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Casamentos. "Finalmente vamos respirando um pouco de alívio"

Casamentos. "Finalmente vamos respirando um pouco de alívio"

Daniela Soares Ferreira 29/06/2021 13:15

Quintas têm recebido muitas festas mas ainda longe do que se passou em 2019. Ideia dos testes implica uma grande logística mas é um ponto positivo que traz confiança não só às quintas como também aos noivos e aos convidados.

“Finalmente vamos respirando um pouco de alívio. Aos poucos”. A garantia é dada ao i por um proprietário de uma quinta nos arredores de Lisboa que, garante, já viu casamentos, batizados e festas de aniversário crescer este ano face ao que aconteceu em 2020. Outra coisa não seria de esperar até porque, recorda, no ano passado estiveram praticamente parados. “É impossível ainda podermos comparar com os números de 2019, um ano que foi completamente normal. 2021 ainda não o é, sabemos isso”, admite. No entanto, é possível respirar um pouco de alívio: a confiança dos portugueses face à pandemia de covid-19 tem crescido e, por isso, a quinta tem tido, pelo menos, um evento por fim de semana.

“Esta é a altura dos casamentos, dos batizados. E muitos dos casamentos que temos tido já tinham sido adiados o ano passado. É complicado quando alguém tem que adiar um sonho destes por dois anos”, diz o responsável.

E, tal como acontece nesta quinta, a verdade é que, aos poucos, o setor dos eventos tem crescido. Prova disso é o mais recente estudo da Fixando, que revela que o setor dos eventos em Portugal está já a dar “fortes sinais de recuperação”. Desde abril e até ao final do mês de maio, este setor – que esteve quase parado no ano passado – registou uma recuperação de 138%.

O estudo da plataforma – que foi realizado já depois de o Governo ter anunciado a obrigatoriedade dos testes para eventos – revela ainda que, do lado dos profissionais deste setor, 84% concorda com a obrigatoriedade dos testes e 73% diz que os custos deviam ser suportados pelo Estado.

O responsável ouvido pelo i concorda mas desvaloriza. “As pessoas querem tanto que este dia aconteça e querem tanto que tudo corra bem que não veem problema em suportar mais esse custo. E, em muitos casos, é pago pelos convidados. Hoje em dia também já é possível fazer testes rápidos gratuitos na maioria dos concelhos e, os das farmácias também não são muito caros. E nós também o fazemos à entrada”, diz ao i.

Mas a recuperação não é um mar de rosas e há ainda muitos negócios que estão a sofrer com a crise pandémica. O inquérito da Fixando revela que 45% dos profissionais viram-se obrigados a recorrer a ajuda financeira no último ano devido ao impacto da pandemia, num contexto onde mais de 75% registou quebras acima dos 75% nos lucros. Num dos resultados do inquérito, os números não deixam margem para dúvidas: “Caso a conjuntura se mantenha e as regras não sejam aliviadas, 50% dos negócios não sobreviverá mais de seis meses”.

 

Medidas, restrições e testes

Jorge Ferreira, CEO da Best Events, diz não ter números específicos mas considera ser “perfeitamente provável que tenha havido um aumento grande”. E garante: “Há mais eventos este ano que no ano passado, sem dúvida”.

Quanto aos testes para eventos e casamentos, o responsável diz que trazem “muito mais confiança” mas acrescenta que, logisticamente, “a coisa não é assim tão fácil como parece”. E explica: “Gerir isto no próprio espaço torna-se um pouco complicado. Eu sei o que as quintas estão a fazer. Dizem, por exemplo, aos noivos e aos familiares mais próximos para fazerem testes antigénio 48h antes para tentar minimizar a quantidade de pessoas que vai fazer o auto teste no dia do casamento. Para termos uma ideia: 100 pessoas num casamento. E sabemos que, no mínimo, cada auto teste demora 15 minutos até sair o resultado. Fazer esta gestão de tempo para 100 convidados num curto espaço de tempo não se torna fácil. Mas sei que as quintas estão a fazer um esforço muito grande para fazer isso, para criar uma bolha saudável dentro daquele espaço”, diz ao i.

Mas afinal estes testes em casamentos são obrigatórios ou não? “Gostaria de esclarecer bem o assunto”, diz Jorge Ferreira. E explica: “Li com cuidado as normas da DGS. Desde que sai a resolução do dia 10 de junho, em que obriga a fazer testes – ou PCR 72h antes, o antigénio 48h antes ou os auto testes – o que mudou foi o seguinte: nos auto testes deixou de ser obrigatório ser acompanhado por um profissional de saúde para passar a ser-se acompanhado por um profissional do espaço. Mas é obrigatório, a obrigatoriedade continua a existir”, explica.

O responsável avança ainda ao i que os casamentos, neste momento, estão a acontecer. Mas espera que não haja retrocessos como já houve em zonas Lisboa e Albufeira. “É que aí a lotação só pode ir até 25%”, lembra. “Mas, não voltando para trás, os espaços estão com casamentos. Não podemos comparar com 2019 mas estão com bastantes casamentos”.

O recuo a esta altura parece quase certo, com a maioria dos concelhos da Área Metropolitana acima dos 240 casos por 100 mil habitantes ela segunda semana consecutiva. A isso, somam-se as notícias de fora, como a restrição do mercado alemão, que causa preocupação. “Estas notícias têm implicações nos nossos casamentos. Por dois  motivos: porque temos estrangeiros alemães que muitas vezes vêm cá a Portugal ao Algarve ou a outras zonas do país e já não vêm e depois temos outra parte que são os portugueses que estão na Alemanha que também poderão ter alguns problemas, neste momento, nos casamentos que têm marcados. Porque podem fazer viagens mas têm uma condicionante. Sei que já está a haver desistências a esse nível”, admite  Jorge Ferreira.

Por isso, o organizador de eventos só tem um desejo: “Esperemos que não se volte mais para trás e que o setor continue a trabalhar e que não haja mais limitações. Neste momento, as pessoas estão a trabalhar, estão satisfeitas e, para já, se isto não voltar atrás nunca será 2019, nunca dará para recuperar 2020 mas também não vai dar para piorar, o que é bastante bom e espera-se que 2022 seja um ano forte”.

 

Casar em 2021

Se 2020 foi para esquecer, 2021 vai trazendo alguma esperança. Ana e Ângelo tinham marcado o casamento para junho de 2020 mas adiaram-no um ano. Casaram este ano, correu tudo sem problemas e não estão arrependidos da decisão. Para este casal recém-casado, não há dúvidas: “A quinta cumpriu todas as regras e os convidados também, dentro do possível”, dizem ao i. “Seguro a 100% não é, há sempre risco. Mas se as regras forem cumpridas tem tudo para correr bem”, lembra. E para quem está ainda a decidir se casa ou não este ano, fica o conselho: “Pela nossa experiência, aconselhamos a avançar. Mas é importante nunca esquecer as regras”.

Ideia que é partilhada por Paulo e Teresa. Casaram em maio e também recomendam a experiência, apesar da não ter sido a festa típica. “Certamente não vamos esquecer. Além de ser um dia importante na vida de qualquer pessoa, vamos sempre lembrar-nos de ver as pessoas de máscara e a não dançar como o teriam feito numa altura sem covid”. No entanto, não há arrependimentos: “As pessoas têm noção, a vida tem de seguir e se as regras forem cumpridas pelos convidados e pela quinta, é grande parte do caminho andado para o sucesso da festa”.

 

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