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Um editora centenária

Um editora centenária

Ricardo António Alves 18/04/2022 20:25

O número 29 de Méga Spirou assinala o centenário da Dupuis, trazendo a história completa sobre as origens deste groom espectacular

Se a imprensa portuguesa de BD é, como escrevemos na semana passada, um deserto para o grande público, o mesmo não se passa nos grandes países dos quadradinhos europeus. A Itália e o arquipélago franco-belga, embora enfrentem também o refluxo do papel, mantêm ainda uma assinalável actividade neste sector, com revistas históricas: Le Journal de Mickey (desde 1934...); para um público adulto a italiana Linus (fundada em 1965) e a francesa Fluide Glacial (em 1975), de boa saúde. Outro caso surpreendente é o do semanário Spirou, cuja editora está a completar o primeiro centenário.

Em 1898, um jovem tipógrafo de Marcinelle, na região belga de Charleroi, abre a sua casa impressora. Chama-se Jean Dupuis (1875-1952), e o seu apelido será sinónimo de uma das maiores editoras europeias de BD, indelevelmente ligado a uma revista e a uma personagem. Dupuis dá o salto em 1922, quando edita uma revista ilustrada, destinada a um público prioritariamente feminino; dois anos mais tarde surge Le Moustique, com reportagens e informação geral, dando um lugar de destaque ao cartoon; até que, em 21 de Abril de 1938, aparece nos quiosques o primeiro número de um semanário, cujo título é também o nome da personagem principal, um jovem groom criado pelo francês Rob-Vel, mas”baptizado” pelo próprio Dupuis: “Spirou”, ou seja “esquilo”, no dialecto valão de Charleroi Em seguida, publica os maiores nomes da BD do país, com excepção de Hergé e Jacobs: Jijé (Jean Valhardi, Jerry Spring) Franquin (o verdadeiro grande autor da série Spirou e Fantásio e criador de Gaston Lagaffe), Dineur e Will (Tif e Tondu), Morris (Lucky Luke), Charlier e Hubinon (Buck Dany), Peyo (João e Pirolito, os Schtroumpfs), Roba (Boule e Bill) e tantos outros, até hoje.

Dirigido a um público eminentemente infanto-juvenil, e bom é que assim seja, mas com uma porção apreciável de material para “todos os públicos”, a revista reinventa-se, estabelecendo uma notável interacção com os leitores, incluindo a participação deles próprios como personagens de uma tira humorística (há leitores octogenários...), questionários e espaço para aspirantes a autores de BD, com a publicação de pranchas originais, analisadas por autores da casa. A edição trimestral de uma Méga Spirou, com gags e duas longas narrativas completas, entretanto já publicadaa, é um outro meio de atrair e cativar futuros leitores. Neste trimestre, o número 29 de Méga Spirou assinala o centenário da Dupuis, trazendo a história completa sobre as origens deste groom espectacular: Le Journal d’un Ingénu, de Émile Bravo, em que ficamos a conhecer a origem da personagem, como aparece Spip, o esquilo, como conheceu Fantásio, porque nunca deixou de se vestir como carregador de hotel – uma jóia da BD – e uma história de Frank, de Olivier Bocquet e Brice Cossu, um jovem de hoje caído na pré-história... A somar, os muitos gags da publicação, do Agente 212 (da dupla Kox e Cauvin) ao Pequeno Spirou (Tome & Janry), passando pelo formidável Imbatable, de Pascal Jousselin, verdadeira BD dentro da BD...

BDTECA

ABECEDÁRIO
T, de Titeuf (Zep, 1993). Titeuf, abreviatura de ‘petit œuf ‘’ (’pequeno ovo’, por óbvias razões anatómicas), com cerca de oito anos, e um topete que parece uma hipérbole do cabelo de Tintin, Titeuf é um reguila desabusado, que quer dar nas vistas para parecer mais importante e mais crescido do que na verdade é – e também para que as miúdas reparem em si. Um rapazelho como muitos outros, portanto... 

LIVROS
Le Chevalier du Crépucule, de Francesc Grimalt. Certa manhã, uma estranha nave espacial chega à cidade de Parazyn com uma missão liderada por um veterano: descobrir uma misteriosa conjura que põe em causa a ordem imperial e um misterioso “Cavaleiro do Crepúsculo”, que parece estar por detrás de tudo. Uma história que promete e um desenho esplêndido deste maiorquino de 1971, espécie de cruzamento entre Moebius e Jean-Claude Mézières. Edição Mosquito, Grenoble, 2022.

Mandarina, por Amelia Navarro e Sergio Salma. A vida era feliz para Mandarina, até à separação dos pais. A guarda partilhada, cada semana com um do progenitores, entre campo e cidade, a mudança radical na sua vida, a falta que sente de ter pai e mãe juntos consigo, fazem com que comece a ter dúvidas sobre quem é. Rdição Nuevo Nuove, Madrid, 2022.

 

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