26/6/19
 
 
José António Saraiva 18/02/2019
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

O 10-0

No nosso país há polémicas por tudo e por nada. Um fulano qualquer abre a boca num programa de televisão e é logo uma polémica.

A última teve que ver com o 10-0 do Benfica ao Nacional. Gastaram-se horas e horas a debater se a “humilhação do adversário” não se voltaria contra o Benfica. Ou que o Benfica não tinha tido a grandeza de “deixar de bater” no Nacional quando ele já estava no chão. Etc.

Nunca vi polémica mais disparatada. A partir de que resultado os jogadores do Benfica deveriam parar de marcar golos? Aos 5-0? Aos 6-0? Aos 9-0 (para não chegar aos dois dígitos)? Com franqueza! O objetivo do futebol é marcar o maior número possível de golos ao adversário.

E é saudável que uma equipa não tire o pé do acelerador e queira sempre mais. Um dos defeitos do futebol português é uma certa tendência dos jogadores para se acomodarem ao resultado. Marcam um golo e recuam. Marcam dois e acham que já chega. E quando marcam três pensam que o jogo está ganho e não é preciso jogar mais. Já vi equipas estarem a ganhar por 3-0 e acabarem por empatar 3-3.

Ora o Benfica fez exatamente o contrário, mostrando saúde física e saúde mental. Até porque os golos marcados são um dos critérios de desempate no campeonato. Não se pode dizer que sejam totalmente desnecessários.

Permito-me ir mais longe e afirmar: se os jogadores do Benfica chegassem ao 5-0 ou ao 6-0 e deixassem de jogar, com pena do adversário, isso é que seria uma tremenda humilhação ao Nacional. Os jogadores do Nacional teriam razões para se sentirem desrespeitados. Seria como dizer-lhes: “Vocês não têm categoria para competir connosco, portanto não vamos bater em ceguinhos.” E o público teria razões para se sentir defraudado – porque pagou o seu bilhete (ou a sua quota) e quer ver golos, espetáculo, boas jogadas.

Além de que vitórias gordas como esta enchem o ego e dão uma nova confiança às equipas. Para já não falar nos recordes que todos gostam de bater. A verdade é que daqui a dez anos ainda se falará deste 10-0 ao Nacional.

A crítica que se fez ao Benfica deveria ter sido dirigida ao adversário – aos jogadores e treinador do Nacional. Eles é que se mostraram incompetentes, displicentes, pouco briosos. Um treinador, por piores jogadores que tenha, não tem de perder por 10-0 na Luz.

Julgo que Costinha, apesar do seu ar altivo, é um mau treinador. Já o mostrou várias vezes. E depois da humilhação que sofreu deveria ter-se demitido. É para aí que se deveriam voltar os olhos: para a incompetência confrangedora do Nacional, e não para a competência dos jogadores do Benfica. Estes limitaram-se a fazer a sua obrigação.

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