Bernardo Theotónio-Pereira
O Presidente esteve bem e à altura do desafio traiçoeiro que o Primeiro-Ministro propôs.
O Presidente esteve bem nos avisos expostos, sem tabus.
O Presidente esteve bem na forma e no conteúdo com que se dirigiu à Nação.
Poderíamos querer mais, com legitimidade. Mas como e para quê se temos uma maioria recentemente eleita e que tem obrigação moral de cumprir o programa que prometeu aos Portugueses?
Os políticos nem sempre são o que deviam ser. Eu prefiro uma política genuína, patriótica e ao serviç.
E quem julga que o Primeiro-Ministro para ter feito o que fez, e pior, com as intenções próprias que quis e fez, poderá estar certo, eu considero medíocre.
É a mediocridade dos que se julgam “génios”.
Considero que o que fez o Presidente está certo.
Considero que o que fez o Presidente é e será histórico.
O Presidente está a exigir, e bem, que o Primeiro-Ministro e o Partido Socialista cumpram o mandato a que estão obrigados, apesar de todo o mal que têm feito por poder e por oportunismo.
O Presidente está a salvar Portugal do socialismo.
E Portugal precisa de se salvar do Estado “vazio” (sem rumo e ética) que se tem tornado.
Poderemos perguntar e interrogar se poderia fazer mais? Poderia, está claro.
Aliás, o semi-presidencialismo permite amplitudes criativas, como ficou provado pelo exemplo e sentido de Estado demonstrado pelo Presidente.
Mas vejamos, o Presidente, poderia, por exemplo, chamar o presidente do Partido Socialista (o partido de maioria parlamentar sólida) e sugerir um novo Governo sem António Costa.
Poderia.
Poderia, também, exigir um novo Governo, sem António Costa, mesmo sem novas eleições.
Poderia.
E António Costa pode ter a dignidade de se demitir, mas o Presidente pode não aceitar a demissão.
Pode.
E mesmo com novas eleições, poderia, também, sempre, não aceitar António Costa como Primeiro-Ministro.
Poderia.
Mas todas estas possibilidades seria o que a “garotagem” do Partido Socialista gostaria.
Contudo, o exercício do poder, muitas vezes, não é, apenas, o que é legal ou possível constitucionalmente.
O Presidente ousou e exigiu mais. Exigiu que quem tem a responsabilidade democrática que cumpra e que tudo faça para resolver a Vida dos Portugueses.
Espero que tudo melhore e que o Governo se renove com novos membros, sem cacicagem, e para o bem de Portugal.
E que, no fim, respeitemos e reconheçamos o valor do Presidente que temos.
Porque, um Presidente de Portugal não deve nem pode ser óbvio. Um Presidente de Portugal tem de pensar o melhor e perspectivar o futuro de Portugal.
O regime está podre mas, pior, está “vazio”. Isto é, o Estado actual já não responde nem garante o respectivo propósito.
Por isso, depois do “Estado Novo”, vivemos, agora, o “Estado Vazio” que precisamos de mudar.
Reforço, “com as mesmas premissas não podemos esperar resultados diferentes”.
Resta-nos exigir mais e saber que temos no Presidente a garantia da dignidade e responsabilidade política.