17/11/19
 
 
José Cabrita Saraiva 04/11/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Queremos mesmo seguir o caminho do facilitismo?

As recentes agressões bárbaras de um professor a um aluno do oitavo ano numa escola de Alvalade suscitaram as mais variadas – e acaloradas – reações. Mas poucos disseram o óbvio: elas demonstram até que ponto alguns professores se sentem frustrados e impotentes para controlar o que se passa na sala de aula.

Ora, se hoje as coisas já estão como estão – ou seja, mal – o fim dos chumbos até ao 9.o ano previsto no programa do Governo (que fala em “criar um plano de não retenção no ensino básico”) poderá contribuir para agravar esse sentimento.

Evidentemente a reprovação de um aluno nunca será um desfecho desejável para o esforço desenvolvido por todas as partes ao longo do ano letivo. Contudo, esse poder de decidir quem transita e quem não transita para o ano seguinte é talvez o derradeiro instrumento de autoridade à disposição do professor quando todos os outros falham. Instrumento esse que muitas vezes nem precisa de ser acionado – basta saber que ele existe.

A partir do momento em que os alunos derem a passagem como garantida, independentemente de se esforçarem ou não – o mesmo será dizer quando perceberem que o professor não tem qualquer poder sobre o seu destino –, a autoridade “institucional” do docente sairá ainda mais fragilizada.

Parecerá evidente a qualquer um que uma nação só pode ser viável pela organização, pela exigência, pelo rigor. Esta proposta para acabar com as reprovações, por muito boas intenções que tenha, dá o sinal contrário. Se permitirmos que se enverede desde tão cedo pelo facilitismo e pela desresponsabilização, não estaremos a formar cidadãos para a vida, estaremos sim a encorajar a falta de empenho e o desmazelo.

Os bons alunos, quando olharem para o lado e virem os seus colegas passarem de ano tal e qual como eles sem precisarem de fazer nada, porventura sentir-se-ão desmotivados. E bastarão uns poucos de “cábulas”, sabendo-se impunes, para envenenar o ambiente de uma turma inteira. Quando chegarmos aí, em vez de casos pontuais de violência nas escolas, poderemos ter um verdadeiro salve-se quem puder dentro e fora das salas de aula. 

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