02/12/2022
 
 
Fachada do edifício do PCP em Beja vandalizada

Fachada do edifício do PCP em Beja vandalizada

Raquel Wise Jornal i 28/02/2022 19:12

As inscrições terão sido feitas na noite de sábado ou na madrugada de domingo e abordavam o assunto da invasão russa na Ucrânia. Este tema tem colocado o partido debaixo de fogo após declarações que divergem às restantes proferidas pela camada política portuguesa. 

A fachada do edifício do Centro de Trabalho de Beja do PCP foi vandalizada com inscrições referentes ao ataque militar da Rússia na Ucrânia. As frases já estão parcialmente apagadas, verificou a agência Lusa, esta segunda-feira, no local. 

Segundo a mesma fonte, as inscrições terão sido feitas na noite de sábado ou na madrugada de domingo. Embora se note uma limpeza naquele local, as inscrições na fachada do edifício ainda eram possíveis de reconhecer hoje à tarde. 

Com um risco de tinta vermelha pintado na porta do edifício e ainda na parede, a preto, foram escritas as frases: "Russos = Comunas" e "Têm sangue ucraniano na foice".

O PCP, através do gabinete de imprensa, já reagiu à Lusa o sucedido, limitando-se a dizer que "os atos antidemocráticos falam por si".

Já o comandante distrital de Beja da PSP, o intendente Raúl Glória Dias, também contactado pela mesma fonte, disse que a força de segurança "não teve conhecimento" da ocorrência, "nem formal, nem informalmente", e que não foi apresentada qualquer queixa. 

Recorde-se que, na passada quinta-feira, no dia em que a Rússia iniciou a ofensiva militar no território ucraniano, a classe política portuguesa, exceto o PCP, condenou a ação, apelando à imposição de sanções e equacionando a mobilização de militares portugueses no quadro da NATO como forma de dissuasão.

Num debate sobre a invasão da Rússia à Ucrânia, na Comissão Permanente da Assembleia da República, o líder da bancada parlamentar do PCP, João Oliveira, disse, no entanto, que a "guerra não é solução" para a resolução da situação entre aqueles dois países.

João Oliveira incitou o Governo a contrariar a "escalada de confrontação política", rejeitando o envolvimento de militares portugueses, e ainda apontou o dedo aos Estados Unidos da América, que qualificou como sendo os "verdadeiros interessados numa nova guerra na Europa", estando "dispostos a sacrificar até ao último ucraniano ou europeu para a promover".

Já numa ação partidária em Lisboa, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou que as declarações de Vladimir Putin, sem especificar quais, refletem a Rússia "como país capitalista" e representam "um ataque à União Soviética", defendendo a via do diálogo para encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia.

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