Papers. Onde estão os jornalistas do saco azul?


Se houvesse vergonha na cara de uns tantos, a primeira coisa que teriam feito quando ontem lançaram dados do Pandora Papers, seria explicar a razão do nome dos jornalistas não terem sido ainda divulgados.


Quando ouvi falar no Pandora Papers, envolvendo três portugueses, e várias figuras internacionais, desde ex-chefes de Estado a reis, fiquei com uma sensação estranha. Pensei que aqui chegados, a um novo escândalo, teríamos direito a saber, finalmente, que jornalistas foram apanhados nos Panama Papers. Mas enganei-me, afinal, os jornalistas que terão o seu nome ligado ao saco azul do universo Espírito Santo podem ficar tranquilos porque quem teve acesso aos seus nomes jamais os divulgará, até porque o processo ainda não está concluído – como se alguém tivesse pensado nisso para se divulgar os outros nomes.

Se houvesse vergonha na cara de uns tantos, a primeira coisa que teriam feito quando ontem lançaram dados
do Pandora Papers, seria explicar a razão do nome dos jornalistas não terem sido ainda divulgados.

Deixando esse pequeno dado para trás, diga-se que estas investigações com milhões de documentos envolveram, obviamente, hackers que entraram em contas de escritórios de advogados, ou nas offshores – dados esses que depois terão sido trabalhados, e bem, pelo tal consórcio de jornalistas.

Há um lado muito positivo desta forma de fazer jornalismo que é o de divulgar verdadeiros escândalos de pessoas, de políticos a empresários, de desportistas a jornalistas (estes menos), que fugiram aos impostos, revelando, em muitos casos, riquezas pornográficas que se desconhece a origem.

Mas também tem um lado negro, que é o da privacidade estar posta em causa, pois se divulgam podres – mesmo sem mandatos de busca passados por juízes – também põem todos no mesmo saco, o que, como sabemos, não é correto. A não ser que o que se lê na Wikipédia seja mentira: “Offshore é o nome comum dado às empresas e contas bancárias abertas em territórios onde há menor tributação para fins lícitos. Essas empresas offshore também são chamadas de sociedade extraterritorial ou empresa extraterritorial”.

Mas para que não fiquem quaisquer dúvidas, é óbvio que fico contente em saber que os vigaristas deste mundo são caçados, mas não nos esqueçamos que as regras devem ser iguais para todos. Políticos, empresários ou jornalistas. E, claro, também seria interessante saber por que razão as offshores ainda são legais…


Papers. Onde estão os jornalistas do saco azul?


Se houvesse vergonha na cara de uns tantos, a primeira coisa que teriam feito quando ontem lançaram dados do Pandora Papers, seria explicar a razão do nome dos jornalistas não terem sido ainda divulgados.


Quando ouvi falar no Pandora Papers, envolvendo três portugueses, e várias figuras internacionais, desde ex-chefes de Estado a reis, fiquei com uma sensação estranha. Pensei que aqui chegados, a um novo escândalo, teríamos direito a saber, finalmente, que jornalistas foram apanhados nos Panama Papers. Mas enganei-me, afinal, os jornalistas que terão o seu nome ligado ao saco azul do universo Espírito Santo podem ficar tranquilos porque quem teve acesso aos seus nomes jamais os divulgará, até porque o processo ainda não está concluído – como se alguém tivesse pensado nisso para se divulgar os outros nomes.

Se houvesse vergonha na cara de uns tantos, a primeira coisa que teriam feito quando ontem lançaram dados
do Pandora Papers, seria explicar a razão do nome dos jornalistas não terem sido ainda divulgados.

Deixando esse pequeno dado para trás, diga-se que estas investigações com milhões de documentos envolveram, obviamente, hackers que entraram em contas de escritórios de advogados, ou nas offshores – dados esses que depois terão sido trabalhados, e bem, pelo tal consórcio de jornalistas.

Há um lado muito positivo desta forma de fazer jornalismo que é o de divulgar verdadeiros escândalos de pessoas, de políticos a empresários, de desportistas a jornalistas (estes menos), que fugiram aos impostos, revelando, em muitos casos, riquezas pornográficas que se desconhece a origem.

Mas também tem um lado negro, que é o da privacidade estar posta em causa, pois se divulgam podres – mesmo sem mandatos de busca passados por juízes – também põem todos no mesmo saco, o que, como sabemos, não é correto. A não ser que o que se lê na Wikipédia seja mentira: “Offshore é o nome comum dado às empresas e contas bancárias abertas em territórios onde há menor tributação para fins lícitos. Essas empresas offshore também são chamadas de sociedade extraterritorial ou empresa extraterritorial”.

Mas para que não fiquem quaisquer dúvidas, é óbvio que fico contente em saber que os vigaristas deste mundo são caçados, mas não nos esqueçamos que as regras devem ser iguais para todos. Políticos, empresários ou jornalistas. E, claro, também seria interessante saber por que razão as offshores ainda são legais…