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Ponte de Sor. "A minha filha puxou da navalha porque já não aguentava"

Ponte de Sor. "A minha filha puxou da navalha porque já não aguentava"

DR Maria Moreira Rato 12/05/2021 09:43

“Estavam constantemente a meter-se com ela”, garante mãe de aluna “apalpada, empurrada e cercada” na Secundária de Ponte de Sor.

A tensão vivida entre a direção, os professores, os auxiliares, os encarregados de educação e os educandos da Escola Secundária de Ponte de Sor, em Portalegre, tem vindo a escalar. Desta vez, a mãe de uma aluna institucionalizada desmente o diretor do agrupamento, Manuel Andrade, e justifica o uso de uma navalha pela filha.

Depois de ter lido o artigo que o i publicou, na passada segunda-feira, acerca do clima vivido na escola, Bernardete Alves Martins Fonseca não podia ficar em silêncio. A mãe de Mariana (nome fictício), de quase 16 anos e estudante do curso de Línguas e Humanidades, ficou “espantada” com o modo como Manuel Andrade se referiu à adolescente nas declarações que prestou ao i.

Recorde-se que o dirigente explicou que havia sido “identificada uma aluna com a posse de um pequeno canivete”, sendo que “e escola, na presença desta situação, abriu o respetivo procedimento disciplinar tendo suspendido a aluna”.

“A minha filha já se tinha queixado à diretora de turma e à direção porque era apalpada, empurrada e cercada pelo tal grupo de rapazes problemáticos”, começa por revelar, aludindo ao grupo de “seis, sete alunos” que “são o terror dentro da escola” como um dos docentes explicitou também ao i.

“A situação já se prolongava há bastante tempo e, naquele dia, depois de se ter dirigido novamente à direção da escola sem que nada fosse feito”, Mariana envolveu-se numa “confusão”.

“Começaram a bater no ex-namorado dela. A navalha era minha, não desminto, foi um erro meu, mas não lha dei para que ela a levasse para a escola, era para se defender quando saía à noite”, frisa a mulher que não esquece aquela tarde do início do ano letivo corrente.

“Todos os dias é a mesma coisa” “Foi fechada numa sala ao pé da do diretor, com o namorado, durante duas horas. A escola não contactou ninguém, o senhor diretor não pode dizer que os pais não querem saber dos filhos”, explica a encarregada de educação, que somente terá sido informada da situação quando foi à rua tomar café e foi abordada por colegas da rapariga que a alertaram.

“Estavam constantemente a meter-se com ela, mandavam bocas e tocavam-lhe. A minha filha puxou da navalha porque já não aguentava o assédio”, declara. “Eu confrontei-a e ela disse ‘Estou farta, todos os dias é a mesma coisa’”, salienta.

Ao i, o dirigente mencionou que “neste momento, esta aluna encontra-se institucionalizada numa instituição de acolhimento de crianças e jovens em risco” e garantiu que “para além deste caso não há referência a outros semelhantes”.

“O senhor diretor refere que a minha filha se encontra institucionalizada, e está, mas não foi por essa questão. Está lá há um mês por decisão minha porque a situação não estava fácil em relação ao namoro que ela tinha”, destaca, opondo-se a Manuel Andrade que, ao i, afirmou que “no decurso do procedimento disciplinar apurou-se que a aluna tinha na sua posse esse objeto a pedido da própria mãe”.

O motivo apresentado foi o de que Mariana se defenderia “do padrasto se tal fosse necessário” com a arma em questão, mas Bernardete assegura que “não existe padrasto nenhum”.

“Impediu a minha entrada na escola” “Fomos a tribunal com uma técnica da Segurança Social, o processo ficou suspenso por seis meses”, clarifica Bernardete.

“Ele mostra-se sempre indisponível para falar seja com quem for. Um dos irmãos dos outros miúdos também quis falar com ele, mas supostamente estava em reunião. Ficámos do lado de fora da escola”, adianta. “Inclusivamente, impediu a minha entrada na escola”, remata.

“É a palavra dele contra a minha, e ele está num cargo de poder, mas quem for ver o histórico da minha filha sabe que foi boa aluna e jogadora de basquetebol, desviou-se do caminho há dois anos, quando foi para esta escola”, finaliza.

No seguimento das denúncias realizadas, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco de Ponte de Sor enviou um comunicado ao i, assinado pela presidente Patrícia Lopes-Maia, que lamenta “a imagem denegrida que se estendeu a nível regional e nacional referente ao Agrupamento e toda a comunidade escolar”, indicando que o i questionou a CPCJ acerca de “situações que não correspondem à veracidade dos acontecimentos” e que se encontram “no limiar judicial”.

 

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