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Museu Salazar. “Projeto não é nada tranquilizador”

Museu Salazar. “Projeto não é nada tranquilizador”

Miguel Silva Mafalda Tello Silva 06/09/2019 13:21

Projeto para o Centro Interpretativo do Estado Novo foi apresentado em Coimbra. Domingos Abrantes diz que “problema não está resolvido”.

“Considero que ainda há mais razões para lutar contra esta iniciativa”, afirmou Domingos Abrantes ao i, em reação à apresentação do projeto para o Centro Interpretativo do Estado Novo, mais conhecido como ‘Museu Salazar’ que, no último mês, levou ao lançamento de duas petições – uma contra e outra a favor – e ao envio de uma carta assinada por mais de 200 ex-presos políticos ao primeiro-ministro e ao presidente da Assembleia da República a apelar para a concretização do projeto fosse impedida.

O conselheiro de Estado e ex-dirigente do PCP disse ao i que, na sua opinião, a apresentação “deixou claro que o projeto não tem o objetivo de denunciar o fascismo, um termo que nem sequer foi utilizado”.

Domingos Abrantes vai ainda mais longe reforçando ao i que o “projeto não é nada tranquilizador” e que “vai exatamente de encontro às apreensões iniciais”. “Continuamos a exigir respostas. O problema não está resolvido”, sublinhou.

Confrontado com o facto de os consultores do projeto terem garantido que não haveria nenhuma homenagem ao ditador e que o projeto estava inserido numa rota com mais outros quatro espaços culturais no distrito de Viseu, Domingos Abrantes apontou que o intuito do projeto se manteve e que “apenas mudaram o nome”.

“A rota é um projeto diferente. Todas as terras têm pessoas célebres. A memória de Salazar tornada num objeto de turismo é uma coisa absurda e que pode ter graves consequências, como já se constatou noutros países”, acrescentou.

Projeto O projeto do Centro Interpretativo do Estado Novo foi apresentado na passada quarta-feira, apesar da falta de garantias que tinham sido transmitidas ao i pelas entidades envolvidas no projeto de Santa Comba Dão, no início da semana.

Numa conferência de imprensa realizada em Coimbra, os consultores do projeto – investigadores do Centro de Estudos Interdisciplinares do século XX da Universidade de Coimbra – tentaram apaziguar a polémica instalada em torno do que vai ser aquele espaço cultural, avançou o Público, referindo que os historiadores consideram que o centro interpretativo não se irá tornar num local de peregrinação.

De acordo com a publicação, a equipa também garantiu que o centro interpretativo não se vai tratar de uma casa-museu de Salazar mas sim de um espaço que, “com grande grau científico”, vai integrar a “Rede de Centros de Interpretação de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo”, uma iniciativa dos municípios de Santa Comba Dão, Penacova, Carregal do Sal, Tondela e Seia.

Esta rede é dinamizada pela Associação de Desenvolvimento Local (Adices) e vai implicar a reabilitação de cinco espaços ligados a personalidades históricas das regiões referidas, tais como, António José de Almeida, Aristides de Sousa Mendes e António de Oliveira Salazar, sendo que, em Tondela, o projeto não se irá debruçar sobre uma figura, mas sobre a estância senatorial do Caramulo.

Segundo o coordenador da Adices, João Carlos Figueiredo, esta ideia, da criação de uma rede, está a ser trabalhada há mais de dois anos e deverá estar concluída daqui a mais dois.

Sobre o conteúdo expositivo foi esclarecido que o Estado Novo será apresentado em comparação com outras ditaduras.

O i contactou os municípios envolvidos e tentou falar com os respetivos presidentes das autarquias sobre o projeto mas não obteve quaisquer declarações.

 

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