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Marcelo. Um mandato com 156 semanas e 5 dias

Marcelo. Um mandato com 156 semanas e 5 dias

Mafalda Gomes Cristina Rita 24/01/2019 11:17

Faz hoje três anos que o Presidente da República foi eleito com 52% dos votos. Prometeu ser o chefe de Estado dos afetos, mas para os críticos é "um enigma", como refere a coordenadora do BE, Catarina Martins. No PS tem adeptos e a deputada Maria Antónia Almeida Santos reconhece que "recuperou o prestígio" de Belém

O Presidente da República completa hoje três anos da sua eleição. Passadas 156 semanas e cinco dias, o chefe de Estado não teve de gerir nenhuma crise política, mas enfrentou as tragédias dos incêndios de 2017, além do caso do roubo de material de guerra em Tancos, um processo que está longe do fim.

Agora, Marcelo Rebelo de Sousa terá de gerir um ano com três atos eleitorais – as europeias de 26 de maio, as regionais da Madeira de 22 de setembro, e as legislativas de 6 de outubro – e já avisou os partidos políticos dos riscos de pré-campanha eleitoral, considerando que não se pode perder a coesão social. A maior dificuldade em 2019 será a gestão de agendas em plena campanha, porque manda tradição que um presidente se resguarde nesses momentos.

Seja como for, Marcelo sempre disse que “o povo é quem mais ordena”– disse-o na declaração de vitória – e será assim quando tiver de dar posse a um novo primeiro-ministro, depois das eleições de 6 de outubro.

O estilo e registo de Marcelo Rebelo de Sousa, prometidos ainda em campanha, de um chefe de Estado “dos afetos”, não agrada a todos, mas deixa um lastro de elogios, por exemplo, entre socialistas. Que não o apoiarem em 2016. É o caso de Manuel Alegre (ver peça ao lado) ou de Maria Antónia Almeida Santos. A porta-voz socialista fala a título pessoal, e não em nome do PS, mas considera que Marcelo Rebelo de Sousa “recuperou o prestígio da Presidência da República”, considerando que “é um presidente genuíno”, mesmo que não seja consensual para todos.

À esquerda, a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, classificou Marcelo como “um enigma” difícil de compreender, numa entrevista no âmbito do ciclo de conversas “30 portugueses, um país”.

A coordenadora do BE afirmou, ainda assim, que Marcelo é melhor que Cavaco Silva. “Tive oportunidade reunir com os dois sobre a atual maioria parlamentar. Cavaco Silva achava que ela não tinha legitimidade. (...) Marcelo Rebelo de Sousa nunca colocou isso em causa. E, portanto, teve um comportamento democrático”, concluiu a líder do BE.

 De facto, Marcelo já disse publicamente que não exigirá acordos escritos para acautelar uma solução governativa. Por seu turno, os comunistas não comentam o exercício presidencial, mas frisam ao i: “Importa que o exercício das suas atribuições e competências seja feito no respeito pela separação de poderes e que assuma um papel claro na defesa dos interesses e da soberania nacional”.

A família de política de Marcelo é o PSD. Na avaliação dos sociais-democratas, o dirigente nacional Álvaro Amaro considera que Marcelo “superou as expectativas mais otimistas em relação ao mandato”. E fê-lo por duas razões: foi igual a ele próprio e “claramente interventivo, mas com muita ponderação”. Em segundo lugar, Álvaro Amaro acrescenta que Marcelo “está a desempenhar um papel absolutamente relevante nos equilíbrios da sociedade portuguesa”, porque, havendo um espaço vazio, aí sim, “pode dar lugar a populismos tão prejudiciais para a sociedade”.

Do lado do CDS, o líder da bancada, Nuno Magalhães acrescentou que “o presidente está a fazer o mandato que o candidato Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que ia fazer. E isso é sempre de registar de forma positiva”. Hoje, Marcelo estará na Escola Básica e Secundária Passos Manuel para um debate com alunos e parte, depois, para o Panamá onde espera ouvir a confirmação de que as jornadas mundiais da juventude se realizam em Portugal em 2022.

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