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China. Escritora de romance erótico gay condenada a 10 anos de prisão

China. Escritora de romance erótico gay condenada a 10 anos de prisão

Dreamstime Jornal i 19/11/2018 12:48

O Supremo Tribunal chinês considera que se trata de uma “circunstância especialmente grave”

A publicação de um romance erótico, protagonizado por homossexuais, levou a que a escritora chinesa conhecida como Tianyi Liu fosse condenada a dez anos e meio de prisão, na China, por “produzir e vender material pornográfico”.

De acordo com o jornal South China Morning Post, a escritora foi condenada há um mês, mas o caso foi apenas tornado público na passada sexta-feira. No romance, Tianyi Liu retrata um caso de uma relação proibida entre um professor e um aluno. O livro de 2017 vendeu mais de sete mil cópias através da Internet.

A estação de televisão chinesa Anhui, que divulgou a sentença, considera que este é um livro “tingido de violência” e que não se trata mais do que “representações gráficas de cenas de sexo homossexual masculino”.

De sublinhar que a pornografia é ilegal na China, contudo a sentença da escritora tem sido contestada por muitos por acreditarem que a pena é demasiado pesada.

De acordo com a lei chinesa, as sentenças aplicadas a quem produz e divulga material considerado obsceno, com fins lucrativos, podem variar bastante pois depende da gravidade da ofensa. Contudo, várias pessoas apontaram para crimes como violação e homicídio, visto que muitas vezes os criminosos conseguem uma pena mais leve.

Segundo o Supremo Tribunal da China, vender mais de cinco mil cópias de livros eróticos ou fazer com a venda destes mais de 10 mil yuan (cerca de 1.200 euros) é considerado “circunstância especialmente grave”, que dá uma pena de “prisão por não menos que 10 anos”. Esta interpretação judicial foi emitida pelo mesmo órgão supremo e publicada em 1998, sendo que muitos defendem que está desatualizada.

Liu vendeu mais de cinco mil cópias e obteve um lucro de 150 mil yuan (cerca de 18,9 mil euros). “Poderia ter sido difícil vender cinco mil cópias em 1998, não havia internet na época. Mas agora não requer quase esforço”, pode ler-se nos comentários no Weibo, uma rede social chinesa semelhante ao Twitter.

 

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