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Offshores. Ex-líderes do CDS criticam silêncio de Paulo Portas

Offshores. Ex-líderes do CDS criticam silêncio de Paulo Portas

Ricardo Castelo Luís Claro 15/03/2017 07:54

Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro defendem que o ex-vice-primeiro-ministro tem a obrigação de falar sobre a polémica que envolve Paulo Núncio 

Os ex-líderes do CDS, Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro, defendem que Paulo Portas deve dar a cara no caso dos offshores. Paulo Núncio assumiu a “responsabilidade política” pela não publicação dos dados sobre transferências financeiras para paraísos fiscais, mas os dois ex-líderes do partido defendem que Portas, que era o presidente do CDS nessa altura, tem o dever de dar esclarecimentos sobre esta polémica.

“Se um braço-direito meu fosse objeto do ataque de que está a ser alvo Paulo Núncio, eu já me teria chegado à frente para defender a sua honra e esclarecer o que fosse preciso esclarecer”, diz, em declarações ao i, Ribeiro e Castro.
O ex-líder centrista considera que não é “correto” que Portas, que “era presidente do partido na altura e vice-primeiro-ministro, não apareça a defender a honorabilidade do seu secretário de Estado, que era muito próximo, e também a posição política do partido”.

Ribeiro e Castro defende ainda que não é “justo” que a atual presidente do CDS seja a única a dar a cara pelo partido na polémica relacionada com as offshores. “Assunção Cristas vai ter provas eleitorais exigentes este ano e pode pagar algum preço por isso. Ele não. A presidente do partido tem feito bem do ponto de vista institucional, acho que o ex-presidente do partido faz muito mal em fazer-se de morto. Tem a obrigação de dar o seu testemunho. É o mínimo que se exige”.

A mesma posição tem Manuel Monteiro. O ex-líder do CDS, que saiu do partido em ruptura com o caminho traçado por Paulo Portas, considerou que não é “correto que o presidente do PSD tenha falado, que a atual presidente do CDS tenha falado – ela fez aquilo que devia fazer – e que o anterior presidente do partido não abra a boca”.

Monteiro garante ao i que se estivesse no lugar de Paulo Portas já teria dado explicações sobre a polémica que envolve o ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. “Se um membro da minha equipa e da minha confiança estivesse nesta situação eu já teria falado”. A possibilidade de Paulo Portas ser chamado ao parlamento já foi admitida pelo Bloco de Esquerda e PCP.

Paulo Núncio deverá voltar à Assembleia da República para dar mais explicações sobre este caso. O PS já entregou o requerimento a pedir a ida ao parlamento com urgência do ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

debate junta ex-líderes

Três ex-líderes do CDS vão encontrar-se para debater o futuro da democracia-cristã. A conferência é promovida pela tendência do CDS “Esperança em Movimento” e junta, pela primeira vez, Adriano Moreira, Manuel Monteiro e Ribeiro e Castro.

Ao i, Abel Matos Santos – um dos promotores do encontro que tem como titulo “Democracia-Cristã. Contem-nos lá” – explica que este debate, que vai realizar-se no dia 25 de Março, pretende ser “um espaço de reencontro e de reflexão para a conquista do futuro”, porque “é tempo de reunir, de reconciliar e de conquistar o futuro”. 

Esta corrente de opinião pretende “defender o nosso ideário fundacional e afirmar a nossa identidade democrata-cristã, os seus valores e os seus princípios”, diz Abel Matos Santos, garantindo que esta tendência não tem nada “contra qualquer líder ou liderança”.

Manuel Monteiro confessa ao i que aceitou o convite sem qualquer hesitação, porque o objetivo é promover “o retorno ao debate ideológico e é de louvar, num momento em que vivemos num deserto de ideologias, que essa discussão possa acontecer”.

Monteiro considera que “a direita, pelo menos a direita conservadora, tem a obrigação de recolocar questões que parecem ser apenas bandeiras de uma determinada esquerda e que nunca foram património dessa esquerda”. O ex-líder do CDS defende que “a iniciativa privada voltada para a produção e para a criação sustentada de riqueza foi sempre um património da direita, mas a direita tem vindo a perder esse património, porque é apenas identificada com a riqueza financeira e isso é negativo e afasta a essência do pensamento democrata-cristão”.

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