19/9/19
 
 
Vítor Rainho 24/07/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Em defesa de um boicote às viagens na autoestrada

Nas duas autoestradas que ligam as duas principais cidades do país, há portagens físicas e virtuais para todos os gostos, a que se junta a tal caça à multa. Fiquei com vontade de não fazer mais viagens de carro

Na segunda-feira, por razões pessoais, fui a Esposende e na distância que separa a capital da localidade nortenha pude, tranquilamente, observar como o país está diferente.Onde antes se viam campos abandonados, hoje encontramos campos semeados.Onde havia lixeiras, podemos ver zonas limpas, e não faltam exemplos de como o país melhorou. Fizemos o percurso pela A8 e deu bem para ver a loucura que se apoderou de um megalómano que governou este país e que chegou a pensar construir uma terceira autoestrada para o Porto, ou do Porto para Lisboa, como se queira.
Durante quase 300 quilómetros foram muito poucos os carros que vimos, numa estrada, portanto, praticamente deserta, mas que, creio, faz algum sentido. Já na A28 e A29 vi uma caça à multa que pensava ser impossível, uma verdadeira vergonha nacional. Polícias escondidos, radares tapados, de tudo um pouco vimos. Ou por outra, nas zonas de maior perigo, não se vislumbrou qualquer agente.

No regresso à capital optámos pela A1 e então aí é que foi um verdadeiro forrobodó! GNR atrás de GNR numa ânsia de apanharem automobilistas desprevenidos. Nas duas autoestradas que ligam as duas principais cidades do país, há portagens físicas e virtuais para todos os gostos, a que se junta a tal caça à multa. Fiquei com vontade de não fazer mais viagens de carro e, se houvesse alternativa confortável de transportes públicos, dificilmente me encontravam a fazer outra viagem idêntica de carro. Se os comboios e depois os autocarros públicos funcionassem era por aí que ia. Faz algum sentido andar a 120 quilómetros nas autoestradas? Várias vezes ia adormecendo por causa de um limite que foi imposto há mais de 50 anos quando os carros e as estradas tinham metade da segurança de hoje.
É pena que a sociedade civil tenha tão pouca força que a impeça de fazer um verdadeiro boicote a esta caça à multa. Se durante um dia as autoestradas ficassem sem um único carro queria ver o que diriam as gasolineiras e as concessionárias das estradas. E, já agora, o Governo, este ou qualquer outro.

 

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