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Covid-19. Portugal sucessivamente excluído das isenções para viajantes

Covid-19. Portugal sucessivamente excluído das isenções para viajantes

João Campos Rodrigues 24/06/2020 08:34

Da Aústria à Finlândia, Portugal não entra na lista de países sem risco. Já o Reino Unido pondera o assunto.

À medida que os países europeus vão reabrindo fronteiras, permitindo voos ou diminuindo os requisitos de entrada, cada um tem feito as suas exceções, em medida do grau de risco. No que toca aos viajantes vindos de Portugal, cuja taxa de transmissão viu um pico recente, veem-se frequentemente sem voos, ou obrigados a uma quarentena de 14 dias. Aliás, ainda ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, foi forçado a negar que houvesse uma “lista negra” europeia, da qual Portugal fizesse parte.

Veja-se o caso do Reino Unido, que tem Portugal, em particular o Algarve, como um dos seus principais destinos turísticos – os britânicos certamente terão um grande papel na recuperação do setor. Contudo, casos como o surto em Odiáxere – causado por uma festa, provocou mais de uma centena de casos – ou o pico em Lisboa chegam em má altura: o Governo de Boris Johnson prepara-se para levantar a obrigação de que viajantes de dez países façam 14 dias de quarentena, e há grande incerteza se Portugal entra na lista ou não, avançou o Times.

Seja qual for o resultado, saberemos a resposta antes da próxima segunda-feira, assegurou ontem o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock. “Sei que as pessoas estão ansiosas por receber esta informação, mas temos de ter a certeza que acertamos”, declarou o ministro, perante os jornalistas.

É que, só em 2019, cerca de 2,5 milhões de britânicos escolheram visitar Portugal, segundo a embaixada do Reino Unido. Como tal, a imprensa britânica segue com atenção a situação, salientando que “Portugal tomou medidas restritivas relativamente cedo na pandemia e tem sido gabada pela sua resposta, que tem como base altas taxas de testagem”, como escreveu o Telegraph. E notando: “Mr. [António] Costa disse que Portugal estava a testar mais pessoas que a maioria dos países da UE, por isso era natural que ainda tivesse um alto número de infeções”.

 

Regras e mais regras

Não é só Londres que está preocupada com Portugal. Por exemplo, a embaixada portuguesa em Viena confirmou ao i que todos os voos austríacos de e para Portugal já estão cancelados desde dia 15 de junho. A lista de países sem voos é atualizada regularmente pelo Governo austríaco e revista todas as semanas, mas na terça-feira Portugal continuava lá, na companhia de países como a China, Irão, Suécia, Rússia, Bielorrússia ou Reino Unido. Já Espanha fora retirada na última atualização.

Quanto aos portugueses que queiram sair da Áustria, a recomendação é que o façam indo para países vizinhos. A Alemanha poderia ser uma opção, não fossem os 14 dias de quarentena impostos pela maioria dos estados alemães, que apenas pode ser evitado com o registo de um teste negativo recente ao novo coronavírus. De momento, as regras são semelhantes na Eslovénia, onde Portugal está na lista amarela – viajantes de países na lista vermelha nem sequer podem entrar no país.

Já na Croácia, mais a sul, um dos mais populares destinos turísticos dos Balcãs, há algumas regras interessantes. Poderá entrar sem problemas, desde que tenha reserva hoteleira, sendo os turistas obrigados a viajar por autoestrada sempre que possível.

 

Azar Todos os dias as regras mudam, enquanto os Governos tentam perceber como permitir mobilidade sem alastrar a pandemia – um grau de incerteza que pode levar muitos a ficar dentro das suas fronteiras este verão. Caso pretenda ver a beleza natural da Finlândia, o castelo de gelo de Kemi ou a aurora boreal na Lapónia, está com azar: num futuro próximo, terá de fazer 14 dias de quarentena. Ainda ontem o Governo finlandês isentou mais 12 países europeus disso, mas Portugal não entrou nessa lista.

Neste caso, para evitar a quarentena, os viajantes têm de vir de países com menos de oito contágios registados por cada 100 mil habitantes durante os últimos 14 dias. Algo que inclui a Alemanha, Áustria, Eslováquia, Eslovénia, Grécia, Hungria, Itália, Liechtenstein, Suíça, Croácia, Chipre e Irlanda – mas exclui países como Portugal ou Espanha.

A Finlândia abriu uma das primeiras bolhas de viagem na Europa, juntamente com outros países nórdicos e bálticos, que conseguiram escapar ao pior da pandemia – exceto a Suécia, que nunca aplicou estritas medidas de isolamento social. Ainda a semana passada a Dinamarca, incluída neste espaço, anunciou um plano para abrir as portas a países europeus, excluindo também Portugal. Na altura, Augusto Santos Silva chegou a sugerir que era “legítimo pensar-se” que as restrições de viagens podiam estar relacionadas com a competição por uma fatia dos mercados turísticos.

 

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