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108 mil jovens estão inscritos em partidos políticos

108 mil jovens estão inscritos em partidos políticos

09/10/2014 00:00
JSD é a juventude partidária com mais militantes. São mais de 53 mil e quase metade ainda não tem idade para votar

Mais de 108 mil jovens portugueses estão inscritos numa juventude partidária. A JSD é de longe a que tem mais militantes, apesar da impopularidade do governo entre muitos jovens, que estão a pagar a crise com o elevado desemprego e a emigração. De acordo com os dados disponibilizados ao i por estas estruturas partidárias, os jovens sociais-democratas têm 53 235 filiados - quase metade do total dos jovens inscritos numa jota -, a Juventude Socialista tem 32 mil e a Juventude Popular (do CDS) ultrapassa os 18 mil militantes. Já a Juventude Comunista estimou cinco mil militantes no seu 10º Congresso, em Abril, em que cada um dos 500 delegados eleitos representava dez militantes.

O perfil do jovem que decide pertencer a uma juventude partidária não é difícil de traçar: são estudantes, licenciados e mestrandos e pertencem sobretudo às grandes cidades, como Lisboa, Porto, Braga ou Coimbra. A idade média situa-se entre os 22 e os 24 anos.

Curiosamente, uma boa parte dos jovens que se interessa pela política ao ponto de se inscreverem numa juventude partidária tem menos de 18 anos. Na JSD e na JCP, por exemplo, mais de 43% dos militantes ainda não tem idade para votar.

Quando os partidos escolhem ter uma estrutura autónoma para a sua juventude, as mulheres e os homens tendem a equilibrar-se. A juventude comunista diz que a paridade é total, mas em geral os homens têm (uma pequena) prevalência: constituem 58% da Juventude Popular e cerca de 60% da JSD. E também são em maior número na JS.

o que atrai os jovens As juventudes não fornecem dados que permitam apurar se o número de militantes está a aumentar ou a diminuir. Entre os que estão nas jotas e os que por lá passaram as opiniões dividem-se. Pedro Delgado Alves, que liderou os jovens socialistas, diz que a participação nas juventudes é "muito menor do que há 20 anos", pois a participação política já "não é canalizada pelos meios tradicionais". Para combater o afastamento dos jovens dos partidos, há que apostar em "agendas que digam respeito à juventude", mas estas não são as que dão "atenção mediática", diz o deputado socialista.

Duarte Marques, que esteve seis anos - entre 2006 e 2012 - na direcção da JSD, tem outra opinião. "Os jovens estão mais interessados que nunca", diz ao i, acrescentando que surge agora uma "vaga de participação jovem só comparável ao período do pós-25 de Abril, porque os jovens viram muitas decisões que os influenciaram serem feitas sem eles". O ex-líder da JSD cita o exemplo da Grécia, de Hong Kong, da Primavera Árabe, da Ucrânia, como exemplos em que os jovens tomaram as rédeas. Tal como está a acontecer em Portugal, onde "as juventudes adormecidas" acordaram.

Outro ex-líder da JSD concorda que há actualmente uma maior participação dos jovens. As juventudes não perderam peso ou atracção, "muito pelo contrário", diz Pedro Rodrigues. O actual presidente, Hugo Soares, tem mesmo dúvidas de que a juventude do PSD tivesse mais militantes "quando estava mais na moda", ou seja, "quando Passos Coelho foi líder da jota".

Mas há um senão: "É cada vez mais difícil captar a atenção dos jovens e dos cidadãos". Há agora muito mais instrumentos de participação cívica, e os jovens exprimem e lutam pelas suas opiniões não (só) em juventudes, mas nas redes sociais, nos blogues ou nas associações cívicas. Estas formas, mais próximas e fáceis, levam a uma maior participação cívica mas a um menor contacto com as juventudes, o que faz com que seja "muito mais exigente fazer política do que há 20 ou 30 anos" tanto para os partidos como para as juventudes, que se têm que "adaptar a esta nova realidade", diz Pedro Rodrigues.

BE SEM JUVENTUDE O BE escolheu, desde o início, não ter jota e os jovens inscrevem-se directamente como militantes do partido. Isto porque as "causas da juventude são causas do Bloco no seu todo", diz José Soeiro, ex-deputado do BE. Defende também que o Bloco é diferente dos "partidos do sistema", onde as juventudes "dizem aquilo que os partidos não têm coragem de dizer" - dizem aquilo que pode ficar bem a uma faixa etária, mas não ao partido. Nos partidos em que as juventudes são uma estrutura autónoma existe "instrumentalização" das "jotas" nos períodos eleitorais para uma campanha mais agressiva, diz ainda o ex-deputado.

 

“A JSD tem de tudo. Desempregados, pescadores ou estudantes”
Hugo Soares, Presidente da JSD

A JSD é a juventude claramente com mais militantes. O que a diferencia?
Em causa própria é sempre difícil fazer o julgamento... Mas penso que se deve à maior tradição política em Portugal. A autonomia da jota do partido é atractiva para os jovens. A representatividade local, a JSD estar presente localmente, permite uma maior proximidade. A adesão dos jovens deve-se às oportunidades de formação política e de cidadania que fornecemos, não só do Conselho Nacional mas principalmente das concelhias, quer seja formação autárquica, para os quadros europeus ou a Escola de Verão, uma excelente iniciativa. Também as iniciativas locais de cariz solidário trazem gente que não estava ligada para a participação política, que aí inicia a vida nas jotas.

Estes 52 mil jovens são o pico de militantes inscritos na JSD?
Não tenho os dados para comparar, mas posso-lhe dizer que quando a JSD esteve mais na moda – não sei se tinha mais militantes – foi quando o Passos Coelho foi o líder da jota.

Como é que a juventude reage às políticas de austeridade do governo?
Com dificuldade, como todos os portugueses e com a consciência de que estas medidas foram a cura para a doença que dura há mais de 10 anos no país. As medidas de austeridade não são fáceis, são muito difíceis. A JSD apoia o governo mas discorda quando necessário, parcial ou totalmente, como já aconteceu, mantendo a sua autonomia do PSD.

Como reage às críticas às juventudes, acusadas de serem formas de os jovens arranjarem emprego?
Quem o diz provavelmente não sabe o que diz e nunca passou por uma juventude partidária. É verdadeiramente inacreditável. A JSD tem 50 mil militantes, desempregados, pescadores ou estudantes, a JSD tem de tudo, assim como a sociedade tem de tudo e bom era se pudéssemos ter todos empregados. Esses comentários são um atentado fortíssimo à participação política dos jovens, num momento em que se critica o afastamento dos jovens da política. São comentários vindos claramente de quem não conhece as juventudes partidárias.

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