03/12/2022
 
 
Mau tempo. "Foi demasiada chuva num curto espaço de tempo"

Mau tempo. "Foi demasiada chuva num curto espaço de tempo"

Facebook Nelson Brito Maria Moreira Rato Marta F. Reis 14/09/2022 08:02

Presidente da junta de freguesia de Massamá e Monte Abraão, uma das zonas ontem alagadas, diz que houve limpezas nos últimos dias. Em Manteigas, detritos dos fogos contribuíram para rasto de destruição.

Por Maria Moreira Rato e Marta F. Reis

Ruas alagadas, aluimento de terras e queda de árvores. O cenário repetiu-se ontem em vários pontos do país perante o agravamento da situação meteorológica. Depois de uma segunda-feira com poucas ocorrências, as trombas de água fizeram estragos e pelo menos uma vítima grave em Oeiras, um homem arrastado pela força da água quando estava numa paragem de autocarros em Barcarena, tendo sofrido uma paragem cardiorespiratória. 

Ao i, Pedro Brás, presidente da contígua união de freguesias de Massamá e Monte Abraão, onde houve várias ruas alagadas, garante que nos últimos dias tinha havido ações de limpeza dos sumidouros: “das várias situações que temos tido, esta foi talvez a mais inesperada. A ribeira [de Barcarena] transbordou e a altura ainda é grande – seria difícil evitar o que aconteceu”, defende. “Foi demasiada chuva num curto espaço de tempo”, justifica, remetendo para a autarquia um plano maior de preparação para este tipo de fenómenos. 

Em declarações à CNN Portugal, o comandante dos Bombeiros de Barcarena sublinhou que esta é uma situação recorrente nesta zona: “Temos conhecimento que a Câmara de Oeiras e de Sintra estão em conversações. Enquanto não surge o plano nestas grandes chuvas não há escoamento de água”, defendeu. 

A meio da tarde, a zona da rotunda alagada na saída do IC19 para Massamá e Barcarena já não tinha água, fruto do escoamento natural. Pedro Brás considera que é sinal de que está a funcionar, admitindo no entanto que para alguns cenários de chuva torrencial, como o que se verificou ontem pelas 9h da manhã, é insuficiente: “São fenómenos extremos que nos preocupam porque irão tornar-se mais frequentes”.

A Norte, em Manteigas, os ecos de um rasto de destruição chegaram ainda de madrugada, pelo presidente da câmara, que ativou o plano de emergência municipal pelas 3h. “Os danos são enormes, várias viaturas foram arrastadas pela força da água, temos casas e negócios afetados, estradas, iluminação pública, infraestruturas de água e saneamento, equipamentos desportivos e lúdicos, entre outros”, escreveu Flávio Massano nas redes sociais. 

Ao i, Pedro Araújo, comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, indicou que ao final da tarde contabilizavam-se 872 ocorrências relacionadas com o atual estado de alerta, a maioria esta terça-feira e no distrito de Lisboa. “Quanto à tipologia, tivemos 391 inundações, 227 quedas de árvores, 74 quedas de estruturas, 157 limpezas de vias. Em Oeiras, uma vítima grave, por arrastamento com força de água (arrastado para uma ribeira, foi resgatado), um homem de 30 anos”, destacou. 

Consequências dos incêndios da serra à vista Pedro Araújo sublinhou ainda que a situação registada na freguesia de Sameiro, em Manteigas, foi “muito particular” e decorre dos incêndios vividos na Serra da Estrela em agosto. 
“Tem a ver com as vertentes do complexo montanhoso que arderam entre os distritos de Castelo Branco e a Guarda e a precipitação que ocorreu desde madrugada levou a que ocorresse esta situação na Ribeira do Vale do Sameiro. Criou-se obstrução, inundou a baixa da freguesia do Sameiro, inundou veículos, habitações, o complexo desportivo, etc. A CM de Manteigas ativou o plano de emergências às 3h40 e mantêm-se operacionais, os presidentes, entidades desde a ProCiv, passando pelos bombeiros, a GNR, guardas florestais, com vista à desobstrução da ribeira e à limpeza das vidas rodoviárias”, explicou o comandante.

O alerta para o risco acrescido com as chuvas nas zonas ardidas já tinha sido feito e a confirmação vem somar-se agora aos prejuízos causados pelos fogos, que a autarquia estima em 2,5 milhões de euros. No caso do temporal, ainda estão a ser apurado, mas serãode “larga escala”, disse ontem Flávio Massano, relatando que troncos de “porte enorme”, vários carros, iluminação pública, grades, gradeamentos, parte de pontes e parte de caminhos agrícolas e de estradas “foram arrastadas pela força da água”. O presidente da Câmara Municipal de Manteigas participou, em Lisboa, numa reunião com o Governo e restantes autarcas do Parque Natural da serra da Estrela sobre as medidas de rescaldo após os incêndios do mês passado. O autarca disse à Lusa que o Governo apresentou “medidas concretas” em áreas como o Ambiente, Turismo e Proteção Civil, mas ainda não há indicação de verbas, aguardando pelo Conselho de Ministros desta quinta-feira.

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