22/10/21
 
 
Vítor Rainho 08/10/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Quando Costa fez lembrar Sócrates

António Costa revelou na Assembleia da República como está desestabilizado e que não é preciso muito para lhe saltar a tampa – algo que lhe aconteceu várias vezes nas duas últimas semanas. Só os mais próximos é que saberão qual terá sido a sua reação depois de ter ouvido o ministro das Infraestruturas e da Habitação criticar, sem apelo nem agravo, o colega das Finanças.

“O senhor não me conhece de parte nenhuma por isso não autorizo qualquer juízo moral sobre o meu comportamento como eu não faço sobre o seu”, foi assim que o primeiro-ministro respondeu a um deputado e vice-presidente do PSD. O tom ríspido e as palavras usadas recordaram imediatamente algumas intervenções de outro primeiro-ministro do PS, de seu nome José Sócrates.

António Costa revelou na Assembleia da República como está desestabilizado e que não é preciso muito para lhe saltar a tampa – algo que lhe aconteceu várias vezes nas duas últimas semanas. Só os mais próximos é que saberão qual terá sido a sua reação depois de ter ouvido o ministro das Infraestruturas e da Habitação criticar, sem apelo nem agravo, o colega das Finanças. Numa casa onde já quase todos andam aos tiros, é natural que o primeiro-ministro ande com os nervos à flor da pele.

Já se viu muito boa gente perder o norte por não saber enfrentar algumas contrariedades, e Costa revela que está tão desorientado com a oposição externa como com a oposição interna. Se as críticas que Pedro Nuno_Santos fez a João Leão tivessem sido feitas por alguém da oposição, de certeza que o primeiro-ministro não teria deixado a ocasião em branco e teria saído a público para defender o seu ministro das Finanças. O problema é que o verdadeiro líder da oposição, o seu ministro Pedro Nuno_Santos, não pode ser criticado em público e isso deve irritar António Costa de uma forma considerável. José Sócrates explodia com facilidade sempre que era contrariado e aqueles que estavam nas proximidades procuravam não irritar ainda mais o animal feroz.

Estarão os atuais ministros e secretários de Estado numa situação semelhante? Certo é que o primeiro-ministro começa a revelar de que raça é feito e de como não tem medo de assumir em público como está irritado com o resultado das autárquicas, dos disparates dos seus ministros e até da fuga de João_Rendeiro.

Que mais irá acontecer ao primeiro-ministro irritado?  


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