27/09/2022
 
 

Um passo muito perigoso

Na prática, trata-se de forçar as pessoas a fazerem algo contra a sua vontade. Além disso, está a criar uma espécie de casta de intocáveis vilipendiados por todos, de cidadãos que terão de viver à margem da sociedade. 

Esta terça-feira, na reunião do Infarmed, os peritos propuseram ao Governo um desconfinamento gradual em quatro passos, consoante o progresso da vacinação. Propuseram também a generalização dos certificados sanitários para entrar em espaços públicos, não especificando quais.

Dependendo do que for abrangido (chegou a falar-se dos supermercados, mas penso que o Governo jamais imporia algo tão drástico), começo a duvidar se se trata de uma medida sanitária ou de algo mais próximo da chantagem, um cerco cada vez mais apertado a quem, legitimamente, não pode ou não quer levar uma vacina criada em tempo recorde, que tem produzido reações adversas em muita gente e cujos efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos. Será que já não aplica aquela célebre máxima “quem manda no meu corpo sou eu”, repetida pelos ativistas do aborto?

Na prática, trata-se de forçar as pessoas a fazerem algo contra a sua vontade. Além disso, está a criar uma espécie de casta de intocáveis vilipendiados por todos, de cidadãos que terão de viver à margem da sociedade. 

Mas talvez ainda mais chocante foi a declaração por parte de um dos peritos, na mesma reunião de terça-feira, da necessidade de vacinar as crianças em idade escolar. Repito: o risco de uma vacina que ainda está, no fundo, a ser testada não pode ser negligenciado, além de que as crianças, tanto quanto sei, quase não transmitem a doença. Vi algumas pessoas a defender afincadamente a vacinação dos mais novos, mas curiosamente não têm filhos...

O cerco está a avançar: anteontem o confinamento, ontem as máscaras, hoje as vacinas, amanhã os certificados e depois ainda hão de se lembrar de outra coisa qualquer que essa é que é mesmo essencial.

Temos de manter a cabeça fria e não entrar em loucuras. Quem não quer não é vacinado, ponto final. Ou afinal a vacina é infalível? Por outro lado, há que medir bem os riscos de agir sob pressão – a probabilidade de cometer um erro é maior. E, por fim, é inaceitável que se comece a criar essa ideia de que há um grupo de pessoas irresponsáveis, que, em termos simbólicos, são o equivalente do que eram os leprosos noutras épocas mais obscurantistas. Com a diferença de que não têm doença nenhuma.

E por favor não me acusem de ser anti-vacinas e de ter a mania das conspirações, pois até já tomei a segunda dose e ainda estou a recuperar das consequências.

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