28/09/2022
 
 

Uma vénia aos manifestantes russos e iranianos

As imagens que nos chegam do Irão também merecem o meu respeito e admiração, pois os milhares que se manifestam nas ruas, com alguns exageros, é certo, sabem também que a prisão aguarda por eles. E prisão significa tortura, muitas das vezes até à morte.

O recrutamento de 300 mil voluntários à força que Putin ordenou parece estar a mexer seriamente com a população que estava habituada a ver a guerra na Ucrânia sentada no sofá. O melhor exemplo é dado pelo filho do porta-voz do Kremlin que caiu numa armadilha montada pela oposição do ditador vermelho. Nicolai Peskov, de 32 anos, recebeu uma chamada a convocá-lo para se apresentar, mas o filho de Dmitry Peskov, um sósia do antigo jogador polaco Boniek, puxou dos galões e disse que só ia se Putin o ordenasse pessoalmente, até porque não se enquadra na categoria de reservista. Independentemente de como esta história pessoal irá acabar, sabe-se que são muitos os russos que tentam abandonar o país, pois não querem ser enviados para a frente de combate. De carro, de avião ou de barco, são aos milhares os que procuram fugir - havendo relatos de cidadãos recambiados para trás nas fronteiras. Também uns tantos milhares têm-se manifestado na rua contra o agudizar do conflito, acabando muitos por serem presos e eventualmente enviados para a Sibéria. Admiro a coragem daqueles que conseguem enfrentar as forças de Putin, pois sabem perfeitamente o que os espera: agressões e prisão.

Mudando de país, as imagens que nos chegam do Irão também merecem o meu respeito e admiração, pois os milhares que se manifestam nas ruas, com alguns exageros, é certo, sabem também que a prisão aguarda por eles. E prisão significa tortura, muitas das vezes até à morte. E porque se mobilizam milhares de homens e mulheres, um pouco por todo o país? Porque estão solidários com Amjad Amini, uma rapariga que teve o azar de ter um pouco do cabelo à mostra, tendo sido presa pela polícia dos costumes, acabando por morrer, supostamente vítima de agressões brutais - fala-se mesmo que terá sido assassinada com tiros na cabeça. Oficialmente já morreram 30 pessoas, mas acredita-se que o número será muito superior. “Não ao lenço, não ao turbante, sim à liberdade e à igualdade”, gritam os manifestantes. Claro está que o regime, à semelhança de alguns cérebros lusitanos, alega que os EUA estão por detrás destas manifestações. Amjad Amini poderá ficar como um símbolo da liberdade do país dos aiatolas.

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