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Direito de resposta de Tenente-Coronel Brandão Ferreira

Direito de resposta de Tenente-Coronel Brandão Ferreira

José Brandão Ferreira 08/05/2019 12:36

Ao cuidado do Exmo. Director, Dr. Mário Ramires

6/5/2019

Queira V. Exa. considerar o seguinte texto, que solicito seja publicado, invocando o direito de resposta, ao abrigo do n.o 1 do art.o 24 da Lei 2/99, de 13 de janeiro (Lei de Imprensa), em espaço de idêntica relevância:

“O que é, é; E não pode ser e não ser, Ao mesmo tempo”.

Parmênides de Eleia (530-460 a.C.)

(Princípio da identidade)

O Major-General Carlos Chaves deu uma entrevista ao Jornal i (presume-se que a pedido do periódico), a qual foi publicada no pretérito dia 18 de abril.

Nesta entrevista, este cidadão, oficial general do Exército Português e autoproclamado exemplo acabado de militar e patriota (constatámos agora) veio afirmar, aparentemente a propósito de coisa nenhuma, o seguinte sobre a minha pessoa:

“Sou colega de curso do Tenente-Coronel Piloto Aviador Brandão Ferreira, dormíamos lado a lado. Sempre foi a antítese do militar”.

E continuava: “Alguém disse que a religião católica é tão boa, tão boa, que mesmo os padres que tentaram acabar com ela não conseguiram. E eu aplico isto aos militares. [risos]”

E a anteceder afirmou: “O Juramento (de bandeira) ou é sentido, interiorizado e praticado ou é mais um acto gratuito. A pessoa que vai a tribunal também jura dizer a verdade. Os espanhóis vão ao exagero de beijar a bandeira um a um. Tudo bem. Mas depois é preciso justificar no dia-a-dia”.

Ora será porventura fácil a quem lê, ser eu dado – estando citado no meio das frases – como exemplo de quem não interiorizou o juramento de bandeira e não o pratica no dia-a-dia; e, também que as Forças Armadas têm conseguido sobreviver apesar do meu (e de outros, dado que está no plural) esforços em contrário…

E para sustentar o que diz apenas apresenta as credenciais de ter sido meu “colega” – termo que, etimologicamente, quer dizer que lemos pelos mesmos livros –, o que, pelos vistos, não parece nada que tenha acontecido, quando certamente queria dizer termos sido “camaradas” (aqueles que dormem debaixo do mesmo tecto).

A “credencial”, neste caso, é recíproca, além de ser extensiva a mais 54 jovens que por ali habitavam e onde, supostamente, aprendiam a ser “patriotas”. Coisa que o agora entrevistado nega ter acontecido, já que afirma perentoriamente, na entrevista, que “há muitos militares que não são patriotas”. Mas como não aponta o nome de nenhum nem o que sustenta tal desaforo, ficamos todos debaixo de suspeita…

Não tendo sido definido, outrossim, quais as características (estereótipo, se quiserem) do que é um (bom) militar, depreendo ser ele, “em tese”, tal figura.

Sendo, deste modo, a minha pessoa a tal “antítese”.

Passando-se as coisas deste modo, concordo, para que fique em acta, em assumir tal estatuto.

Caberá a quem nos conhece – e não a qualquer leitor espúrio do Jornal – fazer, porventura a síntese, o que, por dialéctica filosófica, poderá originar uma nova “tese”.

Sem embargo, porém, de sempre se ter em conta o postulado de Parménides.

Contingências da vida fazem também não serem raros os casos de quem se engana na profissão…

Por aqui me fico, pois me pesa que oficiais das Forças Armadas se confrontem deste modo em público.

A entrevista fala por si e a Direcção do Jornal i, estou em crer, passará, no futuro, a ter mais cuidado com quem escolhe para entrevistar.

João José Brandão Ferreira / C.C. 02171021

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