Wild Nothing. Retro qualquer coisa

Wild Nothing. Retro qualquer coisa


Crítica do disco ‘Indigo’


Já se ouviu antes, dir-se-á ao longo de “Indigo”. Jack Tatum, o homem-banda a dar passos em frente a olhar pelo retrovisor. Os Cure de “Disintegration”. Os New Order de “Power, Corruption & Lies”. As guitarras picadas de Johnny Marr. E uma voz sósia de Dan Whitford dos Cut Copy. Nada de novo mas no seu confessionário do anacronismo, “Indigo” é bastante fresco.

Erradamente atirado para a curva descendente do verão, tem os motivos certos para ser um dos álbuns (do fim) da estação. Refrães orelhudos, canções com balanço, a luz, a cor, o sonho e a nostalgia. É acessível e direto, como se subentenderá. E para efeitos de posto de escuta, entra a ganhar com a tripla de ataque “Letting Go”, “Oscillation” e “Partners In Motion”.

À medida que avança, o sol vai descendo e a new old wave enegrece. É aí que entram os fantasmas dos Psychedelic Furs e dos Cure.

Económico na identidade, Tatum escutou Bíblias essenciais dos anos 80 e ofereceu a sua versão. Se os ídolos tivessem escrito algumas destas canções, não se notaria a diferença.