Novo Governo vai revogar exames de aferição e digitais

Novo Governo vai revogar exames de aferição e digitais


Provas de aferição deverão cair já este ano, mantêm-se apenas os exames do 9.º ano e em papel. 


É quase uma certeza que as provas de aferição já não irão realizar-se este ano. Se já era certo que no próximo ano letivo os exames dos 2.º, 5.º e 8.º anos irão acabar, o seu fim é quase uma certeza já este ano letivo, segundo avançaram ao Nascer do SOL fontes da nova maioria que compõe o Governo. Apenas os exames finais do 9.º ano, de Matemática e Português, que contam para ponderação da nota final, irão manter-se tal como previsto no programa da AD. Também a realização dos exames em formato digital deverá ser um processo travado pelo próximo Governo e uma das primeiras medidas da tutela. Esta é uma decisão unicamente política, uma vez que há capacidade – técnica e logística – de reverter o processo de digitalização já este ano, tal como o Nascer do SOL noticiou em primeira mão na semana passada. A AD sempre se pronunciou contra estas provas, sendo este um dos compromissos do novo Governo.

Apesar do Governo cessante, num dos seus últimos atos de gestão, ter aprovado a disponibilidade de verba para a aquisição de novos computadores diretamente pelas escolas para substituírem os computadores avariados – uma notícia também avançada pelo Nascer do SOL na última edição –, a medida é considerada apressada e não garante qualquer segurança. As escolas já começaram a receber os 6,5 milhões de euros disponibilizados pelo Ministério da Educação, mas as dificuldades são várias e a pressão nas escolas é grande. Além dos concursos públicos e ajustes diretos que têm de se realizar para o regime de contratação pública em tempo recorde – uma vez que os exames estão marcados para o início de junho –, há ainda a incerteza de que o mercado consiga responder à procura. Ou seja, que exista o número de computadores disponíveis em stock para responder às necessidades de todas as escolas de forma a substituírem os computadores avariados, os quais não se conseguem reparar a tempo e horas.

Outras das dificuldades apontadas pelos diretores de escolas para a possibilidade de os exames serem realizados em formato digital, são as mais que prováveis falhas de rede em várias escolas que se advinham, a inexperiência dos alunos em fazer as provas neste formato e o facto de não existirem fichas suficientes nas salas de aulas para ligar os computadores. Apesar de o Governo cessante ter decidido dividir em dois turnos a realização das provas, tudo isto são entropias que justificam cancelar o processo já este ano.

Quanto às considerações sobre as provas de aferição, o programa da AD é claro: «Desde 2016, os desempenhos dos alunos portugueses caíram consistentemente nas várias avaliações internacionais de referência (…)Falhou a recuperação da aprendizagem, falhou o rumo dado às alterações curriculares, falhou a avaliação, falhou a transformação digital e falhou o modelo de provas de aferição instituído em 2016». O modelo será, assim, radicalmente alterado passando o compromisso a ser: «Implementar provas de aferição a Português, Matemática e uma disciplina rotativa (a cada 3 anos) nos 4.º e 6.º anos (anos de final de ciclo), de aplicação universal e obrigatória».

Em relação aos exames do 9.º ano, tudo se deverá manter como até agora. Apenas o formato será em papel, como sempre foi, até que uma avaliação ao projeto piloto realizado à implementação do digital feito há dois anos e as escolas estarem devidamente preparadas para o realizarem em segurança. Acompanhando, assim, as reivindicações feitas por pais, diretores de escola e até professores de Informática, os quais já anunciaram greve durante o próximo período como forma de contestação por estarem a ser destacados para repararem computadores quando a sua função é lecionarem.