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A mais recente acrobacia do Cirque du Soleil
Bruno Simões Castanheira

A mais recente acrobacia do Cirque du Soleil

Bruno Simões Castanheira Cirque du Soleil Maria Ramos Silva 22/04/2015 12:27

Em 1984, Guy Laliberté fundava no Canadá uma pequena companhia de novo circo. Mais de 30 anos depois, os investidores texanos e chineses inauguram uma nova era

Em 1534 os europeus chegavam ao Canadá. Quatrocentos e cinquenta anos depois da descoberta de Jacques Cartier, a trupe de 20 artistas de rua Le Club des Talons Hauts assinalava a efeméride na cidade do Québec com um espectáculo especial encomendado para a ocasião. O grupo criado pelo então acordeonista Guy Laliberte continuou a caminhada no arame e em 1984 nascia como Cirque du Soleil. Em 2015 é a China que chega a Montreal, para um número fora do palco que vale muitos e muitos mais números. A texana TPG Capital e o gigante chinês Fosun Group tornam-se os principais accionistas da empresa canadiana, numa operação já classificada como “o fim de uma era”. O visionário, e entretanto milionário, Laliberté, que contou com Daniel Gauthier na fundação do projecto, mantém uma participação minoritária.
“Há 30 anos a construir a marca Cirque du Soleil, encontrámos por fim os parceiros certos para levar o grupo para o nível seguinte, baseados na convicção de que a combinação das artes e do negócio podem contribuir para um mundo melhor”, defendeu em comunicado.

Um mundo virado a oriente, mercado para onde a companhia, que em 2014 voltou a passar por Portugal, com o espectáculo “Quidam”, planeava há muito expandir-se. O objectivo fica mais perto de se concretizar uma vez firmado o acordo com o Fosun, detido pelo investidor Guo Guangchang, considerado o “Warren Buffet chinês”, mas não faltam lesões no currículo da casa, esperando-se uma boa dose de desafio pela frente.

A empresa, que ao longo de três décadas cresceu dos 73 elementos que animavam os espectáculos na década de 80 para os cerca de 4 mil empregados (1300 dos quais artistas),  viu-se forçada a aderiu ao sistema de layoff em 2012. No ano seguinte, nova contrariedade. Um dos acrobatas não sobreviveu a um acidente em Las Vegas e a companhia, que gera em média mil milhões de euros de receitas anuais, foi alvo de pesada multa.

Desde 1984 actuaram para mais de 160 milhões de espectadores em cerca de 50 países, contagiando as plateias com os sofisticados números de novo circo, música ao vivo, acrobacias de sonho, vestuários próprios e cenários deslumbrantes.  Uma série de adjectivos que poderá não chegar para convencer à primeira o público chinês, familiarizado com a tradição desta arte no seu país, que em 2013 assistiu a um episódio embaraçoso. Durante a digressão, parte do público não acolheu da melhor forma a exibição da imagem icónica dos protestos na Praça de  Tiananmen em 1989.

A Quartz recorda como o Cirque du Soleil viu encurtado o seu contrato de dez anos com as salas de Macau, “depois de três anos e meio de receitas de bilheteira impressionantes”. Em 2013, em território europeu, e apesar da popularidade constante, as apresentações renderam menos 55 milhões de euros, uma queda de 37% em relação às habituais receitas.
O mais recente cenário, mais um passo na conversão de um conjunto de artistas numa máquina de entretenimento à escala mundial, organiza-se assim: 20% da empresa cabe à Fosun, a TPG irá controlar 60% e o fundo canadiano Caisse de dépôt et placement du Québec garante 10%. Sobram outros 10%, que ficam nas mãos de Guy Laliberté, o homem de 55 anos que cuspia fogo, gosta de póquer, já foi ao espaço, e que a “Forbes” apontou como o 11.o canadiano mais rico do mundo.

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