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António Luís Marinho 29/05/2020
António Luís Marinho
cronista

opiniao@newsplex.pt

Para onde vai o CDS?

A prosseguir neste caminho, o CDS corre o risco de se tornar irrelevante e a direita portuguesa vai rapidamente ser tomada pela sua facção mais radical.

“O desafio é o de levar a sério a radicalização da direita”
José Manuel Pureza

 

Proponho que comecemos por um exercício. Vamos recordar o nome dos três primeiros líderes do CDS: Freitas do Amaral, Francisco Lucas Pires, Adriano Moreira.

São personalidades muito diferentes mas com algumas características comuns, de onde ressaltam a inteligência, a cultura e o sentido de serviço.

Com a eleição de Manuel Monteiro, em 1992, o CDS, tal como o conhecíamos – um partido do centro, conservador, democrata-cristão –, acabou.

Na campanha de 1995 foi muito claro o discurso populista de direita, com cartazes a mostrar os tachos dos políticos, acusados de serem corruptos, um Parlamento de deputados preguiçosos e a “venda de Portugal à Europa”.

Teve então início a era “popular”, que atingiu o seu auge em 1998, com a eleição de Paulo Portas, líder carismático, inteligente, com uma perspectiva e um objectivo diferentes para a direita portuguesa, isto é, colocá-la no seu devido lugar.

No entanto, o pragmatismo de Paulo Portas permitiu-lhe tirar o CDS da sombra do PSD, onde tinha vivido desde o 25 de Abril com algumas breves interrupções, conseguir um excelente resultado eleitoral em 2011, eleger 24 deputados e tornar o partido indispensável para a governação, ao lado do PSD. A estratégia de tornar o CDS um partido de poder dera resultado.

Portas afirmou nessa altura: “Penso à direita e governo ao centro”.

No governo de Passos Coelho, Paulo Portas acabou por ser, na maioria das vezes, a voz da moderação, o travão do liberalismo desbragado e da total insensibilidade social.

Com a saída de Paulo Portas, já na era da geringonça, o CDS, partido que se confundia com o líder, não mais se encontrou.

Temos de reconhecer que não era fácil, fosse a quem fosse, substituir Paulo Portas. A liderança de Assunção Cristas, apesar dos seus louváveis esforços, levou o CDS a um resultado desastroso nas legislativas de 2019.

A eleição do actual líder, Francisco Rodrigues dos Santos, não augura melhores resultados. Inexperiente, impreparado, pouco culto, o novo presidente do CDS ainda não conseguiu, uma única vez que fosse, marcar um ponto positivo no trajeto de oposição do partido.

Na verdade, revela-se um líder sem ideias nem estratégia, assustado nitidamente com o aparente crescimento do Chega, não se afastando claramente deste partido e deixando apenas uma imagem de indecisão que lhe será certamente fatal.

Estranha-se o silêncio de alguns notáveis do partido.

A prosseguir neste caminho, o CDS corre o risco de se tornar irrelevante e a direita portuguesa vai rapidamente ser tomada pela sua facção mais radical.

Jornalista

 

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