Mulheres consomem 75% dos antidepressivos vendidos em Portugal

Mulheres consomem 75% dos antidepressivos vendidos em Portugal


O consumo destes fármacos continua a aumentar e os idosos são os principais consumidores.


São mulheres e têm mais de 65 anos. É este o perfil dos maiores consumidores de antidepressivos em Portugal – 75% destes medicamentos são vendidos à população feminina nesta faixa etária. A conclusão surge no estudo da consultora IMS Health, que demonstra ainda que o consumo destes fármacos continua a aumentar em Portugal. Nos primeiros seis meses deste ano foram vendidas 4 022 626 unidades de antidepressivos e estabilizadores de humor: mais 95 981 unidades que o ano passado e mais 303 380 que em 2013. Do total destes medicamentos – que inclui antidepressivos e estabilizadores do humor, tranquilizantes, hipnóticos e sedativos – cerca de 75% são prescritos a mulheres e 40% a 50% das vendas destinam-se a pessoas com mais de 65 anos.

O estudo a que a Lusa teve acesso permite ainda confirmar que entre Janeiro e Junho foram prescritas 3 977 659 unidades de antidepressivos a mulheres e 1 349 523 unidades a homens. A mesma tendência também se verifica em relação a tranquilizantes, hipnóticos e sedativos, uma vez que 70% das prescrições destes fármacos se destinaram a mulheres. A faixa etária acima dos 65 anos é aquela a que se destina o maior número de prescrições deste tipo de medicamentos, seguindo-se a população entre os 40 e os 54 anos. 

Em Portugal cada pessoa consome em média 37 comprimidos por ano, mas os portugueses nem são os campeões nesta categoria. Em Espanha a média fixa-se nos 59 comprimidos e na Alemanha atinge as 49 unidades por habitante. Itália é o país europeu com o menor consumo per capita.

Europeus De acordo com a análise da consultora internacional de saúde, os antidepressivos e estabilizadores de humor são os medicamentos da categoria dos psicoactivos em que os europeus mais dinheiro gastam. Entre Julho de 2014 e Junho deste ano, o consumo em valor de medicamentos antidepressivos na Alemanha atingiu os  1 087 151 269 euros. Espanha (com 687 353 460 euros) e o Reino Unido (com 500 222 924 euros) foram os países que se seguiram na lista. França, Itália e Portugal gastaram com estes medicamentos 367 856 333, 291 961 233 e 67 608 020 euros, respectivamente. Um outro estudo da consultora divulgado o ano passado mostrou ainda que em 2014 as farmácias venderam 8,5 milhões de embalagens destes medicamentos, o que dá uma média de 23 mil caixas por dia. 

Os dados da IMS Health estão aliás em sintonia com as principais conclusões da edição mais recente do relatório “Saúde Mental em Números 2014”, que aponta as mulheres e a população idosa como os grupos que mais sofrem de perturbações psiquiátricas. Mais de um quinto da população portuguesa (22,9%) é afectada por perturbações deste tipo, sendo as mais frequentes a ansiedade (16,5%) e a depressão (7,9%). E as mulheres são, mais uma vez, as que apresentam um maior risco de sofrer de perturbações depressivas, sendo também as que mais procuram ajuda de profissionais, de acordo com o relatório. Com Lusa