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TVI. Ana Gomes diz que alegadas pressões de Costa têm de ser esclarecidas

TVI. Ana Gomes diz que alegadas pressões de Costa têm de ser esclarecidas

Pedro Nunes Carlos Diogo Santos 26/02/2020 09:52

“A acusação é muito grave”, afirma a ex-eurodeputada em reação às denúncias da jornalista Ana Leal ao SOL. Gabinete de Costa em silêncio.

A ex-eurodeputada do PS Ana Gomes considera que a denúncia feita nos últimos dias pela jornalista Ana Leal sobre uma alegada pressão de António Costa junto da TVI é grave e que o assunto tem de ser esclarecido. Em entrevista ao semanário SOL, a jornalista havia revelado que mais do que ameaças físicas a preocupa o facto de “um político, à época ministro, [achar] que pode à distância de um telefonema ligar para uma administração ou para uma direção de informação a dizer: ‘Despeçam-na!’” E adiantou que quando isso aconteceu, António Costa era ministro e estava em causa uma investigação que fizera sobre o SIRESP.

Ao i, Ana Gomes diz que, dada a gravidade do caso, é preciso que haja um esclarecimento cabal. “Se isso aconteceu, a jornalista sabe a quem foi feito tal pedido e pode identificar, e essa pessoa pode ser questionada, assim como o primeiro-ministro. É um assunto que merece esclarecimento, sem dúvida nenhuma”, assegurou.

Ana Gomes reforçou ainda: “A acusação é grave, é muito grave. Numa sociedade democrática, é muito grave e, por isso, acho que é fundamental que a jornalista que se sente vítima dessa atuação do então ministro, que hoje é primeiro-ministro, deve dizer como teve conhecimento dessa pressão, sobre quem foi exercida – não sei se teve conhecimento direto pela pessoa em causa –, e o primeiro-ministro e essas pessoas devem ser questionadas”.

Quanto ao facto de a denúncia ter sido feita já vários anos após a alegada pressão, Ana Gomes diz que isso não é impeditivo de se apurarem responsabilidades: “Só tenho pena que essa denúncia não tenha sido feita mais cedo, designadamente na altura, mas, tendo sido feita agora, isso não impede que o caso seja esclarecido. Acho que essa questão merece esclarecimento por parte do primeiro-ministro e por parte dos intervenientes”.

Questionado no último sábado sobre as acusações feitas pela jornalista, o gabinete do primeiro-ministro mantém-se em silêncio.

A entrevista de Ana Leal ao SOL tem provocado diversas reações, incluindo uma da TVI. A estação de Queluz de Baixo reagiu à alegada pressão de António Costa, assim como a um alegado estrangulamento do programa da jornalista, referindo que a entrevista foi dada sem autorização e que a “TVI não decide criar ou acabar com programas em função de pressões externas”. É_ainda assegurado que a atual direção de informação nunca recebeu pressões de António Costa, não se pronunciando sobre episódios que tenham ocorrido antes da sua chegada.

No Twitter, o embaixador Francisco Seixas da Costa também reagiu, alertando que se está perante um caso gravíssimo: “Se a jornalista Ana Leal provar, sem sombra de dúvida, que o PM telefonou para a TVI a pedir a sua demissão, trata-se de um caso gravíssimo que não pode passar sem sérias consequências políticas. Se não provar, a gravidade é idêntica e, de facto, é uma razão para ser demitida”.

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