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Covid-19. “Acham que uma máscara vos protege de algum vírus?”

Covid-19. “Acham que uma máscara vos protege de algum vírus?”

Bruno Gonçalves Pedro Almeida 31/08/2020 13:00

Através da plataforma espanhola Médicos Pela Verdade, centenas de pessoas juntaram-se em manifestações, em Lisboa e no Porto, para contestar medidas implementadas contra a covid-19.

Não são só as cidades europeias de Berlim, Londres e Paris que são palco de grandes protestos contra as medidas sanitárias para combater a pandemia de covid-19. Em Portugal, nomeadamente em Lisboa e no Porto, o i sabe que decorreram, no passado sábado, manifestações que juntaram centenas de pessoas – tanto no Rossio como na Avenida dos Aliados – com vários propósitos, um dos quais apelar ao fim do uso obrigatório de máscara, até mesmo em espaços fechados. Este é um movimento que surgiu na Alemanha e se espalhou por vários países da Europa. Portugal seguiu o mesmo caminho e juntou-se a Espanha, através da plataforma espanhola Médicos Pela Verdade – ou Médicos por la Verdad, no original – que, com a ajuda de dezenas de profissionais de saúde, procura contar “factos reais” sobre a covid-19 que as autoridades de saúde mundial “teimam em esconder”.

No Rossio, segundo o i conseguiu apurar, estiveram reunidas mais de 200 pessoas, entre as quais médicos e advogados, que ostentaram cartazes com frases como “Queremos respirar livremente sem desmaiar” ou “Promovam saúde em vez de medo”. E nos discursos ouvidos durante os protestos, o objetivo sempre foi muito claro: lutar pela “verdade” sobre a covid-19.

“Vocês têm ideia do tamanho de um vírus? Acham que uma máscara vos protege de algum vírus? Para nos protegermos de vírus e bactérias temos de ter um capacete que não permita que o ar entre de fora para dentro. Por isso, as máscaras não servem para nada”, começou por proclamar um dos médicos portugueses presentes, António Godinho, que enquanto discursava pegava num microfone com a mão direita e segurava uma máscara com a outra mão. “Porquê o uso disto? A diferença entre um capacete e esta máscara é a diferença entre aquilo que nos protege realmente de um vírus ou de uma bactéria em engenharia social ou não”, exclamou, garantindo ainda que a utilização de máscara provoca vários transtornos mentais.

“Em termos psicológicos, significa várias coisas, sendo uma mordaça. É como se estivessem a dizer ‘cala-te, não tens direito a expressar a tua opinião’. Significa também ‘obedece, submete-te’. É inadmissível numa democracia e num estado de direito. Não é preciso parar um país por causa disto”, continuou o médico.

Entre aplausos e exclamações de apoio, António Godinho quis deixar ainda clara a sua posição no que respeita às pessoas que contraem o vírus mas se encontram sem sintomas. “Por definição, um assintomático é alguém que não tem sintomas, obviamente. Se não tenho sintomas é porque não estou doente. Se não estou doente, não sou perigo para ninguém”, atirou. E acrescentou: “Há 300 anos não havia medicina e estamos cá todos. Nós somos sobreviventes e resistentes. Pouca gente fala do sistema imunitário. Não temos medo de nenhum vírus ou bactéria. Querem um conselho médico? Tomem vitamina D”, rematou.

Ao i, um dos elementos da organização da manifestação em Portugal adiantou que a principal reivindicação é pelo uso facultativo das máscaras. “Os números demonstram que a maior parte da população está saudável. Há pouquíssimos doentes, pelo que não faz sentido obrigar uma pessoa saudável a usar máscara. Isto é puro bom senso”, foi referido.

“Um medo terrível apoderou-se de mim” Contactada pelo i, a espanhola Helena Maritzia, pintora, que também esteve presente na manifestação no Rossio, explicou que a sua preocupação em torno do futuro – tem uma filha de 17 anos – fez com que procurasse outros pontos de vista em relação à covid-19. Até que chegou aos Médicos Pela Verdade.

“Esta situação da covid-19 tirou-me o tapete do chão. E um medo terrível apoderou-se de mim, pois soube há pouco tempo que tenho um problema grave de coração. Estou preocupada, interessada em saber mais e saber o que isto nos vai trazer”, começou por revelar, apontando, no entanto, coisas positivas à forma como Portugal tem lidado com a pandemia.

“Acho e sempre achei que Portugal esteve à frente de todos os países. Mas sinto que temos tido sorte até agora. Estou muito preocupada com o futuro. Tenho uma vida e situação complicadas, portanto, comecei a investigar, a falar com as pessoas. Descobri que os Médicos Pela Verdade têm outros pontos de vista sobre o que está a acontecer. De facto, há muitos outros pontos de vista e sinto-me interessada, porque não acredito (queiram desculpar-me) que isto tudo tenha só a ver com um vírus. As medidas que começaram a ser impostas noutros países são muitas vezes ilegais. Não respeitam os direitos fundamentais das pessoas”, alerta Helena. Agora, só espera uma coisa: “Que não obriguem os portugueses a usar máscara 24 horas por dia”.

outras medidas que protestam Além do uso obrigatório de máscara, a manifestação decorreu com o objetivo de protestar também outras medidas implementadas pela Organização Mundial de Saúde e, em Portugal, pela Direção-Geral da Saúde para combater a pandemia.

Os manifestantes exigem o fim da utilização de máscaras por adolescentes estudantes durante as aulas – uma vez que “já foi provado que as crianças e jovens não são um risco para a sociedade” – e ainda do rastreamento móvel e da monitorização de conteúdos na internet – “viola o direito à privacidade e dados pessoais”.

Além disso, pedem também o regresso imediato ao horário normal de trabalho para todos os grupos económicos. “As restrições horárias em nada contribuíram para o fim da pandemia. Pelo contrário, estão a estrangular milhares de pequenos empresários que, apesar de poderem continuar a pagar aos seus empregados por inteiro devido ao layoff, eles mesmos não recebem mais por isso e ainda ficam prejudicados devido à diminuição do volume de negócios”, pode ler-se no grupo do evento criado no Facebook.

O i contactou a Polícia de Segurança Pública (PSP) para obter esclarecimentos sobre eventuais intervenções, mas não obteve qualquer resposta até à hora de fecho desta edição.

No que diz respeito ao panorama mundial, recorde-se, Berlim, na Alemanha, tem sido o maior palco de protestos semelhantes. Junto à Porta de Brandemburgo, numa manifestação proibida pelo município – mas autorizada por um tribunal –, ter-seão juntado perto de 40 mil pessoas que, de acordo com as autoridades locais, desrespeitaram as normas de distanciamento físico.

 

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