22/10/21
 
 
José Cabrita Saraiva 13/10/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

O milagre da multiplicação dos milhões

De uma maneira ou de outra, deverão ser os mesmos do costume a pagar a conta. 

Gostei de ouvir ontem de manhã o ministro João Leão a garantir que ninguém vai pagar mais impostos no próximo ano. Mas não terei sido o único. Na conferência de imprensa de apresentação do Orçamento do Estado para 2022 o ministro das Finanças falou de tantos números e fez tantas promessas que certamente agradou a muitos portugueses.

De cabeça, lembro-me de Leão prometer mais 700 milhões para contratar profissionais de Saúde. Mais milhões para a Educação. Mais milhões para a Cultura. Mais milhões para Siza Vieira e para Pedro Nuno Santos. Aumentos para os funcionários públicos (claro). Aumentos das pensões mais baixas. Benesses para os jovens e para as famílias com filhos. Apoios para as empresas. Fundos para o combate à pobreza. Aumento do investimento público. E ainda haverá margem, ficou implícito, para medidas que permitam corresponder aos anseios dos parceiros da esquerda. Tudo isto sem aumentar (em termos percentuais) a dívida!

Com tantos milhões anunciados, quem ouvisse o ministro ficaria a pensar que Portugal é um país rico. Mas quem paga a fatura? Não é o ministro do seu bolso, seguramente, nem sequer o Governo. E, se os impostos dos contribuintes não aumentam – João Leão garantiu que é ao contrário, que todas famílias terão mais dinheiro – e as contas públicas não descarrilam por completo, este orçamento parece um verdadeiro milagre da multiplicação dos milhões. Talvez Leão, ele sim, seja o verdadeiro mago das Finanças.

Mas, se olharmos com atenção para aquelas letras pequeninas, lá veremos o IUC a subir, as receitas das multas a fazerem a sua parte, a contribuição extraordinária na banca (ou seja, mais comissões a recair sobre os clientes), taxas sobre tabaco, bebidas açucaradas e alcoólicas. E o Fisco a apertar o cerco.

De uma maneira ou de outra, deverão ser os mesmos do costume a pagar a conta. O Orçamento pode agradar a alguns. Mas, por muito que António Costa e João Leão se tenham esforçado, não pode agradar a todos. Se ontem de manhã pareceu que sim, é porque, mais uma vez, foi montado, com o alto patrocínio dos contribuintes portugueses (e o mecenato da bazuca europeia), mais uma brilhante operação de propaganda do Governo.


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