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Oeiras. A 'Missão Impossível' de tombar um gigante

Oeiras. A 'Missão Impossível' de tombar um gigante

Mafalda Gomes Henrique Pinto de Mesquita 14/09/2021 08:58

Isaltino candidata-se novamente a Oeiras. O autarca tem quase tantos anos de governação em Oeiras como o seu adversário do PSD tem de vida.

Isaltino Morais é, indiscutivelmente, um dos mais icónicos autarcas portugueses: pensando em eleições autárquicas, não há maneira do nome escapar. Para percebermos a sua dimensão, reflitamos no facto de Isaltino quase tantos anos de gestão autárquica como o seu principal adversário tem de vida. Isaltino, primeiro pelo PSD e desde 2005 como independente, entre 1986 e 2021, geriu o concelho durante 28 anos (a matemática não está errada, há interregnos). O seu principal adversário, Alexandre Poço, tem apenas 29 e é umas das principais figuras da nova geração social-democrata. Presidente da Juventude Social Democrata e deputado pelo PSD, apresentou uma campanha – que se tornou mediática na internet – sob égide do tema “Missão Impossível”, posando tipo James Bond por vários cartazes espalhados pelo concelho. A interpretação parece clara e direta: a missão, que parece impossível, é a de tomar a autarquia a Isaltino.

COM MAIS DOIS MANDATOS, IGUALARÁ SALAZAR Isaltino Morais, que vai avisando que “não se faz tudo de uma vez”, não quer deixar escapar mais este mandato. Com 71 anos, sendo eleito, fará o seu segundo mandato desta ‘levada’, o que, acreditando num terceiro e último a iniciar-se em 2025, significa que Isaltino acabaria a sua missão no concelho aos 79 anos (perto da idade de Joe Biden, 78, que está a iniciar o mandato nos EUA). Mas há mais: fazendo futurologia e acreditando que Isaltino Morais governe Oeiras até 2029 (o que não chocaria ninguém), tal significariam 36 anos no poder. Ora, sem qualquer tipo de pretensa aproximação ideológica e apenas para o leitor perceber a dimensão temporal da sua governação, este número, a confirmar-se, será igual ao número de anos que Salazar chefiou o Governo (36 anos, entre 1932 e 1968). 

Talvez sejam estas as razões que levam o jovem Poço a considerar “impossível” tomar a autarquia a Isaltino, razão pela qual optou por um marketing irreverente.

Ainda na corrida, Fernando Curto, candidato do PS, tem 61 anos e quer agora ser Presidente do concelho a que já foi vereador, deputado municipal e presidente da Assembleia de Freguesia de Carnaxide. Aos 61 anos, contra um Isaltino imbatível e um jovem irreverente, quer “colocar o município de Oeiras no lugar que merece”. A Oeiras, candidatam-se ainda, através do ‘Movimento Evoluir Oeiras’ - uma coligação BE-Livre-Volt - Carla Castelo; Rui Teixeira, pelo Chega, Bruno Mourão Martins, pela IL; Nuno Gusmão, pelo CDS; André Levy, pela CDU; Pedro Fidalgo Marques, pelo PAN, e Hélder Sá, pela coligação "Viver Ainda Melhor Oeiras", do PDR-Aliança.

Propostas

Habitação Acessível

Carla Castelo, candidata à Câmara Municipal de Oeiras pela coligação Evoluir Oeiras formada pelo Bloco de Esquerda, Livre e Volt, pretende “reduzir as assimetrias e as desigualdades sociais que existem no concelho, com políticas ativas para proporcionar o acesso de todos a uma habitação acessível, confortável e adequada às necessidades dos residentes”.

Sustentabilidade
As principais bandeiras na campanha de Alexandre Poço, candidato do PSD à presidência da Câmara de Oeiras, vão estar centradas na sustentabilidade, na mobilidade e no Estado Social Local, tendo prometido plantar uma árvore em Oeiras por cada voto que tiver nestas eleições.

Travar projetos imobiliários
Uma das propostas preconizadas por André Levy, candidato da CDU, é “pôr fim a grandes projetos imobiliários” que, no seu entender, são concretizados “muitas vezes com atropelos ao Plano Diretor Municipal” (PDM).

Reforçar o potencial do concelho
O candidato do Chega, Rui Teixeira, quer “fazer melhor com os recursos que existem, para  promover uma maior proximidade com o território, com o tecido empresarial e com as pessoas”.

Uma alternativa liberal
Bruno Mourão Martins promete uma alternativa ao “marasmo” e ao “paternalismo político” no concelho, tendo as pessoas como protagonistas das políticas que o candidato da Iniciativa Liberal tem projetadas para Oeiras.

Notícia corrigida às 10h45.

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