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Espanha. Ministra da Defesa defende trabalho dos serviços de inteligência

Espanha. Ministra da Defesa defende trabalho dos serviços de inteligência

Jornal i 04/05/2022 17:06

Numa audição no parlamento, Margarita Robles defendeu que o CNI atua "em conformidade com a lei" e que só o Ministério Público e a Justiça podem apurar possíveis responsabilidades: "Não podemos aceitar especulações", acrescentou.

A ministra da Defesa espanhola afirmou hoje que está "orgulhosa" do Centro Nacional de Informações (CNI), numa altura em que se investiga uma alegada espionagem a políticos com o programa Pegasus, incluindo ao telemóvel do primeiro-ministro.

Numa audição no parlamento, Margarita Robles defendeu que o CNI atua "em conformidade com a lei" e que só o Ministério Público e a Justiça podem apurar possíveis responsabilidades: "Não podemos aceitar especulações", acrescentou.

A responsável governamental apelou várias vezes à "confiança" nos funcionários públicos que trabalham nos serviços de inteligência espanhóis e insistiu que o Governo não tem "nada a esconder" depois de ser conhecido o alegado escândalo de espionagem.

As declarações da ministra da Defesa eram muito esperadas depois de os movimentos independentistas catalães terem denunciado que mais de 60 políticos da região tinham sido espiados com sistema Pegasus.

No início da semana, foi o próprio Governo espanhol que revelou que o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, e Margarita Robles também tinham sido espiados.

Na audição parlamentar, o parceiro minoritário do Partido Socialista (PSOE) no Governo, o Unidas Podemos (extrema-esquerda) foi mais exigente com a ministra do a própria oposição de direita.

Este partido exigiu à ministra da Defesa que houvesse "responsabilidade política ao mais alto nível" pela espionagem de políticos com o programa Pegasus, enquanto os independentistas catalães da ERC (Esquerda Republicana da Catalunha) apelaram, mais uma vez abertamente, à sua saída do Governo.

O líder parlamentar do Unidas Podemos, Pablo Echenique, disse que o "caso Pegasus" é "o maior escândalo" na Espanha recente e que "a situação atual é insustentável".

Na sua opinião, a espionagem de apoiantes pró-independência da Catalunha já era "insuportável", mas a acusação de que o primeiro-ministro do Governo também foi espiado "eleva a crise a outro nível".

Por seu lado, o parlamento espanhol decidiu na terça-feira que o primeiro-ministro devia comparecer em plenário para dar explicações sobre a alegada espionagem a políticos, mas chumbou a criação de uma comissão de investigação parlamentar que tinha sido proposta pelo Unidas Podemos.

A maior formação da oposição espanhola, o Partido Popular (PP) de direita, com o apoio dos pequenos partidos nacionalistas e independentistas bascos e catalães, entre outros, defenderam que Pedro Sánchez devia comparecer numa sessão plenária.

Esta posição foi tomada apesar de o Partido Socialista (PSOE) e o Unidas Podemos (extrema-esquerda), parceiros no Governo minoritário de esquerda, terem votado contra.

A mesma reunião de líderes parlamentares rejeitou, com os votos do PSOE, PP, Vox (extrema-direita) e Cidadãos (direita-liberal), a criação de uma comissão de inquérito sobre a alegada espionagem de políticos através do programa Pegasus, como tinha sido solicitado pelo Unidas Podemos e outros parceiros parlamentares do Governo.

A Audiência Nacional, um tribunal especial que trata este tipo de casos, abriu uma investigação sobre um possível crime de descoberta e revelação de segredos, denunciado pelo Advogado do Estado, pela infeção com a ferramenta Pegasus dos telemóveis do primeiro-ministro e da ministra da Defesa.

O Advogado do Estado tinha revelado que nas duas intrusões no telemóvel de Pedro Sánchez, em maio do ano passado, foram extraídos, respetivamente, 2,6 gigabytes e 130 megabytes de dados, enquanto no caso de Margarida Robles foram obtidos nove megabytes de informação, num único ataque em junho de 2021, de acordo com fontes governamentais.

O movimento a favor da independência da Catalunha pede desde há duas semanas a demissão da ministra da Defesa, Margarida Robles, que considera ser a principal responsável pela alegada espionagem de dezenas dos seus líderes através da instalação do software Pegasus nos respetivos telemóveis, denunciada no relatório do grupo Citizens Lab, relacionado com a Universidade de Toronto (Canadá).

Segundo esse documento, pelo menos 65 ativistas catalães foram espiados entre 2017 e 2020, estando entre os visados o atual presidente regional catalão, Pere Aragonês (que era vice-presidente da região na altura), os antigos presidentes regionais Quim Torra e Artur Mas, assim como deputados europeus, deputados regionais e membros de organizações cívicas pró-independência.

Na segunda-feira, o executivo espanhol apresentou uma queixa na Audiência Nacional por alegada espionagem dos telemóveis de Pedro Sánchez e de Margarita Robles, apesar dos factos terem ocorrido em 2021.

Entretanto, a diretora do Centro Nacional de Inteligência (CNI), Paz Esteban, deverá ir na quinta-feira ao parlamento para prestar esclarecimentos sobre a espionagem a líderes políticos.

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