Idles. Combate rock

Idles. Combate rock


Descobrir uma banda rock combativa, pulsante e ainda por cima credível passou a ser tão raro como encontrar petróleo no quintal


Há quatro anos, quando João Ribas morreu, a Área Metropolitana do Facebook içou uma daquelas bandeiras je suis que dão muitos likes mas têm muito pouca racionalidade. “O punk não morreu”, “o punk está vivo”, “je suis punk”. Pois não, não morreu, mas é muito mais do que três acordes ou niilismo.

Aliás, uma das máximas do punk é o do it yourself e, na era digital, o faça você mesmo já nem sequer é uma opção. É o único caminho possível para a sobrevivência. Há cinco anos, “Silence Yourself” era um desses oásis em que o (pós)-punk vivia de corpo inteiro e fazia de facto sentido mas já então se percebia que a subversão deixara de habitar o mundo das guitarras.

Descobrir uma banda rock combativa, pulsante e ainda por cima credível passou a ser tão raro como encontrar petróleo no quintal. E no entanto, em 2018, a pólvora chama-se Idles. Têm raiva e sede de conquistar o mundo. Soam a classe média operária e regam o protesto com sangue espalhado pelo chão. E, importante, estas canções arrebatam. Antes do ruído político-social, há a música.