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Europeias. Socialistas e Bloco atacam Nuno Melo por causa do Vox

Europeias. Socialistas e Bloco atacam Nuno Melo por causa do Vox

Miguel Silva Luís Claro 29/04/2019 11:58

Candidato do CDS criticado por defender que o Vox não é um partido de extrema-direita. Marisa Matias cola partido espanhol aos “valores do fascismo”. Ana Gomes diz que “é impossível não se ficar alarmado”.

A campanha para as europeias está a aquecer com a troca de acusações entre Nuno Melo, cabeça-de-lista do CDS, e bloquistas e socialistas. O centrista defendeu que o partido espanhol Vox não é de extrema-direita e acusou o Bloco de Esquerda de destruir “muitos dos valores éticos e morais” que devem “estruturar uma sociedade decente”.

Nuno Melo aconselhou, numa entrevista à agência Lusa, no sábado, aqueles que colam o partido espanhol à extrema-direita a “ler o programa do Vox”, porque “verão que é um partido europeísta”, e não seria estranho que “viesse, no final, a entrar no PPE”. Para o candidato centrista, o Vox “estará para o Partido Popular como a Aliança está para o PSD”. 

A afirmação de Nuno Melo provocou várias reações, mas as maiores críticas foram feitas pelo Bloco de Esquerda. Marisa Matias acusou o candidato centrista de estar a “branquear a imagem política” de um partido que “defende que se volte a agredir as mulheres sem punição”, uma agenda racista e xenófoba e os valores do fascismo. “Esses partidos não podem caber na democracia. Não branqueamos o fascismo”, disse, num comício no Porto, a cabeça-de--lista do BE. 

O deputado bloquista Moisés Ferreira já tinha criticado, nas redes sociais, o candidato do CDS por considerar “muito razoáveis” os “descendentes do franquismo, perseguidores de migrantes” e “defensores do fim de legislação que condena a violência machista”. 

A troca de acusações entre os dois partidos não ficou por aqui. Nuno Melo foi confrontado com a proposta do Bloco para proibir que os deputados possam estar ao mesmo tempo numa sociedade de advogados, mas ignorou o assunto e desafiou Catarina Martins a “comentar a enorme vergonha, para mim como português, de se apresentar numa manifestação cantando, rindo e batendo palmas enquanto pede a morte de chefes de Estado eleitos democraticamente, de países amigos, como é o caso do Brasil”. 

BOLSONARO E SALAZAR Melo referia-se a um vídeo em que Mariana Mortágua aparece com outros destacados militantes do BE, no desfile do 25 de Abril, a pedir a “Santo António para levar “Bolsonaro para ao pé do Salazar”. O centrista, que participou com Pedro Mota Soares, número dois da lista, numa ação de limpeza das praias, no Porto, afirmou que “o Bloco de Esquerda significa a destruição de muitos dos valores éticos e morais” segundo os quais que foi criado e que “devem estruturar uma sociedade decente”. 

Alguns deputados socialistas também se insurgiram contra a entrevista de Nuno Melo. A eurodeputada Ana Gomes diz que é “impossível não se ficar alarmado quando a direita portuguesa começa a procurar normalizar o fascismo inormalizável”. A socialista escreve, nas redes sociais, que a solução “é confrontar Nuno Melo com os vídeos dos apoiantes do Vox a cantar o hino franquista Cara al Sol e a fazer a saudação nazi”. 

O deputado do PS Tiago Barbosa Ribeiro considerou que “a normalização por Nuno Melo da extrema-direita espanhola revela muito do que o próprio é e sempre foi”, mas “também diz bastante do que é o CDS, que o escolheu para encabeçar a lista ao Parlamento Europeu”. 

O socialista Porfírio Silva também não ficou indiferente às afirmações feitas pelo cabeça-de--lista do CDS às eleições europeias. “Nuno Melo acarinha o Vox. Estamos entendidos, mas não surpreendidos”, escreveu, na sua página do Facebook, o deputado e dirigente do PS.

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