19/11/18
 
 
José Paulo do Carmo 18/05/2018
José Paulo do Carmo

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Bruno, o Irmão Metralha

Nas famosas histórias aos quadradinhos que a Disney eternizou existia uma quadrilha de ladrões, trapalhões e maldosos que davam água pela barba ao Tio Patinhas, Mickey e Coronel Cintra mas que acabavam sempre com resultados frustrantes e inócuos. É também esse o caso de Bruno de Carvalho. Referi aqui, há uns meses, que tal qual o Manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros, se Pedro Guerra era do Benfica, eu queria ser de outro clube qualquer. Chega-nos, por isso, agora, em formato “cereja em cima do bolo”, o cheiro fétido daquilo em que se tornou o futebol português: uma autêntica lixeira a céu aberto.

Parece-me, no entanto, que ainda vamos no princípio da novela e muitas cenas do enredo estarão ainda por contar. Parece-me, contudo, estranho, mesmo com todas as ameaças que sei estarem a ser feitas, só agora a restante direção e órgãos do clube estarem a acordar do estado de letargia reinante. Ficarão, por isso, muitos deles, por muito que saltem agora do barco, indissociavelmente ligados a toda esta vergonha nacional. Deixarem chegar a este estado não tem qualquer tipo de desculpa perante um personagem que ficará para sempre ligado ao lado mais negro do Sporting Clube de Portugal e do desporto do nosso país. Não sejamos ingénuos: a falta de caráter e as atitudes abjetas deste escroque sentem-se ao longe, por isso mesmo não venham agora dizer que foram enganados.

Caem assim as últimas bandeiras de um clube que pouco tem ganho mas que se arrogava ser o campeão da transparência e da verdade desportiva e com uma massa associativa educada, culta e pacífica. E é um verdadeiro nojo ver o que este presidente fez a tantos e tantos adeptos que amam verdadeiramente o clube e que sofrem com tudo isto, que se sentem enganados por terem acreditado num mitómano e nos seus capangas, num arruaceiro sem nível que se vai agarrar ao poleiro como última tábua de salvação e a quem auspicio um fim nada agradável de se ver. Porque a História mostra--nos que quando alguém cai, desaparecem muitas das mãos que o sustentavam e que a mesma boca que serviu para o defender servirá, dentro de pouco tempo, para “lhe cuspir” em cima sem dó nem piedade.

Iremos dentro de pouco tempo perceber quem este ser sem escrúpulos levará no barco com ele, porque isto não irá acabar aqui e porque os esquemas de corrupção, a serem provados, supostamente irão desaguar no presidente. Será por isso fácil descortinar que o Irmão Metralha estará destinado a ver, também ele, o céu aos quadradinhos dentro de pouco tempo. É que, segundo sei, ainda muito estará por se saber. O Sporting, esse, irá passar um mau bocado, mas jamais acabará. Porque os grandes são movidos pela paixão e por uma força interna que não é do domínio das palavras. Sente-se e pronto.

Urge, por isso, começar a reconstruir o que se estragou, e que sirva de lição para o futuro. Que se faça de vez uma limpeza neste e noutros clubes porque a dinâmica está toda errada e estarão todos envolvidos de uma forma ou de outra.

É tempo de respeitarem mais quem sofre por este desporto apaixonante, sobretudo os milhares de crianças que adormecem todos os dias com o equipamento vestido e que choram pela sua cor. Está na altura de mudarem as mentalidades e os costumes. Parem de chafurdar na lama, que o exemplo não pode ser este. Quanto ao Bruno, “é chato” mas vai embora para nunca mais voltar. Se queria ficar com o epíteto de maluco, perdeu-se pelo caminho. Fica com o de burro que teve tudo e não soube aproveitar.

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