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"Não me calo!": a exposição do ISCTE que reúne mais de cem cartazes de protestos populares

"Não me calo!": a exposição do ISCTE que reúne mais de cem cartazes de protestos populares

Site ISCTE Jornal i 10/05/2021 18:45

A exposição onde os protagonistas são cartazes pertencentes a protestos feministas, nacionalistas, ecologistas, laborais ou antirracistas já está disponível no Espaço Exposições do Edifício II do ISCTE e será possível visitá-la até 30 de junho.

 

O Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), em parceria com o arquivo Ephemera, de José Pacheco Pereira, acolhe a partir de 10 de maio a exposição “Não me calo!”, que reúne cerca de uma centena de cartazes artesanais recolhidos em manifestações de protesto. Contudo, a coleção vai até aos 300 cartazes recolhidos em vários protestos, tanto nacionais como internacionais. 

No comunicado publicado na página do Instituto e redigido pelo curador da exposição, é explicado que os cartazes da exposição foram recolhidos pelos participantes do arquivo: “Muitas vezes os cartazes abandonados depois das manifestações ou deitados ao lixo, são diligentemente recolhidos pelos amigos e voluntários do arquivo e, agora cada vez mais, oferecidos pelos próprios autores depois de exercerem a sua função. No trabalho do ephemera ganham uma segunda vida que não os ‘amansa’, nem os torna objetos de um mostruário morto, mas prolonga a sua ação”, lê-se.

O curador escreve que a principal regra para que um cartaz seja incluído na coleção, é que “a elaboração do mesmo tenha sido feita pela própria pessoa que o exibiu”, fazendo com que os cartazes expostos sejam peças únicas e artesanais. Quase todos feitos de cartão e escritos com marcador ou tinta, os materiais pertencem a múltiplos protestos — feministas, nacionalistas, ecologistas, laborais, antirracistas —, e representaram diversas vozes — catalães, independentistas, ingleses, franceses; na exposição vão ser todos colocados numa vara e divididos em três núcleos: troika, feminismo e LGBTI+ e, ainda, emergência climática.

“O cartão é colado numa vara, ou num pedaço de estore. Alguns têm duas faces, para valerem por dois. Vistos no seu conjunto, mostram a multiplicidade dos protestos e das vozes que representam”, conta o curador no comunicado.

Segundo o responsável pelo arquivo, o objetivo principal da mostra é compreender a relação interativa entre alguns objetos triviais e a história do mundo. “Não é só design, nem artesanato, nem arte, mas história material. É uma coleção eclética do ponto de vista cultural e político. Os cartazes dizem muito sobre quem os faz: percebe-se a idade, o léxico, os erros de ortografia, os palavrões, os estrangeirismos. Percebe-se o sexo, e percebe-se que são raparigas e mulheres as mais ousadas e criativas”, afirma.

“É um retrato do protesto na sua dimensão mais pessoal: alguém vai manifestar-se e faz o cartaz com que vai atacar ou apoiar alguma coisa, a greve climática, o combate ao patriarcado e ao machismo, os baixos salários, a corrupção, a expulsão dos velhos habitantes do centro das cidades”, acrescenta.

Um dos cartazes que deverá integrar a exposição é o que Irene Martín levou ao 1º de Maio, em Lisboa, para falar do trabalho reprodutivo: “Farta até à c*** de gerar a mais-valia dos homens. Trabalho reprodutivo sustenta o capital”, lia-se no cartaz. 

No comunicado, José Pacheco Pereira enaltece o cartaz que dá nome à exposição, explicando o porquê da sua importância: “Um dos cartazes mais humildes que temos é um pequeno fragmento de cartão, talvez uma aba de uma tampa de caixa, no qual está escrito ‘Não me calo!’, com ponto de exclamação e tudo. É humilde no seu tamanho e expressão, não tem nenhuma qualidade gráfica especial, mas diz tudo o que há a dizer. Não é só um cartaz, é uma palavra de ordem”, sublinha. 

O arquivo ephemera interessa-se pelo caráter físico das coisas, pelos objetos, num mundo que crescentemente se deslumbra com o virtual e digital. “Os objetos são da dimensão do humano, dos nossos sentidos, transportam uma verdade especial, a da sua materialidade”, lê-se ainda no comunicado. 

A exposição estreou no dia 10 de maio, hoje, com duas conferências sobre “Protesto Social na História” e “Novos Movimentos e Dinâmicas Sociais”, que poderão ser assistidas presencialmente, com lugares limitados, ou através de uma emissão em direto do canal YouTube do ISCTE.

Estes cartazes artesanais de manifestações de protesto vão estar em exposição até 30 de junho no Espaço Exposições do Edifício II do ISCTE, entre as 10 e as 18 horas de segunda a sexta-feira.

 

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