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Comandos. Morte de militar no quartel levanta suspeitas

Comandos. Morte de militar no quartel levanta suspeitas

António Pedro Santos Carlos Diogo Santos 24/09/2018 09:01

Família diz que Luís Teles se queixou de que andava a ser ameaçado. Oficial de dia na tarde fatídica era um dos arguidos do caso dos comandos

Os contornos da morte do militar de 23 anos no quartel do Regimento dos Comandos, na serra da Carregueira, em Sintra, são cada vez mais complexos para a investigação, que está a cargo da Polícia Judiciária Militar. Apesar de inicialmente ter sido tornado público - foi, aliás, a versão dada à família da vítima - que Luís Teles estava à civil e que pediu uma G-3 a um colega, fazendo um disparo de seguida, o i sabe que o militar estava de serviço na passada sexta-feira. Quem estava ao comando, ou seja, o oficial de dia era um dos arguidos da investigação à morte de dois jovens no 127.o curso de comandos - que não estará impedido de exercer as suas funções. 

Confrontada ontem pelo i, fonte oficial do Exército confirmou que o oficial de serviço é um dos arguidos do caso dos comandos, que remonta a 2016, salvaguardando que “esse facto não tem implicação nenhuma com o serviço nem com o militar”. 

Na tarde da passada sexta-feira, no regimento da serra da Carregueira, Luís Teles - que foi um dos que prestara serviço na República Centro-Africana - estava de serviço ao paiol com outros dois militares e a arma usada para o disparo terá sido a sua.

Família levanta suspeitas A versão apresentada à família após a morte do militar, natural da Madeira, levantou algumas suspeitas. Segundo a mãe do jovem e a cunhada explicaram à RTP, a má notícia chegou no próprio dia, perto das 23h30, através de uma psicóloga, um padre e dois militares.

 Ambas garantem que os enviados lhes disseram que Luís Teles estava à civil e que pediu a um colega a sua G-3, tendo efetuado de seguida o disparo fatal. Mas a tese não colheu junto das duas mulheres, que questionam mesmo o sentido desse comportamento: “Como é que um militar empresta uma arma sem saber para o que é?”

Mas mais do que o que não lhes faz sentido, a cunhada do comando revelou que, nas últimas férias que passou na Madeira, Luís Teles terá contado a amigos próximos que estava a ser alvo de ameaças de um colega.

A Polícia Judiciária Militar, que já esteve no local a recolher provas e a falar com os militares, está agora a analisar todas estas versões, algumas contraditórias. E sobre tal investigação, o Exército não presta qualquer esclarecimento. “A PJ Militar não responde ao Exército, pelo que não temos nada a dizer sobre isso”, afirmou ontem ao i fonte oficial.

Logo após a morte de Luís Teles, o Exército publicou na sua página na internet um comunicado onde lamenta a morte do militar, sem dar grandes pormenores sobre a forma como a mesma aconteceu.

“É com pesar que o Exército informa que hoje, pelas 19h42, faleceu no Regimento de Comandos, um militar Comando decorrente de um ferimento causado pelo disparo de uma arma de fogo”, referia a nota, acrescentando que “foram acionados os procedimentos de emergência médica e as autoridades competentes para averiguar o ocorrido”.

A concluir reafirmava-se que “o Exército lamenta o falecimento do militar estando a acompanhar a situação” e que a família já tinha sido “informada do trágico acontecimento, tendo sido acionado o apoio psicológico”.

 

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