londres. Recebeu vários prémios e bolsas, nomeadamente da National Science Foundation, da Clay Mathematics Institution da Fundação Calouste Gulbenkian e do European Research Council. Foi o primeiro matemático português a receber do Conselho Europeu de Investigação uma Starting Grant – uma bolsa no valor de um milhão e 100 mil euros. Embora pense em regressar a Portugal, não será nos próximos anos, já que acredita que o Imperial College dará mais visibilidade ao seu trabalho. 
 
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José Mourinho

52 anos, treinador
Setúbal
Emigrou em 2004
Os defeitos de José Mourinho andam de braço dado com as qualidades. Até pode ser considerado arrogante, mas ninguém pode questionar o seu talento para liderar equipas. Campeonato, Taça e Supertaça. Esta é a Santíssima Trindade, que faz questão de conquistar por todos os sítios por onde passa. Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha. Se mais algum troféu aparecer, também é provável que o vença, excepto se estivermos a falar do Mundial de Clubes, o indicador de que está na altura de rumar a novas paragens. Venceu a Liga dos Campeões com o FC Porto e com o Inter, e espera consegui-lo também no Chelsea, onde, a par do Real Madrid, saiu com a espinha encravada. Também já foi eleito o melhor treinador do mundo. 
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Vítor Hugo Gazimba

27 anos, treinador de futebol
Vila Viçosa
Emigrou em 2014
O talento português, em concreto no que se refere aos treinadores de futebol, não escolhe idade nem local para ser exercido. Vítor Gazimba é um dos cerca de 57 mil habitantes de Drammen, a cidade norueguesa que acolhe o Stromsgodset, quarto classificado da principal divisão do futebol do país em 2014. Gazimba tem no currículo passagens pelo Juventude de Évora e Ericeirense. Muito pouco, para quem seria caçado na faculdade para liderar os sub-21 do Stromsgodset, onde chegou a jogar Martin Odegaard, o novo prodígio do futebol mundial. Uma nova realidade e mais responsabilidades não atemorizaram o alentejano, que no seu primeiro ano sagrou-se campeão da 4.ª divisão da Noruega, pela primeira vez na história do clube. 
 
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Rui Costa

28 anos, ciclista
Póvoa de Varzim
Emigrou em 2009
O presente do ciclismo português tem um nome, o de Rui Costa. Pode ainda não ter alcançado os feitos de Joaquim Agostinho e José Azevedo no Tour, mas o legado que começou a construir ao longo dos últimos anos é razão mais do que suficiente para ser acompanhado por muitos portugueses. Conquistou três etapas do Tour (2011 e 2013) e sagrou-se campeão mundial em 2013, tornando-se no primeiro ciclista português a envergar a do camisola arco-íris durante uma temporada. Em 2014 venceu pela terceira vez consecutiva a Volta à Suíça, um feito inédito na história do ciclismo. Nesse mesmo ano, chegou ao quarto lugar no UCI World Tour Ranking. É uma das poucas razões para a modalidade, em decadência em Portugal, poder sorrir. 
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João Sousa

25 anos, tenista
Guimarães
Emigrou em 2005
A mudança para Barcelona deu-se em 2005, com 15 anos. Seria preciso esperar mais sete anos para ver o vimaranense tornar-se no quarto tenista da história de Portugal a entrar no top 100. Um ano depois, em 2013, entrou em dose tripla para a história, ao vencer o Open da Malásia, o primeiro torneio ATP conquistado por um português. Com esse feito, ascendeu à 51ª posição do ranking, superando o 59.º de Rui Machado. Também importante nesse torneio foi a vitória sobre David Ferrer, número quatro do mundo à data, na única vez que um português derrotou um tenista de top 5. João Sousa continuou a sua progressão, somando duas finais perdidas em torneio ATP 250, em 2014, no mesmo ano em que atingiu a 35ª posição do ranking, o seu melhor registo. 
 

David Cabral

32, argumentista
Lisboa
Emigrou em 2008
Bem se sabe as dificuldades de se trabalhar no cinema em Portugal. David Cabral percebeu-o bem cedo, ao ponto de ter estudado pela Dinamarca e Noruega. Mas a partida definitiva deu-se em 2008, quando, à segunda tentativa, entrou na University of Southern California, uma universidade referência no que ao cinema diz respeito. Uma vez por Los Angeles, David começou a trabalhar como argumentista e copywriter. Coisa que continua a executar  quer em séries televisivas de pequena dimensão, quer em produções publicitárias. Além disso, dedica-se ainda à comédia, tudo actividades que exerce como freelancer. Isto enquanto persegue o sonho de muitos estes casos de estrangeiros que voam para EUA e que começam como assistentes de tudo: ser realizador. 

Fausto Airoldi

51 anos, profissão
Beira, Moçambique
Emigrou em 2013
EmAbril de 2013, disse numa entrevista ao “Público”: “Vou para fora porque em Portugal não me sinto útil”. Ele que tem mais de 30 anos de experiência gastronómica em Portugal, tendo passado pela Bica do Sapato, A Comenda do CCB, o H20 na Expo 98, entre muitos outros. Partiu talvez meio ofuscado pela nova geração de chefes que são quase estrelas pop da actualidade. Mas partiu para melhor, para o casino-resort macaense Galaxy, onde é o líder da equipa de pesquisa para a restauração do complexo. “Cozinha com Identidade”, é o seu mais recente livro apresentado pouco antes de partir para Macau, onde reforça a ideia de que a cozinha portuguesa tem que mais de português e menos de outras influências. Filho de mãe portuguesa e pai italiano...só podia ser chefe. 
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Nuno Malo

37 anos, músico compositor
Machico 
Emigrou em 2000
Saiu do país  rumo a Los Angeles para estudar composição de cinema e, desde então, tem feito carreira assinando bandas sonoras para filmes, o que já lhe valeu duas pré-selecções para os Óscares. A primeira vez foi em 2012, com o filme “LUV”, de Sheldon Candis, e a segunda em 2014, pela música feita para o filme “No God, No Master”, de Terry Green. A partir da meca da sétima arte trabalha tanto para produções internacionais como nacionais. Reconhece potencial nos portugueses, mas lembra que ainda há muito a fazer para que o país seja uma referência na criação de banda sonoras. Um Óscar poderia abrir-lhe mais portas, mas, como disse numa entrevista recente ao i, com ou sem a estatueta já está nesta área há mais de dez anos e tenciona ficar aí “por muitos, muitos mais”.
 
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Carlos Bica

56 anos, músico e compositor
Lisboa
Emigrou em 1994
Carlos Bica é grande. Não é uma frase de rua para dizer que o homem é maior, artisticamente falando. Não. Carlos Bica é grande, é alto, é bem mais alto que o contrabaixo que carrega para toda a parte. Deve ser esse o seu segredo, abraça o contrabaixo, domina-o, não lhe permite que fuja nem que se esconda mas faz isso com elegância, sem pinga de violência ou de atitudes menos educadas. É uma referência do jazz, do improviso, mas também da colaboração entre músicos de diferentes estilos – mas com a mesma linguagem, a artística. Vemo-lo com frequência em Portugal, sorte a nossa. O mundo recebe-o sempre em locais diferentes, a todo o momento – sorte a de todos os que o escutam. tem morada fixa em Berlim mas isso é só um pormenor. 
 
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Ana Romero

33 anos, designer
Lisboa
Emigrou em 2012
Padrões para acessórios femininos são com ela. Foi em  2012 que lançou a sua marca, com o seu nome, na International Contemporary Furniture Fair, em Nova Iorque. Não faltavam lenços, almofadas e ainda capas de telemóveis, as mesmas que em pouco tempo chegaram aos ecrãs de televisão e se passearam nas mãos de actrizes como Blake Lively, na popular série “Gossip Girl”. Para além do bem sucedido product placement, Ana, de 33 anos, que se licenciou em Design de Comunicação, na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, mantém a colaboração com várias marcas de prestígio, como a criação de uma colecção exclusiva para a Barneys. Anthropologie, Rebecca Taylor, Nicole Miller, ou Macy’s são os outros dos clientes. 
 

Cristina Delius

Bailarina de sapateado
Lisboa
Emigrou em 1983
A portuguesa Cristina Delius saiu de Portugal no princípio da década de 80 para estudar em Paris. O objectivo inicial da bailarina de sapateado não era ficar no estrangeiro. No entanto, as várias oportunidades que lhe foram surgindo foi o factor que a manteve no estrangeiro até aos dias de hoje. Cristina Delius garante ao i que “não pretendo regressar a Portugal”. Neste momento, a bailarina está em Berlim onde dirige uma das melhores escolas de sapateado da Europa. A adaptação à nova realidade foi difícil pelo facto da capital alemã ser uma “cidade fria e escura”, além da população ser “um pouco fechada”. Cristina Delius considera que “Portugal tem potencialidades humanas, mas não oferece oportunidades às pessoas que têm valor”.
 
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IVVVO

26, músico e produtor
Porto
Emigrou em 2013
Querer que Ivo Pacheco regresse a Portugal é uma pura questão de inveja (aspecto geral a toda esta lista, na verdade). O músico é um dos actuais visionários sobre o que de mais desafiante se faz a bordo da música electrónica. Instalou-se em Londres e ali fez a sua base, entre a música que cria e o trabalho que desenvolve com outros artistas, enquanto produtor. A música chega-nos, mesmo que a distância seja muito, e IVVVO passa por palcos portugueses de quando em vez – a última ocasião em que nos deu a graça dos seus devaneios foi no Boiler Room da Red Bull, há poucas semanas em Lisboa. Mas em estando cá, de que forma haveria Ivo Pacheco de contaminar ainda mais todos os que o pudessem rodear e inspirar-se na sua vanguarda? 
 
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João Vale de Almeida

58, Embaixador da UE nos EUA
Lisboa
Emigrou em 1995
Há décadas nas mais altas esferas diplomáticas como peixe na água, está hoje em Washington onde ocupa um cargo essencial numa altura em que a capital americana e Bruxelas procuram estreitar os já fortes laços que unem os dois maiores blocos económicos do mundo, num esforço para não permitir que as novas potências mudem as regras do jogo global. À frente do mais importante posto de representação externa da UE, antes tinha já segurado o leme das Relações Externas da Comissão Europeia depois de ter sido chefe de gabinete do presidente daquela instituição, José Manuel Durão Barroso. Mais conhecido em Portugal, Miguel Vale de Almeida – o primeiro deputado assumidamente homossexual – é o seu irmão, três anos mais novo. 
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Adriana Ferreira

24 anos, flautista
Cabeceiras de Basto
Emigrou em 2012
Das maravilhas de quem nasceu para o virtuosismo. Adriana começou nisto da flauta – não de forma corriqueira e despreocupada, antes com todo o investimento possível – em pequena, só assim se chega algum lado. Depois passou pela Escola Profissional do Vale do Ave, comJoaquina Mota como mestre. Epassou também pela Universidade de Paris-Sorbonne, onde se licenciou em Musicologia. E foi em França, na Orquestra Nacional, que em 2012 encontrou lugar como solista, lugar que lhe deu prestígio e visibilidade. Adriana é também um dos 40 nomes que integra a Orquestra XXI, projecto que reúne 40 músicos portugueses que desenvolvem a sua actividade em diferentes locais do mundo. Uma espécie de sinfonia sem fronteiras mas com nacionalidade. 
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Hugo Veiga

34 anos, Director criativo da AKQA em São Paulo
Porto
Emigrou em 2005
Rumou ao Brasil em 2005 porque “sempre quis ter uma experiência no estrangeiro”. O director criativo da AKQA em São Paulo contou ao i que “havia várias agências em Portugal em que gostava de trabalhar, mas no Brasil sabia que iria aprender”. O ambiente acolhedor dos brasileiros fez com que a sua adaptação fosse “rápida e feliz”, conta Hugo Vieira, revelando que  foi “muito bem recebido”.  O homem que criou o anúncio publicitário mais visto de sempre na internet destaca “o positivismo diário das pessoas”. Apesar de entender que “em Portugal o pior já passou e as pessoas estarem mais confiantes”, não pretende voltar a Portugal nem começar do zero porque o ambiente económico ainda é  “desfavorável”. 
 

Marcelino Sambé

20 anos, bailarino
Lisboa
Emigrou em 2012
Podemos não dar por eles, mesmo que estejam no melhor dos caminhos, em direcção a uma inevitável vitória.Mas, por alguma razão, não damos por eles. Marcelino Sambé está nesse conjunto dos fantásticos anónimos.Até ao dia em que alguém em quem confiamos nos diz algo como “deviam ter prestado atenção”. A crítica inglesa lançou o nome de Sambé como um dos obrigatórios para 2015. O bailarino já era notável, mesmo antes de ser uma das maiores figuras do Royal Ballet de Londres.Mas assim que esta categoria se espalhou pelo mundo, Marcelino foi transformado numa estrela. Em Lisboa no meio das danças africanas, depois o conservatório, agora sem limites no que pode ambicionar. E tudo depois de ter nascido no Dia Mundial da Dança, em 1994.
 
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Maria João Pires

70 anos, pianista
Lisboa
Emigrou em 2006
Começou a tocar cedo, a imitar a irmã (aos  4 anos), o seu  primeiro concerto foi com obras de Bach e Mozart e com 16 anos concluiu o curso de piano no Conservatório de Lisboa com 20 valores. É a mais internacional e reputadas das pianistas portuguesas. Tem vários prémios, o que nem interessa, quando ouvimos as obras tocadas por si. Mas podemos mencionar o Prémio Pessoa, em 1989 e o prémio do Conselho Internacional da Música (IMC), organização pertencente à UNESCO, em 2002. A pianista já se apresentou nas principais salas de concerto, a nível mundial. Zangou-se com as entidades portuguesas e foi viver para o Brasil, tendo pedido a nacionalidade brasileira em 2010. Na altura disse que era devido aos “coices e pontapés que tem recebido do governo português”. 
 
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Madalena Alberto

30 anos, cantora e actriz
Lisboa
Emigrou em 2001
No final do ano passado, Madalena Alberto não quis falar de mais quando a agência Lusa lhe perguntou “e agora?”. A questão surgia depois do enorme sucesso que o musical “Evita” (de regresso ao West End de Londres) ia gerando entre público e crítica. Madalena já era popular no meio mas com o regresso à história dos Peron tudo ganhou maior dimensão. A actriz respondeu com um diplomático “tenho tido propostas mas não me quero precipitar”. Já fez “Os Miseráveis”, “Fame”, “Chicago”, “Zorro”, “Godspell” ou “Jekyll and Hyde”.E começou nos grandes espaços britânicos quando em 2005 esteve ao lado de Ian McKellen em “Aladdin”, no Old Vic. Nunca mais parou e é provável que assim continue, pelo menos até atingir outros palcos, lá chegará. 
 
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Marcos Bessa

25 anos, designer
Paredes
Emigrou em 2010
O imaginário de milhões de crianças constrói-se de pequenas peças de diferentes cores. Os heróis chegam de todo o lado – seja da BD, da televisão ou do cinema –, e Marcos Bessa foi um dos miúdos que cresceu com eles sem ter de os arrumar após a infância. Com 20 anos juntou-se à equipa da LEGO na sede, Dinamarca. É o responsável pelo desenho da casa dos Simpsons, e por várias outras caixas onde o mundo de aventuras dos super-heróis e vilões é um desafio para rapazes dos 5 aos 8 anos mas também para muitos fãs adultos. Não é um pequeno feito e é só o começo da aventura para um rapaz que aos 17 anos publicou o primeiro romance e que confessa no seu blogue poder vir a publicar um dia tudo o que foi juntando na gaveta. 
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Alcino Silva

54 anos, neurocientista
Marco de Canaveses
Emigrou em 1978  
Nasceu em Marco de Canaveses mas é pouco provável que muitos portugueses saibam que
é hoje um dos maiores estudiosos do funcionamento da memória. Aos três anos mudou-se para Luanda. Regressou a Portugal no Verão de 1973, mas cinco anos depois estava de malas feitas para os Estados Unidos. Por
lá casou com uma americana de quem tem dois filhos. É professor no departamento de Neurobiologia, Psiquiatria e Psicologia da Universidade
da Califórnia em Los Angeles. É especialista em genética molecular e o laboratório que dirige – o Silvalab – estuda a memória e as suas perturbações, por exemplo a esquizofrenia e o autismo. Depois da revolução de 1974 convenceu os pais a estudar fora do país: “As instituições estavam um caos.” 
 
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Inês Lima Azevedo

34 anos, engenheira
Emigrou em 2009
Inês chegou aos Estados Unidos para estudar e em pouco tempo tomou o poder nas suas mãos. De aluna do doutoramento em Engenharia e Políticas Públicas passou a professora e, em 2010, assumiu a liderança do
Centro para a Análise de Decisão em Energia e Alterações Climáticas. Na prática, a engenheira portuguesa tem uma palavra a dizer na criação de políticas de energia norte-americanas e as conclusões do seu último estudo podem mudar as regras da atribuição de subsídios às renováveis nos EUA. 
Em entrevista à “Notícias Magazine”, Inês define a experiência profissional na Pensilvânia como “espectacular”, mas não esconde o desejo de trabalhar estas matérias em Portugal. “Está na minha agenda de investigação”, garante. 
 
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António Damásio

70 anos, neurocientista
Lisboa
Emigrou em 1975
É considerado um dos mais brilhantes investigadores do mundo no estudo do cérebro. Há mais de 30 anos que o neurologista estuda a mente
e o impacto das emoções nas decisões que tomamos. Nasceu em Lisboa em 1944 e licenciou-se em Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa. Em 1975 partiu para os Estados Unidos: passou primeiro pelo Iowa e depois transitou para a Califórnia.
É lá que dirige com a mulher, Hanna Damásio, o Brain and Creative Institute. Recebeu inúmeros prémios e os seus livros – entre eles “O Erro de Descartes” e o “Sentimento de Si” – estão traduzidos em mais de 30 línguas. Aos 15 tanto queria ter sido realizador de cinema como filósofo. Aos 20 levou Orson Welles a comer marisco. Os textos de Egas Moniz trocaram-lhe as voltas e ditaram o desfecho. 
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Marina Cortês

41 anos, cosmóloga
Lisboa
Emigrou em 2005
É investigadora do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa e trabalha no Real Observatório de Edimburgo, no Reino Unido. Antes de se tornar astrofísica e montanhista, Marina foi bailarina clássica profissional. Começou aos dez anos no Conservatório de Dança mas desde pequenina também quis ser cientista, “uma dualidade entre o mundo cientifico e o mundo artístico”, explica. 
Foi um livro de Carl Sagan, “Contacto”, que a apaixonou pela ciência. Venceu o Prémio Buchalter de Cosmologia em conjunto com o físico teórico Lee Smolin. A par deste trabalho, planeia uma escalada ao Evereste. Marina confessa que gostaria de regressar
porque adora o seu país e os portugueses. No entanto, retiraram-lhe a bolsa, o que a obrigou a candidatar-se a uma bolsa europeia. 
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Pedro Gadanho

46 anos, arquitecto
Covilhã
Emigrou em 2012
Depois de ter estado à frente da representação portuguesa na Bienal de Veneza de Arquitectura de 2004, Pedro Gadanho foi o escolhido (em 2011) para curador da Arquitectura Contemporânea  no Museu de Arte Moderna
de Nova Iorque. Após conhecer o resultado do concurso internacional, o arquitecto partiu para os EUA, onde desde 2012 tem como função principal dirigir o sector das exposições e aquisições de um dos mais conceituados museus do mundo. Pedro Gadanho licenciou-se na Faculdade de Arquitectura
da Universidade do Porto – passando depois a ser docente desta instituição – e tirou o mestrado no Kent Institut of Arts and Design (Reino Unido). Escreve para revistas internacionais e é autor do livro “Arquitectura em Público”. 
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Luís Mendes

55 anos, arquitecto
Lisboa 
Emigrou em 1974
Faz este ano 41 anos que Luís (Lou) Mendes vive nos EUA, para onde foi com 15 anos. Foi o homem chamado, em 2001, para liderar o processo de limpeza dos escombros do World Trade Center. Era chefe de secção do Departamento de Projectos Especiais da Câmara de Nova Iorque e
as operações no terreno exigiram alguém de têmpera
a comandar trabalhos de extrema delicadeza, num cenário onde morreram 3 mil pessoas. No livro “American Ground: Unbuilding the Word Trade Center”, Lou Mendes
é descrito como uma espécie de “homem-buldogue destemperado, de origens portuguesas”. Esteve também na reconstrução, fez parte da “healing team”, como ficaram conhecidos os arquitectos que conceberam o projecto do Museu e do Memorial do WTC. 
 

Daniela Ruah

31 anos, actriz

Emigrou em 2009
Ponto prévio: Daniela Ruah não é uma emigrante nos Estados Unidos pois também tem a nacionalidade norte-americana. Deu os primeiros passos enquanto actriz no ano 2000
na novela da TVI “Jardins Proibidos”. Desde essa
altura desempenhou várias personagens em novelas e filmes portugueses. O grande salto aconteceu, porém, em 2009, quando saltou para a série norte-americana “NCIS: Investigação Criminal”. Em entrevista ao i (ver Magazine B.I.) Daniela afirma que só
ficou sem trabalho quando decidiu fazer uma pausa
nas gravações. Sempre preocupada com a formação,
a actriz interrompeu a sua carreira em Portugal para tirar
o curso de Artes do Palco na London Metropolitan University. Até hoje já ganhou um Globo de Ouro em Portugal, e foi nomeada para os Teen Choice Awards, em 2010. 
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Rita Guerreiro

34 anos, investigadora
Estremoz
Emigrou em 2006
Saiu de Portugal para Washington para fazer
o doutoramento, mas
acabou em Londres, onde é investigadora, no University College of London. É lá que  hoje Rita Guerreiro chefia, em conjunto com o marido, José Miguel Brás, o departamento de Neurociência Molecular. Há um mês foi distinguida com o Prémio Europeu do Jovem Investigador pela descoberta de uma mutação rara do gene TREM2, que está na origem de algumas formas de demência frontotemporal e aumenta o risco de desenvolver de Alzheimer, um dos passos mais assinaláveis dos últimos 20 anos para a compreensão dos mecanismos da doença. Rita sente a falta do Alentejo, mas não tenciona voltar a Portugal. Porquê? É particularmente difícil o investimento para a investigação. 
 
 

Rita Barros

57 anos, fotógrafa
Lisboa
Emigrou em 1980
Rita Barros mudou-se para Nova Iorque em 1980 e adoptou como morada um dos locais mais emblemáticos da cidade. A fotógrafa vive há 30 anos noChelsea Hotel, o mesmo onde já viveram Patti Smith e Bob Dylan. Se a ideia inicial era ir aos EUA fazer um curso de seis meses, Rita depressa percebeu que as possibilidades que Nova Iorque oferecia eram infinitas. “Não só existem museus fabulosos como há todo um mercado com ligação a galerias e eventos culturais com vertente comercial, o que não existe em Lisboa.” Da capital portuguesa sente falta da luz, do jardim do Príncipe Real, dos encontros com amigos e do cheiro do mar. Pensa em voltar para Portugal todos os anos, decisão eternamente adiada, mas arrisca: “Quem sabe para o ano volto.” 
 
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João Magueijo

47 anos, físico

Évora
Emigrou em 1989
Licenciou-se em Física na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e mudou-se para Cambridge, em Inglaterra, onde vive há 25 anos. Actualmente lecciona Física Teórica no Imperial College de Londres. João Magueijo tornou-se famoso na comunidade científica em 1998 quando, juntamente com Andreas Albrecht, formulou a teoria VSL (Variable Speed of Light) que teve grande repercussão.
Nos últimos anos, além de “Mais Rápido Que a Luz”, tem publicado diversos trabalhos em colaboração com reconhecidos cosmólogos. Quer continuar a estudar a teoria da velocidade variável da luz e a gravidade quântica. Assume que fazer ciência em Portugal não é possível. Quem sabe um dia…, admite o cientista português. 
 
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