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Autárquicas. Candidato à Assembleia Municipal por Santana Lopes acusado de furto qualificado

Autárquicas. Candidato à Assembleia Municipal por Santana Lopes acusado de furto qualificado

Facebook Figueira A Primeira Henrique Pinto de Mesquita 31/08/2021 08:21

Paulo Mariano é acusado de se apropriar do recheio de um edifício que adquirira em 2017 na Figueira da Foz.

Paulo Mariano, número um da lista candidata à Assembleia Municipal de Santana Lopes à Figueira Foz, está acusado pelo Ministério Público (MP) de furto qualificado, noticia o Público. Santana Lopes diz ter sabido através da imprensa e Mariano classifica o assunto como uma “badalhoquice”.

A acusação surgiu em fevereiro de 2021, contudo o caso remonta a final de 2017. Nesta época, Paulo Mariano, através da sua empresa Henrique Nogueira Mariano & Cam, S.A., terá comprado à massa insolvente da P-Zero um edifício industrial, em Buarcos, Figueira da Foz. Contudo, aquando da compra, o imóvel ainda estava arrendado e ocupado pela Galativontade, uma empresa que transforma plásticos. Paulo Mariano ter-se-á alegadamente apropriado do recheio desse edifício, ou seja, de bens pertencentes à Galativontade.

Segundo a acusação, a que o Público jornal teve acesso, Mariano terá telefonado no dia 30 de dezembro de 2017 ao gerente da Galativontade para o elucidar de que “a escritura de compra do edifício tinha sido realizada livre de pessoas e bens”, razão pela qual a empresa deveria disponibilizar aquele espaço “imediatamente”. Face a isso, a Galativontade terá notado a existência de bastante material nas instalações, evidenciando que o prazo de 45 dias estabelecido no contrato de arrendamento seria insuficiente para desocupar o edifício. Agendou-se, então, uma reunião para três dias depois: nessa, os funcionários da Galativontade terão encontrado uma “equipa de seguranças privados” que “controlava o acesso ao edifício”. Desta conversa, estabeleceu-se que o novo limite para retirar os materiais seria 15 de janeiro.

Equipamentos avaliados em 650 mil euros Após a dita reunião, Paulo Mariano “mandou trocar as chaves de todas as portas de acesso ao edifício e, sem autorização da queixosa, carregou matéria-prima para um local de sua propriedade”. Paralelamente, terá dado instruções aos seguranças “para apenas permitirem a saída de lixo e de produto acabado, mas não de equipamento” – lê-se na acusação. Segundo os cálculos do Ministério Público, os trabalhadores de Mariano – entre paletes, caixas, maquinaria e ferramentas, silos, estantes e moldes – terão retirado do edifício equipamentos, produtos e matéria-prima no valor de 650 mil euros. Perante isto, a Galativontade apresentou queixa contra Paulo Mariano e os seus seguranças ao Ministério Público. Este terá considerado que Mariano “actuou com o propósito concretizado de se apropriar dos referidos bens” quando deu instruções para a sua retirada e transporte. Por estas razões, um despacho de 18 de fevereiro de 2021 acusa-o de furto qualificado e iliba os seus seguranças, que considera apenas terem cumprido ordens.

Santana irá “analisar” Paulo Mariano, que acompanha Santana Lopes na sua investida em regressar à Figueira da Foz através do movimento “Figueira a Primeira”, é um conhecido empresário da Figueira da Foz que trabalha no sector portuário dos transportes rodoviários de mercadoria, estando também envolvido no turismo e no imobiliário. Ao Público, Mariano – que é ainda vice-presidente da Comunidade Portuário da Figueira da Foz – rejeitou comentar a acusação, classificando-a como “badalhoquice” e afirmando que “quem não deve, não teme”. Já em 2015, Paulo Mariano esteve envolvido num processo de insolvência culposa da Transportes Gameiro, não sendo por isso esta a primeira vez que está a contas com a justiça.

O candidato independente à Figueira da Foz e ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes rejeitou comentar o assunto, notando ter sabido pela imprensa e afirmando que irá “analisar” a situação.

A corrida à Figueira da Foz é disputada pelo menos por seis candidatos: Carlos Monteiro (PS), Bernardo Reis (CDU), Rui Curado (BE), Pedro Machado (PSD), Miguel Mattos Chaves (CDS-PP) e Pedro Santana Lopes (independente). O Chega havia apresentado João Paulo Domingues, contudo, uma decisão do Tribunal da Comarca de Coimbra acabou por anular esta candidatura.

Uma sondagem realizada no início de agosto pela Eurosondagem/Libertas e publicada na última edição do Nascer do Sol coloca Pedro Santana Lopes à frente nas intenções de votos, com 38%. Segue-se-lhe o atual presidente da Câmara, Carlos Monteiro, com 34%. Já Pedro Machado, do PSD, conta apenas com 8,6%.

 

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