Como qualquer receita para a felicidade, esta também é ridícula, e ainda mais ridícula é por não incluir variáveis tão estupidamente óbvias como cada um caso é um caso ou a avalanche de rotinas e imprevistos que boicotam as tentativas de fazer tudo bem.
Porque de cada vez que uma criança nasce, nasce também uma outra oportunidade de começar de novo. Sem os erros que os nossos pais cometeram connosco ou até os nossos próprios com os desgraçados dos filhos que vieram primeiro. Só que depois vêm as chatices no trabalho, as corridas para pôr e tirar os miúdos da escola, as birras para comer e dormir, as prestações da casa, os prazos do IRS e sei lá mais o quê.
Não faltam motivos para deitar por terra o nosso grande projecto de construir as bases para os nossos filhos virem a ser adultos felizes e confiantes.
E pronto. Depois deste cenário catástrofe só nos resta agarrar as coisas pequenas. Aos 15 ou 20 minutos dedicados às histórias que contamos antes de eles adormecerem, ao tempo que demoram a contar as ervilhas do prato e irem aprendendo a somar e a subtrair, ao caminho de regresso a casa que aproveitamos para conversar sobre os assuntos da escola ou aos instantes de música que fazem parte das rotinas da manhã.
Para rematar, um cliché, que como todos os clichés é também uma verdade universal: não importa a quantidade de tempo.
A qualidade é que faz a diferença.