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Clubes sem rendimentos, atletas sem motivação. O desporto está em perigo

Clubes sem rendimentos, atletas sem motivação. O desporto está em perigo

José Miguel Pires 08/01/2021 09:04

O desporto profissional poderá ter voltado aos campos, mas os escalões de formação estão ainda a meio gás devido à pandemia de covid-19. A geração de 2020 ficou marcada pelos treinos atípicos e pela falta de competição, e em causa está a saúde pública, o financiamento dos clubes e o futuro do desporto.

Portugal, que é campeão em título da Europa, orgulha-se também de formar atletas e técnicos que se impõem além-fronteiras. Nados e criados em clubes portugueses, jogadores como Bernardo Silva, Bruno Fernandes, João Cancelo, João Félix, Rúben Dias e Diogo Jota brilham nos grandes palcos do futebol e fazem manchetes na imprensa desportiva dos melhores campeonatos do mundo. Isto para não falar de nomes míticos do futebol mundial como Cristiano Ronaldo e Luís Figo, formados nas academias do Sporting Clube de Portugal.

A vertente da formação, que tem constituído uma fonte de receitas crucial para os clubes (só Félix e Rúben Dias renderam, juntos, perto de 200 milhões de euros aos cofres do Benfica), foi drasticamente afetada pela pandemia. Sem palco, os craques de amanhã estão impedidos de desenvolver as suas capacidades e de mostrar o seu valor. Com o desperdício do talento vem, claro, a perda dos milhões das transferências. A situação nos clubes revela-se tão dramática que foi mesmo impossível ao i perceber como o Futebol Clube do Porto e o Sporting Clube de Portugal têm lidado com esta paragem nos treinos – os clubes não quiseram prestar qualquer declaração ao jornal. Já o Sport Lisboa e Benfica não deu uma resposta em tempo útil.

Estará toda uma geração de talentos comprometida?_Os números são arrasadores. Em Portugal estavam inscritos na temporada 2019/20 um total de 220 735 atletas, futuras promessas que viriam renovar os plantéis nacionais e internacionais. Esta temporada, a imagem é outra: estão inscritos 47 744 atletas de formação. No total perderam-se, entre a temporada de 2019/20 e 2020/21, 170 mil atletas de formação, que ficaram pelo caminho e não puderam trazer aos clubes o rendimento e o prestígio de formar novos e melhores desportistas.

Numa época normal para o desporto de formação, a semana seria de treino, e o fim de semana de jogo. À boleia da carrinha do clube, centenas de quilómetros seriam palmilhados. E, ao final do dia, cada grupo de crianças e jovens em competição viveria a euforia da vitória ou a frustração da derrota. Na viagem de regresso a casa, restaria apenas uma vontade: fazer ainda mais e melhor de uma próxima vez.

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