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Beatas de cigarro. Converter a praga das ruas em fonte de energia

Beatas de cigarro. Converter a praga das ruas em fonte de energia

12/08/2014 00:00
Todos os anos são deitadas para o chão 5,6 triliões de beatas. Investigadores sul-coreanos garantem ter encontrado maneira de fazer desse lixo uma nova fonte de energia

Por muitos caixotes de lixo e cinzeiros de rua que se instalem pelos passeios, atirar a beata ao chão é quase tão frequente como acender o cigarro. Prova disso são as 5,6 triliões de pontas atiradas anualmente para os passeios em todo o mundo, o equivalente a quase 767 toneladas. O problema afecta sobretudo cidades populosas, mas um grupo de investigadores sul-coreanos garante ter encontrado uma forma de converter essa praga urbana numa fonte de energia alternativa.

Num estudo publicado esta semana na revista "Nanotechnology", os cientistas da Universidade Nacional de Seul descreveram um processo que permite transformar os filtros num material que pode ser utilizado por computadores, veículos eléctricos e torres eólicas para armazenar energia. O material do qual são compostos os filtros - à base de fibras de acetato de celulose - é considerado tóxico e um risco para o meio ambiente quando descartado. Os investigadores querem agora provar que esse mesmo material pode ser transformado de modo a revestir os eléctrodos dos supercapacitadores - os componentes com capacidade para armazenar grandes quantidades de energia - para que depois possa ser usado em máquinas eléctricas.

A transformação é feita com base numa técnica de combustão chamada pirólise, da qual resulta material com um número considerável de pequenos poros, que aumentam o seu desempenho como supercapacitador. "A nossa pesquisa mostra que os filtros dos cigarros podem ser convertidos num material de alto desempenho à base de carbono, que oferece, em simultâneo, uma solução mais ecológica para a procura de novas formas de energia", explicou Jongheop Yi, um dos autores do estudo.

Os supercapacitadores são compostos essencialmente por carbono e apresentam como vantagens o baixo custo, grande área superficial, boa condutividade eléctrica e grande estabilidade a longo prazo. Ao contrário das baterias convencionais, requerem apenas alguns segundos para carregar e podem alimentar sistemas de ar condicionado, GPS, rádio e outros dispositivos automóveis. Estes benefícios estão a levar investigadores de todo o mundo a estudar formas de melhorar as potencialidades destes dispositivos, nomeadamente a potência, a estabilidade, ao mesmo tempo que se estudam formas de reduzir os custos de produção.

Papel e plástico A dificuldade em pôr fim à quantidade de cigarros que acabam nas ruas, tem levado à procura de alternativas para a sua reutilização. No Brasil, um grupo de estudantes aproveitou as beatas para fazer papel. Depois de aprofundarem o conhecimento em alguns processos químicos, descobriram uma forma de tirar o odor a fumo das beatas e transformá-las em pasta de celulose. Segundo os estudantes de São Paulo, cerca de 200 gramas de beatas, o equivalente a 300 unidades, permite produzir sete folhas de papel em tamanho A4.

Na Hungria, o activista Tom Szaky desenvolveu um projecto de reciclagem de beatas, para que seja possível transformá-las em plástico. O ecologista incentiva os consumidores, empresas e lojas a juntar quantidades de pontas de cigarros e envia-las pelo correio. Depois, o material é esterilizado, dissecado e transformado em plástico. Com o produto final, Szaky criou objectos como cinzeiros e caixotes do lixo.

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