24/4/19
 
 
Vítor Rainho 05/02/2019
Editorial

vitor.rainho@newsplex.pt

Tolerância zero para as claques desportivas

Um autocarro é apedrejado pondo em causa a vida de muitas pessoas? Persigam-se os infratores e castiguem-nos de forma exemplar. Ponham câmaras nos viadutos e nos pontos mais críticos das autoestradas para os identificar mais facilmente.

Os recentes apedrejamentos de autocarros que transportavam adeptos de clubes de futebol e de hóquei em patins são muito preocupantes e mereciam mais atenção por parte das autoridades policiais. Como é possível alguém atravessar-se, num dos casos em plena autoestrada, à frente desses autocarros, pegar em pedras e partir os vidros, magoando os passageiros? Possível, já sabemos que é. O que nos deve questionar é como há tanta tolerância para estes eventuais assassinos. Se alguma das pedras atingir o vidro do condutor e o ferir, o que poderá acontecer?

Há alguns anos, Nova Iorque era uma cidade sem lei onde os assaltos eram mais do que muitos e o sentimento de impunidade se tinha instalado. Até que um prefeito, de seu nome Rudolph Giuliani, instituiu a “tolerância zero” para com os criminosos, tendo os índices de criminalidade descido mais de 50%. Giuliani não deu tréguas a ninguém e até os graffiters que se dedicavam a vandalizar os comboios e os edifícios públicos e não só começaram a ser severamente castigados. Portugal precisa de encarar a violência ligada ao desporto como Giuliani fez com toda a criminalidade. Só assim se evitarão desastres com graves consequências no futuro. Um autocarro é apedrejado pondo em causa a vida de muitas pessoas? Persigam-se os infratores e castiguem-nos de forma exemplar. Ponham câmaras nos viadutos e nos pontos mais críticos das autoestradas para os identificar mais facilmente.

Como até agora não houve vítimas mortais, ninguém tem dado o devido destaque ao problema, mas, como sabemos, as claques e adeptos de muitos clubes são pessoas que se movem por um ódio irracional aos adversários. Há, pois, que travar este barril de pólvora do ódio desportivo.

P. S. Ontem foram postas a circular imagens do líder da claque do FC Porto, Fernando Madureira, a insultar Paulo Gonçalves – ex-assessor do Benfica e o homem envolvido no e-toupeira – e a obrigá-lo a abandonar o restaurante onde estava. Curiosamente, a claque fez um comunicado a questionar a legalidade do vídeo, mas não se pronunciou sobre os insultos. Madureira não é muito diferente dos outros líderes das claques, mas todos têm de saber que vivemos num Estado de direito e que não estamos no Faroeste, em que as claques funcionam como grupos armados de desordeiros e espalham o terror à sua volta.

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