Estamos de regresso à alegoria da caverna


Estamos permanentemente a ser hipnotizados, deixamos de ser senhores do nosso comportamento para nos deixarmos controlar como marionetas por uma entidade exterior.


Lembra-se de ver na televisão um daqueles espetáculos em que um hipnotista escolhia uma pessoa da assistência, lhe dizia “Quando eu estalar os dedos, você é uma galinha”? e a vítima começava a cacarejar? Pois bem, hoje somos todos galinhas e não damos por isso.

Basta olhar um pouco à volta. Seja num restaurante, seja numa escola ou num miradouro, provavelmente já reparou que as pessoas estão permanentemente a olhar para o telemóvel e se abstraem do mundo que as rodeia. A paisagem pode ser magnífica, o interlocutor interessantíssimo, mas há qualquer coisa no ecrã luminoso que é mais poderosa e eficaz a atrair-nos a atenção. Estamos permanentemente a ser hipnotizados, deixamos de ser senhores do nosso comportamento para nos deixarmos controlar como marionetas por uma entidade exterior.

Ao volante, esse comportamento pode resultar em acidentes graves, como bem sabemos. No quotidiano, as consequências serão certamente menos imediatas e dramáticas, mas nem por isso muito mais benignas. Como a vítima de hipnotismo que acredita que é uma galinha, o hipnotizado pelo telemóvel vê a sua consciência capturada pelo ecrã e reduzida aos conteúdos mais ou menos primários que passam pelo ecrã. Basta-lhe a inteligência mínima para ver um vídeo de alguns segundos.

O poder de atração deste hipnotismo é quase irresistível e não se limita, ao contrário do que se possa pensar, às geração mais novas. Os mais velhos também lhe sucumbem, como se pode verificar facilmente num qualquer local público. Simplesmente têm sobre os mais novos a vantagem de terem conhecido outra realidade.

Dizia-me uma pessoa bem informada que já estão a ser vendidas “propriedades” no espaço virtual, como em tempos se vendiam terrenos na Lua. A ideia é depois cada um “construir” a sua casa e decorá-la como entender. A diferença é que, enquanto ninguém vai realmente à Lua, em breve as pessoas poderão praticamente viver exclusivamente as suas vidas virtuais nessas casas virtuais, ignorando o resto do mundo à sua volta.

A pandemia, com as suas limitações e o receio de contacto com os outros, veio acelerar esse processo. Será uma espécie de regresso à alegoria da caverna. Precisamos de espíritos inconformados para nos mostrarem o caminho para o exterior. Ou de um hipnotista simpático que diga: “Quando eu estalar os dedos, você deixa de ser uma galinha e volta a ser uma pessoa outra vez”.

Estamos de regresso à alegoria da caverna


Estamos permanentemente a ser hipnotizados, deixamos de ser senhores do nosso comportamento para nos deixarmos controlar como marionetas por uma entidade exterior.


Lembra-se de ver na televisão um daqueles espetáculos em que um hipnotista escolhia uma pessoa da assistência, lhe dizia “Quando eu estalar os dedos, você é uma galinha”? e a vítima começava a cacarejar? Pois bem, hoje somos todos galinhas e não damos por isso.

Basta olhar um pouco à volta. Seja num restaurante, seja numa escola ou num miradouro, provavelmente já reparou que as pessoas estão permanentemente a olhar para o telemóvel e se abstraem do mundo que as rodeia. A paisagem pode ser magnífica, o interlocutor interessantíssimo, mas há qualquer coisa no ecrã luminoso que é mais poderosa e eficaz a atrair-nos a atenção. Estamos permanentemente a ser hipnotizados, deixamos de ser senhores do nosso comportamento para nos deixarmos controlar como marionetas por uma entidade exterior.

Ao volante, esse comportamento pode resultar em acidentes graves, como bem sabemos. No quotidiano, as consequências serão certamente menos imediatas e dramáticas, mas nem por isso muito mais benignas. Como a vítima de hipnotismo que acredita que é uma galinha, o hipnotizado pelo telemóvel vê a sua consciência capturada pelo ecrã e reduzida aos conteúdos mais ou menos primários que passam pelo ecrã. Basta-lhe a inteligência mínima para ver um vídeo de alguns segundos.

O poder de atração deste hipnotismo é quase irresistível e não se limita, ao contrário do que se possa pensar, às geração mais novas. Os mais velhos também lhe sucumbem, como se pode verificar facilmente num qualquer local público. Simplesmente têm sobre os mais novos a vantagem de terem conhecido outra realidade.

Dizia-me uma pessoa bem informada que já estão a ser vendidas “propriedades” no espaço virtual, como em tempos se vendiam terrenos na Lua. A ideia é depois cada um “construir” a sua casa e decorá-la como entender. A diferença é que, enquanto ninguém vai realmente à Lua, em breve as pessoas poderão praticamente viver exclusivamente as suas vidas virtuais nessas casas virtuais, ignorando o resto do mundo à sua volta.

A pandemia, com as suas limitações e o receio de contacto com os outros, veio acelerar esse processo. Será uma espécie de regresso à alegoria da caverna. Precisamos de espíritos inconformados para nos mostrarem o caminho para o exterior. Ou de um hipnotista simpático que diga: “Quando eu estalar os dedos, você deixa de ser uma galinha e volta a ser uma pessoa outra vez”.