Tarifas de Trump prejudicam todos, advertem construtores automóveis europeus

Tarifas de Trump prejudicam todos, advertem construtores automóveis europeus


Na quarta-feira, Donald Trump anunciou que as novas tarifas serão aplicadas a “todos os carros não fabricados nos Estados Unidos” a partir de 2 de abril. A taxa aplicada até agora era de 2,5%. Isso significa que os carros importados agora serão taxados em 27,5% do seu valor


A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) advertiu esta quinta-feira  que as tarifas de 25% sobre carros fabricados fora dos EUA, instituídas pelo Presidente Donald Trump, terão um impacto negativo global no setor. Os fabricantes norte-americanos também sentirão o impacto. 

“Pedimos ao Presidente Trump que considere o impacto negativo das tarifas, não apenas sobre os fabricantes globais, mas também sobre a indústria nacional dos EUA”, disse a diretora-geral da ACEA.

Segundo Sigrid de Vries, as tarifas não afetarão apenas as importações para os EUA, uma penalização que deverá ser suportada pelos consumidores locais. As medidas sobre peças para automóveis também prejudicarão os fabricantes que produzem carros nos EUA para mercados de exportação. 

A fabricante norte-americana Tesla reconheceu que não será poupada à política tarifária implementada pela administração norte-americana. 

“É importante notar que a Tesla não saiu ilesa deste problema. O impacto das tarifas na Tesla continua a ser significativo”, disse Elon Musk, dono da Tesla e conselheiro de Donald Trump. 

As medidas poderão afetar a empresa de Musk se os outros países afetados aplicarem as mesmas tarifas aos produtos dos EUA, mas também devido às tarifas impostas às importações de componentes automóveis.

Os fabricantes de automóveis alemães também criticaram o aumento das taxas alfandegárias sobre automóveis, decidido na quarta-feira pelo Presidente dos EUA considerando-as “um sinal fatal para o livre comércio”.

Os 25% de taxas alfandegárias adicionais “representam um fardo considerável para as empresas e cadeias de fornecimento globais” na indústria automóvel, “com consequências negativas, especialmente para os consumidores, inclusive na América do Norte”, considerou a Associação Alemã de Fabricantes de Automóveis (VDA), em comunicado.

“As consequências serão sentidas no crescimento e na prosperidade de todos os lados”, acrescentou a VDA. A associação pede aos EUA e à União Europeia (UE) que entrem rapidamente em negociações para encontrar uma “abordagem mais equilibrada”, alertando que o “risco de um conflito comercial global” é “alto em todos os lados”. 

Na quarta-feira, Donald Trump anunciou que as novas tarifas serão aplicadas a “todos os carros não fabricados nos Estados Unidos” a partir de 2 de abril. A taxa aplicada até agora era de 2,5%. Isso significa que os carros importados agora serão taxados em 27,5% do seu valor.

A reação à decisão de Donald Trump foi imediata na Ásia, com o Japão e a Coreia do Sul a responderem com tarifas de 16% e 15%, respetivamente, do total de importações de automóveis dos EUA.

O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, disse esta quinta-feira que responderá “apropriadamente” às novas tarifas impostas pelos EUA sobre o setor automóvel “com todas as opções disponíveis”.

O Japão é particularmente vulnerável. No ano passado, os automóveis representaram 28% das exportações japonesas para os EUA, ou 1,35 milhões de veículos, no valor 40 mil milhões de dólares.

Cerca de 2% do PIB do Japão depende das exportações de bens para os EUA e a indústria automóvel é um pilar fundamental da economia do arquipélago, onde cerca de 10% dos empregos estão ligados ao setor.