26/06/2022
 
 
A batalha pela maioria

A batalha pela maioria

AFP Hugo Geada 19/06/2022 16:05

A coligação do Presidente Macron vai tentar defender a maioria absoluta nas eleições legislativas, mas terá pela frente a histórica aliança de esquerda que está em ascensão.

Nas vésperas da segunda volta das eleições legislativas francesas, o grande inimigo a abater para o Presidente francês, Emmanuel Macron, é o NUPES (Nova União Popular Ecológica e Social), que ficou em segundo lugar na primeira volta, perdendo por uma diferença mínima para a coligação apoiada pelo líder de França, que apelou aos cidadãos para lhe darem uma «maioria sólida», de forma a não «somarem uma desordem francesa à desordem mundial».

«Está na hora de fazermos escolhas e as grandes escolhas nunca se fazem através da abstenção. Apelo para o vosso bom senso e para o despertar republicano», disse Macron, considerando que «no domingo [na segunda volta das eleições legislativas], nenhuma voz deve faltar à República».

As críticas à histórica coligação de esquerda não ficaram por aqui, com o vice-presidente da coligação que apoia Emmanuel Macron, François Bayrou, ao afirmar que uma vitória da esquerda nas eleições legislativas francesas seria uma «facada nas costas da Europa». 

«Para a França, isso representaria a impossibilidade de tomar decisões e, para a Europa, haveria uma fratura incrível dentro da União Europeia, nomeadamente no que se refere à Ucrânia e à Rússia», argumentou o líder do partido centrista MoDem, um dos três partidos que fazem parte da coligação presidencial, à Lusa.

O líder da coligação composta por partidos de esquerda, comunistas, ecologistas e socialistas, Jean-Luc Mélenchon, que já tinha sido bastante vocal depois da sua derrota nas eleições presidenciais, ficou em terceiro lugar, atrás de Macron e da líder de extrema-direita, Marine Le Pen, afirmou que estas legislativas são um «referendo entre o neoliberalismo de Macron e a solidariedade da NUPES».

«Estas pessoas vivem num mundo que nunca mais existirá: o neoliberalismo entrou em falência! As suas receitas já não podem ser aplicadas, é um regime perigoso, porque é incapaz de corrigir os erros que comete porque, quando comete erros, enriquece com esses erros», declarou o candidato de esquerda radical.

A segunda volta das eleições, que vão ser disputadas este domingo e contará com todos os partidos que tenham obtido pelo menos um resultado correspondente a 12,5% dos eleitores inscritos, acontecem depois da coligação do Presidente Macron ter saído vitoriosa da primeira volta depois de ter conquistado 25,75% dos votos contra os 25,66% arrecadados pela coligação de partidos de esquerda liderada por Mélenchon.

Apesar das sondagens indicarem que o Presidente Macron deverá vencer a segunda volta das legislativas, este resultado deixa a maioria do partido em risco, podendo limitar a sua capacidade para definir as políticas domésticas, nomeadamente a decisão controversa de querer aumentar a idade da reforma e fazer cortes nos impostos.

A NUPES pretende reduzir ao máximo o número de assentos da coligação Juntos.

O plano para suceder nesta missão é continuar a advogar as medidas que tem defendido ao longo da campanha, como diminuir a idade da reforma em França para os 60 anos (atualmente, está fixada nos 62, uma das idades de reforma mais baixas entre os países industrializados), aumentar o ordenado mínimo e congelar os preços da alimentação básica, dos combustíveis e energias.

As sondagens indicam que o Juntos deverá conseguir entre 255 e 295 lugares no Parlamento – para obter a maioria absoluta é necessário conseguir 289 lugares –; já o NUPES deverá conseguir entre 150 a 190 lugares, mas, enquanto estes dois partidos disputam o primeiro e segundo lugar, o terceiro partido mais votado foi a União Nacional de Marine le Pen, com 18,68% dos votos, com a candidata de extrema-direita à espera de conseguir aumentar o número de deputados.

As eleições que decorreram neste domingo registaram uma abstenção histórica, que rondou os 53%, com a porta-voz do Governo, Olivia Grégoire, a considerar tratar-se de um «problema chave».

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