Coreia do Norte. Foi uma bomba mas não H

Coreia do Norte. Foi uma bomba mas não H


Ensaio nuclear foi condenado internacionalmente. Mas à medida que as horas passaram, percebeu-se que a bomba H não existia. Apesar disso, o Conselho de Segurança da ONU prepara nova resolução para intimidar a Coreia do Norte  


Primeiro, chegaram as notícias e as reações em tom alarmado. Pyongyang tinha feito um teste com uma miniatura de uma bomba H – um dispositivo ainda mais devastador que uma bomba atómica.

Mas não foi preciso esperar muito para os principais meios de comunicação internacionais começarem a questionar a veracidade da notícia anunciada em tom entusiasmado por uma apresentadora da televisão estatal norte-coreana. O “país juntou-se orgulhosamente às fileiras de países que possuem armas nucleares avançadas, nomeadamente a bomba H”.

Alguma coisa aconteceu a nordeste da capital, relativamente perto da Rússia e da China. Um abalo “sísmico fora do normal” foi detetado pelos sistemas de vigilância da Comissão Preparatória do Tratado para a Proibição Total de Ensaios Nucleares (CTBTO), cerca da 1h30 da manhã de terça-feira, tendo rapidamente percebido que a origem do abalo estava “na região de ensaios nucleares da República Popular da Coreia”. O sismo foi da mesma intensidade de outro assinalado pela CTBTO em fevereiro de 2013, também um ensaio nuclear reclamado pelo regime de Kim Jong-un: 5.1 na escala de Richter.

Habitualmente os testes são realizados no subsolo, com o dispositivo enviado através de um tunel e monitorização à superfície. Num desafio às proibições ocidentais, Pyonyang já conduziu outros testes, sendo este o quinto nos últimos dez anos (2006, 2009 e 2013)

As dúvidas sobre ter sido efetivamente uma bomba H começaram na Coreia do Sul. “Não parece ter sido um teste de uma bomba de hidrogénio” considerou um responsável militar do país, citado pelo “Korea Times”. Explicou que “a energia libertada durante testes com bombas de hidrogénio conduzidos pelos EUA e na antiga União Soviética foi de entre 20 a 50 megatoneladas de TNT. No teste de hoje mediram-se apenas seis quilotoneladas, um valor que não parece provir de uma bomba H”. Este responsável colocou a possibilidade de ter sido detonada uma bomba prévia a esta, de fissão nuclear.

Também dos EUA chegou – oficialmente – a mesma tese. Em conferência de imprensa, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que “as análises iniciais não são consistentes com uma bomba H” e que nada nas “últimas 24 horas fez os EUA alterarem a sua posição quanto à capacidade técnica e militar da Coreia do Norte”.

Bomba H ou outra nuclear, o teste norte-coreanos foi criticado internacionalmente e até pela China, o seu habitual parceiro. O Conselho de Segurança da ONU reuniu de emergência e “condenou veementemente” o teste. Recordou ainda que o Conselho já tinha anunciado a intenção de decidir “significativas medidas adicionais” caso Pyongyang avançasse com outro teste nuclear, e que, face ao sucedido vai começar já a trabalhar numa nova resolução.

teresa.oliveira@ionline.pt