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Universidades. Ensino presencial com um pé no digital

Universidades. Ensino presencial com um pé no digital

AFP Rita Pereira Carvalho 24/08/2020 13:04

Os alunos universitários regressam às aulas com um regime de ensino presencial, mas muitos terão a possibilidade de assistir a partir de casa, seja porque pertencem a grupos de risco ou porque as salas não garantem a distância de segurança exigida.

Salas de aula com um terço dos alunos, rotatividade semanal entre estudantes que assistem às aulas presencialmente e em streaming, utilização dos bares e das cantinas apenas para refeições – e não para convívio ou estudo –, turmas divididas e horários desfasados: estes são alguns exemplos daquilo que os milhares de alunos do ensino superior vão encontrar já a partir de setembro. Depois das indicações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, universidades e politécnicos preparam agora o regresso às atividades letivas e, apesar de estar a ser seguida a recomendação da tutela, adotando o regime presencial, as aulas gravadas, em streaming, ou a disponibilização de recursos para estudo online vão marcar presença no próximo ano letivo. Da Universidade de Évora à do Porto, passando pelo Instituto Superior Técnico, pela Universidade de Lisboa, pela Universidade Nova de Lisboa e pela Universidade de Aveiro, será possível assistir às aulas noutro sítio que não o espaço das faculdades. O objetivo é garantir que salas ou auditórios não ficam lotados, permitindo o distanciamento físico necessário. No Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, “as aulas serão parcialmente transmitidas em streaming” e “haverá uma recomendação de rotação semanal entre os alunos que assistirão presencialmente e em streaming” às aulas, avançou ao i o professor Rogério Colaço, presidente do IST. 

O mesmo caminho segue a Universidade Nova de Lisboa (UNL): uma vez que só estarão nas salas um terço dos alunos, os restantes alunos podem “assistir e intervir na aula onde quiserem, seja em casa, na residência ou mesmo no campus”, explicou João Sàágua, reitor da UNL, acrescentando que “no que diz respeito a aulas mais expositivas, estas estarão disponíveis online, o que permite aos estudantes assistirem às mesmas de qualquer ponto do país e as vezes que entenderem”. 

Na cidade dos estudantes, apesar de prevalecer o regime presencial, a Universidade de Coimbra indicou que “todas as aulas poderão também ser acompanhadas digitalmente, para que os estudantes de grupos de risco e os estudantes internacionais consigam manter o seu percurso académico em caso de impedimento da sua presença física”.
Já para os alunos que estudam na Universidade de Évora, o sistema de b-learning – em que aulas presenciais são intercaladas com aulas à distância – poderá ser utilizado nas “unidades curriculares com elevado número de estudantes”, com um máximo de 60% de aulas digitais. 

 

Salas, laboratórios e refeitórios

Os cursos não são todos iguais e a gestão das aulas do curso de Filosofia, de componente teórica, é muito diferente das aulas do curso de Engenharia Mecânica, por exemplo, em que muitas aulas são práticas. No IST, onde todos os cursos têm componente prática, os laboratórios “vão funcionar em rotação de turnos de alunos semanalmente”. Na Universidade do Porto, “sempre que se verificar ser necessário para garantir as regras de segurança recomendadas, o número de estudantes presente será reduzido, podendo ser feita uma divisão da turma, por exemplo”. O mesmo acontece nas restantes universidades, onde será gerido o número de alunos consoante a dimensão do espaço dos laboratórios. 

As divisões não acontecem apenas nos laboratórios, até porque existem muitas salas cujas dimensões são reduzidas para o número de alunos. A Universidade de Évora vai repartir os estudantes “por turmas em número adequado à dimensão das salas de forma a manter o distanciamento”. Podem existir, no entanto, “casos em que as salas de aula são maiores e as turmas mais reduzidas e, por isso, não ser necessário alterar o número de estudantes presentes”, explicou a Universidade do Porto. 

Horários diferentes para cada turma Nas suas recomendações, a tutela promoveu a realização de aulas aos sábados – medida que, aliás, já tem vindo a ser aplicada há alguns anos para determinados cursos e níveis de ensino. Mas há estabelecimentos que não querem ir por esse caminho. A Universidade de Aveiro quer evitar recorrer aos sábados, “exceto em cursos em que esse horário já existia”. Os horários serão “alargados no tempo, incluindo, por exemplo, as tardes de quarta-feira”, descreveu Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro, acrescentando que as aulas vão começar mais cedo e terminar mais tarde. Os alunos de Aveiro não vão entrar nem sair ao mesmo tempo, tendo os seus horários desencontrados “para evitar aglomerações no acesso aos transportes, refeitórios, bibliotecas e outros serviços”. 

Em Coimbra, o desfasamento dos horários também será uma realidade a partir de setembro e os alunos do ensino superior serão avisados para que o tempo nas cantinas e bares seja o menor possível e que estes espaços sejam usados apenas para as refeições. 

 

Grupos de risco

 Alunos podem apresentar atestado Para os alunos incluídos nos grupos de risco – que sofrem de doença cardíaca, pulmonar, oncológica ou estão em tratamentos para doenças autoimunes, como a esclerose múltipla –, além de terem as faltas justificadas, a Universidade de Porto, “em conjunto com as suas faculdades, procurará soluções com recurso às novas tecnologias para apoiar, sem prejuízo, o seu percurso académico”. Já em Évora, “cada situação é analisada caso a caso, nomeadamente a possibilidade de teletrabalho”. Em todos os casos, a continuação do regime adotado durante o confinamento poderá ser alargada aos alunos inseridos nos grupos de risco. Na Universidade de Lisboa, neste caso específico, a atenção vai para os “tempos de permanência em situação de proximidade” e para “a gestão das atividades em regime presencial ou à distância”. 

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